Gestão Doria diz que linhas de Metrô podem ser privatizadas se sindicato fizer mais “greves políticas”

Declaração é do secretário de transportes metropolitanos, Alexandre Baldy, em entrega de trem da CPTM. Sindicato diz lamentar fala e afirma que paralisações ocorreram não pelo fato de os trabalhadores serem do serviço público

ADAMO BAZANI

A gestão do governador João Doria promete endurecer a postura contra o Sindicato dos Metroviários caso a entidade, na visão do Governo do Estado, continue mantendo uma posição política em paralisações, greves ou outros atos que não sejam ligados necessariamente a causas da categoria, como reajustes salarias ou de benefícios.

Na manhã desta quinta-feira, 27 de junho de 2019, o secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, em entrevista coletiva após a entrega de um trem novo da CPTM, disse que a gestão vai considerar privatizar as linhas 1,2 e 3 do Metrô caso continue o posicionamento que considera político do sindicato.

“O governo de São Paulo não avalia hoje privatizar as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha. Isso não está na pauta, mas se caso o sindicato continue com uma reivindicação absolutamente política, buscando a paralisação, é claro que o governo pode começar a pensar em privatizar as linhas que hoje são operadas de forma competente pelo Metrô” – afirmou o secretário.

Em entrevista por telefone ao Diário do Transporte, o coordenador do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Fajardo, disse que lamenta a declaração do secretário Baldy e explicou que a adesão às ultimas paralisações contra a reforma da previdência ocorreu não porque a entidade representa trabalhadores do setor público. Fajardo citou, no caso do segmento de transportes, a adesão de motoristas de ônibus em diversas cidades do País, cujas operações são da iniciativa privada.

“Nós lamentamos a declaração do secretário Alexandre Baldy. É uma postura que não respeita as liberdades democráticas garantidas pela Constituição. Não aderimos à paralisação porque somos empresa pública, mas porque queremos manter os direitos dos trabalhadores. A maior parte das paralisações de transportes em todo o País foi de trabalhadores da iniciativa privada, como dos ônibus. O Sindicato dos Metroviários mantem sua posição contra a privatização por entender que não serão os melhores serviços à população” – disse Fajardo ao citar os dois últimos dias em que houve interrupção de serviços por problemas técnicos na Linha 5-Lilás, que é concedida à iniciativa privada.

No último dia 14 de junho, o Sindicato dos Metroviários aderiu à paralisação contra a reforma da previdência. A CPTM trabalhou normalmente e os ônibus de São Paulo tiveram paralisação parcial até às 7h.

Na Grande São Paulo, os ônibus de Guarulhos e Arujá pararam, mas funcionaram normalmente os ônibus das regiões do ABC, Osasco, Guarulhos, Embu das Artes e Mogi das Cruzes.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

8 comentários em Gestão Doria diz que linhas de Metrô podem ser privatizadas se sindicato fizer mais “greves políticas”

  1. ALBERTO SANTOS MATTOS // 27 de junho de 2019 às 12:41 // Responder

    Boa tarde!
    Esperamos que aconteça o mais breve possível!
    Alberto Santos Mattos

  2. Se isso acontecer, a população agradeçe!!!

  3. Não vejo com bons olhos a entrega do fruto e sacrifício da população à iniciativa privada, à preços irrisórios!! Se esse empresariado, ávido por dinheiro fácil quiser, pode propor outras linhas de metrô, ao governo do estado, construindo, pagando e operando- as por 30 anos, como deveriam ter sido com as linhas amarela e lilás. E não o governo pagar, integralmente por elas e no final, repassá-las à iniciativa privada, só para que eles as explorem por 30 anos e devolvam o bagaço para que os próximos governos utilizem o rico dinheirinho, que daseria utilizado na saúde, educação e outras prioridades, para encher os bolsos dos amigos!! Alguém tem que fiscalizar isso, com muita ética e propriedade para acabar com esses esquemas danosos à sociedade paulista/paulistana!!

  4. andré magalhães // 27 de junho de 2019 às 21:08 // Responder

    Quem não tá satisfeito em trabalhar no metrô então saia, em vez de fazer greve…
    Muito melhor privatizar do que ser refém de sindicatos que pouco se importam com trabalhador, ao contrário, os usam para atingir seus objetivos, colocar no poder os criminosos que eles apoiam, criminosos que se valem de partidos políticos…

  5. vejam que bom exemplo é o metrô privatizado (com uma extensão razoável) na linha 5. Privatiza sim…vai dar certo sim. Já sei quem vai ganhar a licitação.

  6. Quem quer fazer não ameaça em tom de extorsão (…se fizer greve eu privatizo). Isso não vai dar em nada! A máfia dos metroviários vai continuar a sequestrar a paz dos paulistanos por qualquer “pauta” particular dos donos do sindicato (o último foi o Mula Livre disfarçada de protesto contra as reformas) e o governo tucano vai permanecer com esse jogo de morte e assopra para não se indispor com os partidos esquerdistas e dificultar as tais coligações políticas nas eleições. O Metrô precisa ser retomado das mãos de sindicalistas inescrupulosos.

  7. Duvido privatizar a linha 3, a que da mais lucro pro Metro, piada.

  8. Doria não faz nada e ainda quer dar de presente o Metro e CPTM para seus amigos empresários, a linha lilás estava parada a semana passada por problemas técnicos e se não fosse o Bom Dia SP, eles nem avisavam os usuários, gostam de privatização? Por isso que o pedagio da Via Anchieta e Imigrantes é um dos mais caros do mundo

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