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Especialista que fez exposição para consórcio de prefeitos do ABC diz que escolha por BRT para a linha 18 foi acertada

BRT de Belo Horizonte, que transporta 550 mil pessoas por dia, de acordo com o consultor em mobilidade e arquiteto, Flaminio Fichmann. Sistema foi citado pelo Governador João Doria e pelo secretário de transportes metropolitanos Alexandre Baldy no anúncio de substituição de monotrilho por BRT. Foto: Flávio Tavares/Hoje em Dia

Entretanto, para o consultor Flaminio Fichmann, prazos e custos prometidos só poderão ser debatdos de fato com a apresentação na íntegra do projeto para ligar São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e a estação Tamanduateí da CPTM e do Metrô, em São Paulo

ADAMO BAZANI

O anúncio do Governo do Estado de São Paulo da troca do projeto original para a linha 18-Bronze de monotrilho (trens leves em elevados) por BRT (sistema de ônibus rápidos em corredores) levantou diversas dúvidas como se o modal realmente vai ter capacidade de atendimento suficiente, qual a ocupação das vias de ônibus com os pontos de ultrapassagem, se os custos de implantação serão baixos mesmo e se seria possível construir um sistema de transportes em 18 meses, como prometeram o governador de São Paulo, João Doria, e o secretário de transportes metropolitanos, Alexandre Baldy.

O consultor em mobilidade e arquiteto, Flaminio Fichmann, que no dia 19 de junho fez uma apresentação sobre BRT à frente parlamentar de vereadores do ABC, no Consórcio Intermunicipal ABC, disse em entrevista ao Diário do Transporte na manhã desta quinta-feira, 04 de julho de 2019, que considera que a decisão pelo BRT foi acertada diante da possibilidade de monotrilho.

“Foi uma decisão acertadíssima. O projeto de BRT já deveria ter sido implementado desde o início porque apresenta grandes vantagens em relação ao monotrilho. Por causa dessa decisão [pelo monotrilho] que houve no passado, o ABC ficou sem um sistema que desse prioridade ao transporte público. Ficou sem BRT e sem monotrilho. Eu não tenho nada contra trilhos, já fiz vários projetos de metrô, acho a solução de substituir os ônibus da conexão do aeroporto de Cumbica por um sistema de trilhos foi muito adequada, mas neste caso específico para o tipo e perfil de demanda do ABC não tenho a menor dúvida que se encaixa para o BRT” – disse

Fichmann, entretanto, ressaltou que é necessário que o governo do Estado mostre à população detalhes do projeto para a realidade da ligação proposta entre São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e a estação Tamanduateí da CPTM e do Metrô, na capital paulista.  Alexandre Baldy prometeu apresentar este detalhamento no Consórcio Intermunicipal ABC, que reúne os prefeitos da região, no próximo dia 06 de agosto.

Mas, em linhas gerais, Fichamnn disse que os números apresentados pelo Governo do Estado estão condizentes com as experiências anteriores de projetos e implantação de BRTs.

O secretário Alexandre Baldy disse na apresentação desta quarta-feira que a projeção de demanda para a linha 18 estava defasada e era maior do que “  as reais necessidades desta operação” porque houve uma perda de passageiros pelo transporte público. Baldy disse que a demanda começaria com 150 mil passageiros por dia e seria ampliada para 340 mil pessoas.

Fichamnn entende que o sistema de ônibus rápidos dará conta.

“Eu tenho algum conhecimento da demanda [do ABC]. Se a gente fizer a comparação da demanda, o Corredor ABD [trólebus], que não atinge 300 mil passageiros por dia [45 km], e é um sistema absolutamente consolidado há muitos anos. Eu creio que essa linha [linha 18] não teria demanda, de forma alguma, superior a 300 mil passageiros por dia. Mas, de qualquer maneira, o BRT teria condições de tranquilamente atender a capacidade de transporte por dia, muito maior. Por exemplo, vamos citar Belo Horizonte: o BRT transporta 550 mil passageiros por dia. Em Goiânia, que está com um sistema antigo e é praticamente um corredor melhorado, [o BRT] atinge 330 mil [passageiros]. Curitiba atende 560 mil no BRT. Isso sem contar cidades em outros países como a Cidade do México com mais de 1,4 milhão de passageiros por dia; Quito com mais de 900 mil, enfim, o BRT tem condições de atender com folga a demanda do ABC fazendo essa conexão sem o menor problema. Sem contar a capacidade que o BRT tem por hora-sentido que é muito maior que qualquer monotrilho do mundo.” – disse

Uma das diferenças de um BRT para um corredor de ônibus é a presença de pontos de ultrapassagem para que haja linhas expressas, semi-expressas e paradoras.

Na semana passada, a convite da montadora Volvo, o Diário do Transporte esteve no Transmilenio, sistema de BRT que transporta 2,5 milhões de passageiros por dia em Bogotá, na Colômbia, e verificou que os pontos de ultrapassagens dão maior velocidade aos ônibus, mas a ocupação do viário é bem grande: canteiro, quatro faixas de ônibus (duas em cada sentido) e as estações entre a dupla de faixas, com embarque e desembarque pelo lado esquerdo do coletivo.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/07/01/especial-com-video-brt-transmilenio-de-bogota-a-transformacao-das-cidades-pelo-transporte-publico/

Fichamnn explicou que o Transmilenio foi implantado há quase 20 anos e que há soluções de engenharia atuais que permitem melhor aproveitamento do espaço, podendo intercalar os pontos de ultrapassam que não precisam necessariamente estar em 100% do trajeto.

“Cada faixa de ônibus, a gente pode considerar em torno de 3,40 m a 3,70 m, então teríamos entre sete metros e 7,40 m em calha viária [em cada sentido] mais a estação que se  deve pensar em solução arquitetônica para cada projeto. Necessariamente não precisamos somar [os dois sentidos], a gente costuma fazer com uma pequena defasagem e intercalar os pontos de ultrapassagem. Um BRT não pode também ocupar todas as faixas e atrapalhar carros” – explicou.

O especialista ainda diz que valor apresentado pelo Governo do Estado de quase R$ 700 milhões para a implantação do BRT no lugar dos 15,7 km da linha 18 é também compatível com outros sistemas. João Doria disse que o valor do monotrilho se aproximaria de R$ 6 bilhões.

Ouça a entrevista na íntegra:

https://diariodotransporte.com.br/wp-content/uploads/2019/07/FLAMINIO-ADAMO-BRT-18.mp3?_=1

Apresentação feita à frente parlamentar no Consórcio Intermunicipal ABC:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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