Alimentos e transporte comprometem 43% das despesas familiares no Brasil
Publicado em: 11 de julho de 2019
Preço dos combustíveis e tarifa de ônibus urbanos influenciam negativamente na inflação de junho
JESSICA MARQUES
Os grupos “Alimentação e bebidas” e “Transportes” respondem, juntos, por cerca de 43% das despesas das famílias no Brasil, conforme dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ambos apresentaram deflação em junho, respectivamente, -0,25% e -0,31%.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de junho, considerando todos os grupos, teve variação de 0,01% e ficou 0,12 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de maio (0,13%).
A variação acumulada no ano foi de 2,23% e a dos últimos doze meses recuou para 3,37%, abaixo dos 4,66% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho de 2018, a taxa havia sido de 1,26%.
O grupo Transportes (-0,31%) concentrou os impactos mais intensos sobre o IPCA de junho, em ambos os sentidos. No lado positivo está o item passagem aérea com 18,90% de variação e 0,07 p.p. de impacto. Influenciando negativamente estão os combustíveis (-2,41%) com destaque para a gasolina (-2,04% e -0,09 p.p.), segundo o IBGE.
“Regionalmente, a gasolina variou entre os -4,66% da região metropolitana de Porto Alegre e o 0,57% de São Luís. Tanto o óleo diesel (-0,83%) quanto o etanol (-5,08%) ficaram mais baratos, sendo que o etanol recuou em todas as áreas pesquisadas: de -8,51% na região metropolitana de Belo Horizonte até -0,35% na de Salvador. Já o gás veicular (2,38%) subiu, principalmente pelo aumento de 8,38% em São Paulo, por conta de reajuste em vigor desde 31 de maio.”
Ainda em Transportes, o item ônibus urbano apresentou variação de 0,39% por conta do reajuste 9,09% nas tarifas em Belém (7,27%), em vigor desde 5 de junho.
“A alta dos ônibus intermunicipais (0,43%) considera o reajuste de 6,66% nas passagens na região metropolitana de Porto Alegre (0,28%), em vigor desde 1º de junho; o reajuste de 10,00% na região metropolitana de Fortaleza (7,91%), a partir de 25 de maio, e os reajustes entre 3,30% e 7,50% na região metropolitana de Salvador (0,97%), desde 6 de maio”, informou o IBGE, em nota.
Confira a variação, por grupo:
| Grupo | Variação (%) | Impacto (p.p.) | ||
|---|---|---|---|---|
| Maio | Junho | Maio | Junho | |
| Índice Geral | 0,13 | 0,01 | 0,13 | 0,01 |
| Alimentação e Bebidas | -0,56 | -0,25 | -0,14 | -0,06 |
| Habitação | 0,98 | 0,07 | 0,15 | 0,01 |
| Artigos de Residência | -0,10 | 0,02 | 0,00 | 0,00 |
| Vestuário | 0,34 | 0,30 | 0,02 | 0,02 |
| Transportes | 0,07 | -0,31 | 0,01 | -0,06 |
| Saúde e Cuidados Pessoais | 0,59 | 0,64 | 0,07 | 0,08 |
| Despesas Pessoais | 0,16 | 0,15 | 0,02 | 0,01 |
| Educação | -0,04 | 0,14 | 0,00 | 0,01 |
| Comunicação | -0,03 | -0,02 | 0,00 | 0,00 |
| Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços | ||||
ÍNDICES REGIONAIS
Quanto aos índices regionais, a região metropolitana de Vitória (0,54%) apresentou a maior variação, em função das altas observadas nas passagens aéreas (20,21%) e na energia elétrica (4,81%) devido ao reajuste na alíquota do PIS/COFINS.
O menor índice ficou com a região metropolitana de Porto Alegre (-0,41%), influenciado pela queda nos preços das frutas (-14,37%) e da gasolina (-4,66%), também segundo o IBGE.
Confira:
| Região | Peso Regional (%) | Variação (%) | Variação Acumulada (%) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| Maio | Junho | Ano | 12 meses | ||
| Vitória | 1,78 | 0,09 | 0,54 | 2,22 | 3,67 |
| Fortaleza | 2,91 | 0,21 | 0,26 | 3,31 | 3,85 |
| Curitiba | 7,79 | -0,03 | 0,21 | 1,81 | 2,63 |
| Campo Grande | 1,51 | 0,42 | 0,18 | 2,57 | 2,95 |
| Belém | 4,23 | 0,05 | 0,16 | 2,57 | 3,56 |
| Belo Horizonte | 10,86 | 0,21 | 0,14 | 2,30 | 3,08 |
| Brasília | 2,80 | -0,05 | 0,13 | 1,66 | 2,91 |
| Rio de Janeiro | 12,06 | -0,05 | 0,05 | 2,26 | 3,48 |
| Salvador | 6,12 | 0,11 | 0,01 | 2,28 | 3,33 |
| São Paulo | 30,67 | 0,13 | -0,04 | 2,20 | 3,74 |
| Recife | 4,20 | 0,33 | -0,08 | 2,54 | 2,83 |
| Goiânia | 3,59 | 0,48 | -0,10 | 1,82 | 3,23 |
| Aracaju | 0,79 | 0,34 | -0,12 | 3,10 | 4,07 |
| Rio Branco | 0,42 | 0,67 | -0,14 | 2,41 | 4,71 |
| São Luís | 1,87 | 0,25 | -0,24 | 2,77 | 3,22 |
| Porto Alegre | 8,40 | 0,12 | -0,41 | 1,97 | 3,07 |
| Brasil | 100,00 | 0,13 | 0,01 | 2,23 | 3,37 |
Jessica Marques para o Diário do Transporte

