Passos, em Minas, declara fim do contrato com atual concessionária do transporte

Publicado em: 15 de junho de 2019

Foto: Folha da Manhã/MG

Desde hoje, com encerramento do prazo da concessão, cidade está sem empresa de ônibus, mas prefeitura promete que situação será resolvida para que o serviço não sofra descontinuidade

ALEXANDRE PELEGI

Como noticiou o Diário do Transporte em 1º de junho de 2019, Passos, cidade do sul de Minas Gerais com cerca de 110 mil habitantes, estava correndo o risco de ficar sem transporte coletivo (relembre).

Isso porque a Viação Cisne, então concessionária do transporte na cidade, não estava aceitando prolongar o contrato, que venceria nesta sexta-feira, 14 de junho de 2019.

Como o dia fatídico chegou e o impasse se manteve, a prefeitura da cidade mineira divulgou um comunicado oficial informando o fim das tratativas com a empresa de ônibus. O texto afirma que “após inúmeras tentativas frustradas de acordo” com a Cisne Transporte, e diante das inaceitáveis condições impostas pela concessionária, a prefeitura decidiu por encerrar de vez o contrato de Concessão Pública, o que passou a valer desde hoje, sábado, 15 de junho de 2019.

Vale ressaltar, que desde o primeiro momento das negociações, sempre defendemos os interesses da população, para a melhoria da prestação de serviços aos usuários, como a diminuição do tempo de espera no ponto de ônibus, bem como a renovação da frota”, informa o comunicado.

A Prefeitura informa, por fim, que está tomando providências para que o serviço não sofra descontinuidade. “Neste final de semana poderá ocorrer alguns contratempos aos usuários. Solicitamos a compreensão da população”, finaliza a nota, em nome da Secretaria de Planejamento/Diretoria de transporte público.

A prefeitura teria já acertado um contrato em caráter emergencial com uma empresa da vizinha São Sebastião do Paraíso, e estima lançar a licitação para escolher a nova concessionária em até 6 meses.

A Cisne não quis renovar o contrato, assinado em 2004, em função da baixa rentabilidade. Segundo o gerente administrativo da Viação, Adilson Januária da Silva, mais da metade do que a empresa vinha transportando era gratuidade. Queixando-se da concorrência do mototáxi, outra realidade na cidade, o gerente afirmou que quem anda com a empresa “é quem não paga”.

DE GRATUIDADE A TUK-TUK

O descontentamento da Cisne vem já há bastante tempo. Em janeiro de 2018 a empresa encaminhou um ofício ao gabinete do prefeito Carlos Renato de Lima Reis, o Renatinho Ourives, à Câmara Municipal e ao Ministério Público em que reclamava dos prejuízos provocados pelas gratuidades.

No documento, a Cisne afirmava que passara a registrar desequilíbrios financeiros após a Lei Orgânica do Município conceder, há cerca de dez anos, gratuidade no transporte aos maiores de 60 anos e deficientes.

Na mesma ocasião, e para complicar ainda mais a situação da Cisne, um vereador protocolou um projeto de Lei para regulamentar o serviço de Tuk-Tuk, sistemas de triciclos motorizados mais comuns em países asiáticos, sobretudo na Índia. Com essa “novidade”, somada às gratuidades no sistema, surgidas após a assinatura do contrato de concessão, a empresa já alertava para a impossibilidade de continuar operando na cidade.

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Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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