Vila Sônia: 69% das obras civis do terminal de ônibus e 37% da estação da linha 4-Amarela foram concluídos, diz presidente do Metrô de SP

Publicado em: 27 de julho de 2019

Terminal que vai receber as linhas de ônibus da região. Trajetos devem ser cortados Foto: Jessica Marques – Clique para Ampliar

ADAMO BAZANI/JESSICA MARQUES

Colaborou Alexandre Pelegi

Ao menos 37% das obras físicas da estação Vila Sônia, da linha 4-Amarela do Metrô, e do terminal de ônibus estão concluídos.

A informação é do presidente do Metrô, Silvani Alves Pereira, na manhã deste sábado, 27 de julho de 2019. Juntamente com outros portais de mobilidade, o Diário do Transporte esteve acompanhando o andamento das obras.

Silvani manteve a previsão de entrega do complexo para até o final de 2020.

“Desde o dia 11 de fevereiro, a programação que o Governador João Doria e o secretário de transportes metropolitanos, Alexandre Baldy, nos pediu, foi que essa obra seja entregue até 2020 e esse é o cronograma. Estamos trabalhando para isso e aqueles pontos onde tenha dificuldades vamos nos esforçar para que a gente possa tratar a tempo para que o projeto seja entregue à população dentro da nossa programação” – disse

Ouça:

Segundo o Metrô, a maior parte dos cerca de 1550 metros de túneis já foi escavada.

O engenheiro chefe de departamento, Jelson Siqueira, explica que também os trabalhos na estrutura da estação estão avançando.

“Toda a execução do tratamento provisório [contenção de terreno] já está pronta e já foi iniciada a estrutura definitiva. (…) [de um dos lados] a escavação e contenção provisória já estão prontas e do outro lado já está escavando. Então, você somando tudo isso, estão concluídos 37% das obras físicas, não do ponto de vista financeiro” – explicou.

O volume de escavação é de 8.667 m³

Escavação de túneis estão avançando, segundo o Metrô. Foto: Jessica Marques

Os técnicos do Metrô explicaram o complexo de obras contempla um trecho que vai fazer parte da estação Vila Sônia. Quando o túnel chega à estação, foi necessário fazer um alargamento para o espaço dos trens e da plataforma.

Da estação até a região da rua Edmundo Lins, foi feito um “túnel de injeção”, que vai permitir o acesso dos trens para a operação. As composições vão vir do pátio por esse caminho.

Visão do Pátio dos Trens. Foto: Jessica Marques

Maquinário para as obras externas Foto: Jessica Marques,

Operários atuam na preparação da estrutura. Foto: Jessica Marques

O engenheiro chefe de departamento, Jelson Siqueira, também explicou como será a estrutura do terminal de ônibus

“São três níveis. No térreo, são dez vias de estacionamento, que já estão entregues e já estão até com a concessionária.No nível intermediário é [onde vai haver] o fluxo de pessoas, que vai ligar na passarela da Eliseu de Almeida e no mezanino, já está começando a instalar piso e fazer as alvenarias das lojinhas e sanitários, estes que já estão até prontos. O nível superior é a cobertura que está praticamente com 80% prontos, tanto o piso definitivo do ônibus, como a cobertura” – explicou

Ouça:

 

Esta é a última obra para que a fase II da linha esteja finalmente completa.

A assinatura do contrato de R$ 1,8 bilhão entre o Consórcio Isulox Corsán-Corviam e o Metrô de São Paulo ocorreu em novembro de 2012 e previa a construção das estações Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, do terminal de ônibus na Vila Sônia, do pátio para trens também na Vila Sônia e de um túnel de quase dois quilômetros para fazer uma ligação para este pátio.

O prazo inicial para a conclusão do trecho era até 2016.

Entretanto, em julho de 2015, após atraso nos cronogramas, o contrato foi rompido.

Após uma nova licitação, as obras foram retomadas somente 12 de agosto de 2016.

O trecho, que em 2011, custava em torno de R$ 500 milhões, ficou na segunda licitação, 55% mais caro, chegando a aproximadamente R$ 1,1 bilhão.

Os atrasos nas obras também geraram conflitos entre a concessionária da linha, ViaQuatro, controlada pela CCR e pelo grupo originário de empresas de ônibus, Ruas Invest.

O consórcio cobra do poder público a compensação financeira pelo que deixou de arrecadar porque o número absoluto de passageiros previsto na linha ainda não foi atingido devido a estes atrasos.

As dívidas do Governo do Estado com a ViaQuatro podem se aproximar de R$ 500 milhões.

Isso porque, além dos R$ 70 milhões calculados sobre o segundo trecho, a concessionária cobra na Justiça R$ 428 milhões por causa de atrasos na entrega da primeira fase, que também, segundo a Via Quatro, geraram desequilíbrios entre investimentos e receita previstos em contrato.

A situação é considerada risco fiscal pelo Estado.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/06/16/governo-ja-preve-em-ldo-prejuizo-de-r-233-milhoes-ao-metro-por-causa-de-linha-4-dividas-totais-podem-chegar-a-r-500-milhoes/

Outro impasse entre a ViaQuatro e o Governo do Estado é a sobreposição entre as linhas de ônibus e o trecho em operação da linha.

Em fevereiro de 2019, o presidente da ViaQuatro, Luís Valença, recebeu o Diário do Transporte em um encontro com portais de mobilidade, e disse que  houve um descompasso entre os prazos das obras e o encurtamentos dos trajetos dos ônibus.

“Tem uma discussão sim entre a concessionária e o Estado sobre os efeitos disso em relação ao descasamento dos prazos sobre o seccionamentos das linhas de ônibus.” – disse Valença.

Segundo o dirigente da Via Quatro, na ocasião, as entregas das estações não ocorreram conforme o cenário ideal previsto no contrato o que impediu as mudanças nas linhas de ônibus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/20/governo-de-sao-paulo-e-via-quatro-discutem-impactos-de-sobreposicao-de-onibus-e-linha-4-amarela/

 

HISTÓRICO DE PARCERIA COM COBRANÇAS:

Problemas com empreiteiras e entraves em projetos fizeram com que a PPP fosse marcada por momentos que deixaram mais tensas as relações entre o público e o privado.

A concessionária cobra do Governo do Estado em torno de R$ 500 milhões por causa de um prejuízo que alega ter justamente pelo fato de a demanda prevista em contrato não ter sido alcançada ainda devido aos atrasos na conclusão das estações.

A ViaQuatro e Governo do Estado ainda discutem um valor de R$ 92 milhões (R$ 92.038.307,77) relativos a equilíbrio financeiro por causa de demanda de passageiros não atingida devido o atraso nas obras. Também são debatidos os impactos do ICMS sobre a importação de materiais ferroviários e obras em pátio.

O conflito é apontado também como possível risco fiscal.

Em 2014, foi assinado um aditivo contratual prevendo que a concessionária cobrasse do Governo do Estado este reequilíbrio caso as obras da segunda fase não ficassem prontas até 2018.

Segundo o aditivo, a possibilidade de cobrança é porque a ViaQuatro realizou investimentos na compra de trens, equipamentos e para mão-de-obra projetando uma demanda de passageiros que não se concretizou pelo fato de a linha não estar completa.

As obras da segunda fase atrasaram devido ao rompimento de contrato da PPP entre o Governo e um grupo internacional de construtores.

Em 2012, ocorreu a assinatura de contrato por R$ 1,8 bilhão com o Consórcio Isolux Corsán-Corviam e o Metrô para construção das estações Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, o terminal de ônibus na Vila Sônia, o pátio para trens também na Vila Sônia e um túnel de dois quilômetros para fazer uma ligação para este pátio.

Mas, em julho de 2015, após mútuas acusações em relação aos cronogramas e respaldos técnicos para as obras, o contrato foi rompido.

Somente em agosto de 2016, as obras da segunda fase foram retomadas.

O trecho, que em 2011, custava em torno de R$ 500 milhões, ficou na segunda licitação, 55% mais caro, chegando a aproximadamente R$ 1,1 bilhão.

As dívidas do Governo do Estado com a ViaQuatro podem se aproximar de R$ 500 milhões.

Isso porque, além dos R$ 70 milhões calculados sobre o segundo trecho, a concessionária cobra na Justiça R$ 428 milhões por causa de atrasos na entrega da primeira fase, que também, segundo a Via Quatro, geraram desequilíbrios entre investimentos e receita previstos em contrato.

CRONOLOGIA SEGUNDO TRECHO DA LINHA 4 AMARELA DO METRÔ:

– Novembro de 2012: Assinatura de contrato por R$ 1,8 bilhão com o Consórcio Isulox Corsán-Corviam e o Metrô para construção das estações Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, o terminal de ônibus na Vila Sônia, o pátio para trens também na Vila Sônia um túnel de dois quilômetros para fazer uma ligação para este pátio

– Julho de 2015: Rompimento de contrato entre Metrô e Consórcio Isulox Corsán-Corviam por atraso nas obras. Metrô e Consórcio trocam acusações.

– Novembro de 2015: Metrô abre nova licitação para este trecho.

– 17 de março de 2016: TCE – Tribunal de Contas do Estado de São Paulo suspende licitação para analisar questionamentos de construtora interessada sobre edital.

– 30 de março de 2016: TCE julga improcedentes os questionamentos e autoriza o andamento da licitação.

– 06 de abril de 2016: Metrô recebe propostas.

– 07 de junho de 2016: Metrô declarada como vencedor o Consórcio TC-Linha 4 Amarela, formado pelas empresas TIISA – Infraestrutura e Investimentos S/A e COMSA S/A. A proposta foi de R$ 858.743.546,73

– 12 de agosto de 2016. As obras da segunda etapa da Linha 4 Amarela são retomas pelo consórcio vencedor. Na ocasião, o governo do Estado prometia as estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire para o final de 2017.

– 23 de janeiro de 2018: Abertura da estação Higienópolis-Mackenzie.

– 04 de abril de 2018: Inauguração da estação Oscar-Freire de forma incompleta. Só foi aberto o acesso no lado ímpar da Avenida Rebouças. O secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, na ocasião, disse que havia diferença de solo entre um lado e outro da avenida. “Ao escavar, verificamos um solo mais mole do que o esperado quando fizemos o projeto. Estamos tendo que escavar com mais cuidado. O fundamental é garantir a segurança, não só do usuário, mas do entorno da estação, então vamos trabalhar devagar, mas permanente para que no segundo semestre possamos entregar o segundo acesso. Agora, as pessoas vão ter que fazer a ultrapassagem da Avenida Rebouças para poder pegar o metrô no acesso principal” — disse Pelissioni.

– 21 de abril de 2018: A Estação Oscar Freire da Linha 4-Amarela passa a funcionar em horário integral neste sábado, 21 de abril de 2018.

Segundo comunicado da ViaQuatro, concessionária da linha, a estação passará a operar das 4h40 à meia-noite nos dias úteis e domingo, e das 4h40 à 1h aos sábados.

Inaugurada no dia 4 de abril, depois de mais de cinco anos de atraso, a estação Oscar Freire foi entregue com um acesso, do lado ímpar da Avenida Rebouças.

 

– 28 de abril de 2018: Governo do Estado de São Paulo, em anexo sobre riscos fiscais do Orçamento para 2019, admite a possibilidade de a Via Quatro Amarela cobrar, a partir de julho de 2018, ao menos R$ 2,335 milhões por mês por causa de atrasos na entrega das estações da segunda fase da linha, que comprometeram a demanda prevista. De acordo com o último aditivo com a empresa, todas as estações deveriam ter sido concluídas em março de 2018. Também há pendências em relação aos atrasos da fase I, em especial, após a tragédia do desabamento das obras da estação Pinheiros, em 12 de janeiro de 2007, quando uma cratera se abriu na Rua Capri tragando caminhões, máquinas e até um micro-ônibus que passava pelo local. Sete pessoas morreram e depois de mais de dez anos do acidente, ninguém havia ainda sido condenado.

– 10 de agosto de 2018: O Tribunal de Justiça do Estado (TJ-SP) manteve decisão que obriga o Metrô de São Paulo a pagar uma quantia extra, em torno de R$ 10 milhões, ao consórcio responsável pelas obras da Linha 4-Amarela.

O Consórcio é formado atualmente pelas construtoras Tiisa e Comsa.

O assunto foi motivo de divergência entre a Companhia estatal e o Consórcio que realizava as obras, e o valor definido corresponde à retirada de material contaminado de um dos locais da construção.

A decisão, contestada judicialmente, foi tomada por uma equipe técnica contratada especialmente para solucionar conflitos entre o Metrô e o Consórcio. Sem acordo entre as partes, o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-SP) manteve a decisão.

Essa situação está prevista no contrato de concessão da Linha 4-Amarela, decorrente de exigências do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Essas agências internacionais que financiam obras de infraestrutura exigem uma instância prévia para a solução dos conflitos no próprio canteiro de obras, o chamado “dispute board”.

O primeiro contrato com o poder público prevendo tal método no Brasil foi o da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo, e introduziu no País um novo método de resolução de conflitos realizado no próprio canteiro da obra. O “dispute board” já é usado largamente nos Estados Unidos, e baseia-se numa atuação preventiva, quando as partes ainda não viraram opositoras. Esse método pode impedir disputas de arbitragem ou judiciais, e o custo é relativamente baixo.

O “dispute board” é constituído por uma equipe com três técnicos, escolhida pelas partes, acionada sempre que ocorre desentendimento na execução das obras. O objetivo é evitar paralisações, que provocam atrasos no cronograma e impacto financeiro.

O “dispute board” foi acionado quatro vezes desde 2015, quando um segundo contrato das obras da Linha 4 foi assinado com as construtoras Tiisa e Comsa. O primeiro, assinado com as empresas Corsan-Corvian, Isolux Espanha e Isolux – face Brasil – e a Engevix, e foi rescindido em julho de 2015.

 

– 29 de dezembro de 2018: Tiveram início as operações do Terminal de Ônibus da estação São-Paulo-Morumbi, da linha 4-Amarela do Metrô, na zona sudoeste de São Paulo, ainda com poucos passageiros. Com a abertura do terminal, a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos cortou na estação São Paulo-Morumbi linhas de ônibus que antes deixaram os passageiros mais para a frente, na região do Butantã.

Para prosseguir viagem, o passageiro terá de desembarcar no terminal São Paulo-Morumbi e embarcar na linha 4-Amarela do Metrô ou mesmo em um ônibus municipal. São 22 linhas gerenciadas pela SPTrans, da capital paulista, que servem o entorno do novo espaço.

– 19 de fevereiro de 2019: O presidente da ViaQuatro, Luís Valença, recebeu o Diário do Transporte em um encontro com portais de mobilidade, e disse que  houve um descompasso entre os prazos das obras e o encurtamentos dos trajetos dos ônibus.

“Tem uma discussão sim entre a concessionária e o Estado sobre os efeitos disso em relação ao descasamento dos prazos sobre o seccionamentos das linhas de ônibus.” – disse Valença.

Segundo o dirigente da Via Quatro, na ocasião, as entregas das estações não ocorreram conforme o cenário ideal previsto no contrato o que impediu as mudanças nas linhas de ônibus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/20/governo-de-sao-paulo-e-via-quatro-discutem-impactos-de-sobreposicao-de-onibus-e-linha-4-amarela/

– 16 de maio de 2019: O Metrô de São Paulo publicou no Diário Oficial a homologação de licitação, adjudicação e extrato de contrato com o consórcio TPC para elaboração dos projetos executivos de engenharia civil, acabamento, comunicação visual e prestação de serviços de acompanhamento técnico do túnel de conexão complementar entre a Estação Paulista da Linha 4-Amarela e a Estação Consolação da Linha 2-Verde.

O contrato tem o valor de R$ 3.881.856,50 e conta com recursos do Banco Mundial. Com prazo de 42 meses, o documento foi assinado entre as partes na última sexta-feira, 10 de maio.

– 27 de julho de 2019: Diário do Transporte visita as obras em Vila Sônia, a última etapa para a conclusão da segunda fase da linha. Na ocasião, o Metrô informou que ao menos 37% das obras da estação Vila Sônia, da linha 4-Amarela do Metrô, e do terminal de ônibus estavam concluídos. Segundo a companhia, a maior parte dos cerca de 1550 metros de túneis já foi escavada. O engenheiro chefe de departamento, Jelson Siqueira, explicou no dia que também os trabalhos na estrutura da estação estavam avançando.

“Toda a execução do tratamento provisório [contenção de terreno] já está pronta e já foi iniciada a estrutura definitiva. (…) [de um dos lados] a escavação e contenção provisória já estão prontas e do outro lado já está escavando. Então, você somando tudo isso, estão concluídos 37% das obras físicas, não do ponto de vista financeiro” – explicou.

O volume de escavação é de 8.667 m³

Adamo Bazani e Jessica Marques, jornalistas especializados em transportes

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Comentários

  1. Vai entender. Na linha 18 eram os trens que não vieram, com as estruturas prontas, Já nessa Linha 4 é ao contrário: tem trens comprados mas a linha não está totalmente pronta…
    Parece jogo de Tênis, pega que é tua , Taffarel !

  2. Gabriel disse:

    “Presidente do Metrô” é uma eterna piada. Cabide de emprego. Linha 4 tem menos de 800 funcionários, o Metrô estatal mais de 10.000. É nítido que as concessões à CCR são maracutaias com o psdb. As obras nunca acabam, só rolo com empreiteiras.

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