Comissão de Finanças e Orçamento tem parecer contrário à criação de Bilhete Único válido por 30 dias, na capital paulista

Publicado em: 27 de junho de 2019

Projeto vai na contramão das medidas tomadas pela Prefeitura para combater fraudes, como a extinção do cartão anônimo. Foto: Adamo Bazani.

Proposta era de cartão para passageiros esporádicos, sem que houvesse necessidade de registro

JESSICA MARQUES

A Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de São Paulo tem parecer contrário à criação de um Bilhete Único válido por 30 dias, na capital paulista. A principal justificativa é que o projeto vai na contramão das medidas tomadas pela Prefeitura para combater fraudes, como a extinção do cartão anônimo.

A proposta, de autoria do vereador David Soares, visa criar um Bilhete Único, com validade de um mês para passageiros esporádicos, independente da necessidade de registro, para ser vendido nos mesmos locais onde são ofertados os bilhetes comuns.

Neste caso, o Bilhete Único de 30 dias poderia ser utilizado pelo passageiro para deslocamentos ilimitados durante o prazo de validade, com intervalo mínimo
de duas horas entre as viagens, com preço equivalente a 48 vezes o preço da passagem regular.

Na justificativa, o autor argumenta que, “diferente do Bilhete Único Mensal, destinado àqueles que utilizam cotidianamente o transporte público municipal e que, na maioria das vezes, são residentes no município, o bilhete único com validade de trinta dias destinar-se-ia aos usuários esporádicos (turistas, por exemplo) que pretendem se deslocar no município por breve período e sem a necessidade de fazer um cadastro para
usufruí-lo.”

Contudo, sobre os potenciais custos da implementação do projeto, o Executivo informou que “é de suma importância destacar que o modelo de cartão sem cadastro acabou se mostrando potencialmente suscetível à ocorrência de fraudes, como aquelas que têm sido nos últimos tempos matéria de divulgação pela mídia e objeto de investigações policiais. Tanto é assim que o cartão anônimo foi abolido em todas as modalidades temporais”.

“Além disso, causa estranheza o fato do Bilhete Único de 30 dias ser destinado ao passageiro esporádico, mas que tenha o custo de 48 passagens. Finalmente, convém ressaltar que atualmente existe o Bilhete único Mensal, com o custo de 48,6 passagens, que já possibilita para o usuário utilizar até 10 embarques diários por 31 dias seguidos. Assim, pelos motivos acima expostos, contrário é o parecer”, diz conclusão do parecer da comissão.

 

Confira o documento, na íntegra, publicado no Diário Oficial desta quinta-feira, 27 de junho de 2019:

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Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

  1. Anderson Araújo disse:

    Agora, se derem a possibilidade de reembolso de valores não utilizados e posterior cancelamento do cartão com cadastro, passo a concordar com as restrições da prefeitura.
    Tem lógica eu, sendo um turista visitando minha família em SP, ser obrigado a preencher um cadastro com foto, dados sócioeconônicos e ainda assim desembolsar R$50 para poder andar de ônibus por alguns dias? E os créditos restantes, ficam perdidos?
    Em parte, o sucesso de apps como Uber e 99 se dá por conta destas “brechas” no sistema…

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