Setor de transportes vai aderir à greve geral de sexta, 14, dizem sindicatos

Dirigentes de várias entidades se reuniram no Sindimotoristas de São Paulo. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte)

Entidades se reuniram no sindicato dos motoristas da capital paulista. Devem parar metroviários, ferroviários, ônibus de São Paulo, Guarulhos, Arujá e outras cidades da região metropolitana

ADAMO BAZANI / JESSICA MARQUES

Na próxima sexta-feira, dia 14 de junho de 2019, a maior parte dos serviços de transportes coletivos na Grande São Paulo pode parar.

A promessa é de sindicatos que reúnem metroviários, motoristas de ônibus, ferroviários e outros trabalhadores de transportes.

Reunidas no Sindimotoristas (Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo), da capital paulista, as representações sindicais decidiram aderir à chamada “greve geral” contra a Reforma da Previdência e outras medidas do governo Jair Bolsonaro.

O Diário do Transporte acompanhou na manhã desta segunda, o encontro.

O presidente do sindicato dos rodoviários intermunicipais, interestaduais e internacionais, José Alves Couto, disse que não somente os ônibus urbanos devem parar. Também não haverá frota mínima, segundo ele.

“Nós vamos parar, estamos organizando com todo o setor do transporte, aéreo, terrestre e marítimo do Brasil inteiro. Vamos nos organizar melhor do que nos organizamos em 2017. Não tem percentual de frota mínima porque a greve é geral. Se o transporte vai parar é porque os outros setores também vão, então não é necessário ônibus na rua nem frota mínima”, disse Couto.

O presidente estadual da Nova Central e dirigente do Sindimotoristas, Luiz Gonçalves, afirmou que nenhum ônibus na cidade de São Paulo deve sair da garagem e garantiu que não haverá carreatas ou ônibus parados em vias públicas.

“Bases territoriais como Osasco, Guarulhos, Sorocaba, mais os dirigentes dessas cidades da Grande São Paulo, já em contato conosco com participação na Frente Parlamentar em Brasília, já se comprometeram com efetiva participação no movimento na sexta-feira, agora cada um vai se organizar de uma forma. Com certeza os ônibus não sairão das garagens”, afirmou.

O presidente do Sindmotoristas, Valmir Santana da Paz, afirmou que todos vão participar da greve geral, tanto as empresas novas quanto as mais antigas.

“A paralisação será o dia todo. É o que foi definido pela Frente Parlamentar e discutido aqui hoje nessa plenária do movimento sindical. Foi dessa forma que foi encaminhado e é dessa forma que temos que cumprir”, afirmou.

O diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Fajardo, disse que a categoria deve parar na sexta-feira, 14. O sindicato articula também paralisação dos serviços das linhas 4-Amarela e 5-Lilás, que são de operações privadas, porque segundo ele, a Justiça reconheceu na semana passada a representatividade do sindicato sobre estes trabalhadores.

“A decisão da greve já está tomada, estamos fazendo as reuniões setoriais e não existe nenhum clima na categoria de não querer realizar a greve, pelo contrário”, afirmou Fajardo. “Na semana passada, o TST confirmou nossa representação das linhas 4 e 5 e nós estamos discutindo com os trabalhadores a greve, que portanto é de todos os metroviários”, concluiu.

O presidente do Sincoverg, Orlando Maurício Júnior, que representa os motoristas de ônibus de Guarulhos e Arujá, disse também que nenhum ônibus deve sair das garagens nesta sexta-feira, 14, na região.

“Os ônibus vão atender o chamado das centrais e os 12 mil trabalhadores estão bem organizados para que cruzem os braços. Nossa categoria, quando cruza os braços, é de uma vez só, então a gente não tem expectativa de ônibus rodando, será 100% parado”, afirmou o presidente.

Outras cidades da Grande São Paulo devem ter paralisação. Para os sindicalistas, a atual proposta de Reforma da Previdência, capitaneada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, pode tirar direitos de trabalhadores e dificultar o acesso a aposentadoria.

No encontro entre as entidades, também foi anunciada paralisação nos transportes da Baixada Santista, Mogi das Cruzes e Região.

O sindicato que representa os motoristas e cobradores de ônibus do ABC vai realizar reuniões nesta semana com centrais sindicais para decidir se os coletivos param ou não na região.

A Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários) disse que nas principais capitais do país haverá paralisação nos serviços de metrô.

Os sindicatos dos ferroviários, por sua vez, confirmaram a adesão à paralisação nas linhas 11, 12, 13, 8 e 9 da CPTM.

O Sindicato dos Trabalhadores de Empresas Ferroviárias de São Paulo, que representa as linhas 7-Rubi e 10-Turquesa, confirmou adesão à greve geral após assembleia realizada na sexta-feira, 07.

O relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira, afirmou à imprensa no último domingo, 09 de junho de 2019, que deve apresentar o relatório sobre a proposta à comissão que analisa o tema nesta quinta-feira, 13.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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