Comissão de intervenção do BRT do Rio afirma que aumentou oferta de ônibus no sistema

Publicado em: 12 de junho de 2019

Foto: Alexandre Pereira – Ilustrativa – Clique para Ampliar

Média diária de veículos em operação nos três corredores do sistema subiu em maio. Segundo comunicado, essa é a primeira vez que isso ocorre desde dezembro do ano passado, antes da prefeitura decretar a intervenção no sistema 

ALEXANDRE PELEGI

Um relatório divulgado pela Comissão de intervenção do BRT do Rio nesta quarta-feira, 12 de junho de 2019, afirma que a média diária de veículos em operação nos três corredores do sistema subiu em maio. Segundo o comunicado, esta é a primeira vez que isso ocorre desde dezembro do ano passado, portanto antes da intervenção no sistema de ônibus rápidos.

A elevação foi de sete ônibus por dia, de 235 em abril para 242 em maio. A tendência de melhora se manteve nos primeiros dias de junho. Ontem,  terça-feira, 11 de junho, o BRT registrou o maior número de veículos em operação desde janeiro: 263 foram disponibilizados pelas empresas para circular nos três corredores”, garante o comunicado.

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Fonte: Comissão de Intervenção

A inversão da tendência de queda, segundo o informe, resultaria diretamente da redução de ônibus danificados, garante a Comissão de Intervenção. Segundo o relato, o número de veículos com quebras subia desde julho de 2018. Nessa época, 35 ônibus iam para a manutenção por dia, sendo 13,2% da frota em circulação.

Quando a equipe de Intervenção começou a trabalhar na operação do BRT, a média tinha dobrado: 65 ônibus quebrados por dia em fevereiro, 26,4% da frota circulante. Em março foram 66, mas em abril o número de quebrados começou a cair: 58 ônibus (24,7%). A tendência de queda confirmou-se em maio: 49 ônibus por dia em manutenção, representando 20,2% da frota”, conclui o comunicado.

O número de ônibus necessário para a operação diária é de 320 veículos, portanto bem acima do total que circulou em maio, de 242. Mesmo assim, o interventor no BRT, Luiz Alfredo Salomão, garante que os números mostram o início do resultado do trabalho de recuperação da racionalidade do sistema. “Vamos continuar atuando com gestão equilibrada e impessoal. Contamos com a compreensão das empresas sobre a importância de melhorar a qualidade do serviço à população”, disse o interventor.

Já o diretor de Operações do BRT, André Ormond, destaca o esforço concentrado para interromper a queda iniciada em agosto de 2017, quando 320 ônibus circulavam por dia. “É resultado da reorganização operacional e de esforço em colaboração com as empresas para acelerar o retorno de veículos em manutenção nas garagens para a operação”, disse o diretor.

Outro resultado operacional citado no comunicado refere-se aos ajustes na distribuição de ônibus para a Transoeste e os demais corredores – Transcarioca e Transolímpica -, equilibrando a relação oferta de ônibus/demanda de passageiros nos horários de pico.

A disponibilidade de ônibus para Transoeste reduziu a incidência de vandalismo, o que ajuda a explicar a interrupção da tendência de queda na oferta de veículos”, conclui o comunicado.

VEREADOR CRITICA NÃO OBSERVÂNCIA DE LEI CONTRA VANDALISMO

Por falar em vandalismo no BRT, para o vereador Felipe Michel as coisas não vão bem.

Autor da lei 6.380/2018, que pune com multa de R$ 5 mil quem vandalizar as estações ou veículos do sistema, ele não ficou nada satisfeito com a posição do interventor, para quem é inviável cumprir o dispositivo legal.

Como noticiado hoje pelo jornal Extra, Felipe decidiu realizar sua própria vistoria nos corredores Transcarioca e Transoeste do sistema BRT na manhã desta quarta-feira.

Apesar de ter se deparado com muitos guardas municipais, desde as 5h30, em algumas estações do corredor Transoeste, Felipe disse ao jornal que esse trabalho precisa ser feito todos os dias, em todas as estações, “para coibir não só o calote, mas também a depredação das plataformas”.

Mesmo assim, o vereador afirmou que ao longo dos corredores do BRT encontrou estações desativadas e deterioradas, citando o caso da estação Gastão Rangel, onde não tinha a presença da guarda municipal e “o calote estava rolando solto”.

O interventor Luiz Alfredo Salomão esteve na última sexta-feira, 7, em um debate promovido pela TV Câmara do Rio de Janeiro. Foi quando disse o motivo pelo qual considera inviável o cumprimento da lei: “A Guarda tem um regime de trabalho que é incompatível com o funcionamento do BRT. Você não vê guardas às 6h da manhã nem depois das 6h da noite. É impossível encontrá-los. E além disso, o BRT começa a operar às 5h da manhã, este é o pico em Santa Cruz, Pingo D´Água, Mato Alto. Então se não tiver guarda lá essa hora, não adianta chegar lá 9h, 10h da manhã pra reprimir o calote e o camelô, é inviável”.

CONSÓRCIO REBATE

Em relação à nota enviada hoje à imprensa pela comissão de intervenção do BRT, acompanhada por um gráfico, o Consórcio Operacional BRT informa que:
1) A frota operante diária média à disposição da população foi, de janeiro a maio de 2019 (sob administração da intervenção), inferior à média de todos os 12 meses de 2018 (sob administração do Consórcio Operacional BRT);

2) Em relação à média de quebras divulgada pela própria comissão de intervenção, o mês de maio de 2019 (49 quebras) apresentou mais quebras em comparação aos meses de maio de 2018 (45) e maio de 2017 (39). 
Esse recorte sobre o mês de maio é importante por destacar que a queda da temperatura ambiente, com a proximidade do inverno, historicamente tem impacto positivo em relação a quebras e falhas de veículos. 
Por isso, informar que a redução do número de quebras em maio em relação aos quatro meses anteriores de 2019 é “resultado de reorganização operacional” reflete a falta de capacidade e de conhecimento da operação por parte da equipe de intervenção da Prefeitura;

3) O percentual de quebras no total da frota operante (20,2% em maio de 2019, segundo o gráfico divulgado pela própria intervenção) também é superior ao percentual referente aos meses de maio de 2018 (18,0%) e maio de 2017 (12,4%).
Uma análise mesmo que superficial sobre os dados contidos no gráfico que acompanha a nota enviada à imprensa revela que o interventor segue sem ter o que apresentar de melhorias e evolução no sistema BRT. Isso, mais de cinco meses depois de assumir a administração e operação desse importante modal, que transporta 500 mil passageiros/dia mas segue sendo deteriorado por uma sequência de ações e omissões patrocinadas pela Prefeitura do Rio.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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