Em torno de 40% dos ônibus destruídos em ataques no Rio tinham ar-condicionado, diz Fetranspor

Publicado em: 1 de junho de 2019

Um dos ônibus atacados em Niterói na noite desta sexta-feira, 31 de maio. Foto: Divulgação Redes Sociais – Clique para Ampliar

De acordo com entidade, desde 2016, 190 coletivos foram incendiados. Prejuízos somam R$ 82 milhões

ADAMO BAZANI

O número de ônibus destruídos em incêndios criminosos em ataques no Estado do Rio de Janeiro já chega a 190 desde 2016.

Deste total, em torno de 40% possuíam ar-condicionado.

O levantamento foi divulgado na noite desta sexta-feira, 31 de maio de 2019, pela Fetranspor – Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro e já contabiliza os ataques a cinco ônibus no bairro de Charitas, em Niterói, na região metropolitana, na noite de sexta.

Segundo a entidade que representa as viações, “três coletivos foram totalmente incendiados, dois da linha 62 (Charitas-Fonseca) e um da linha 17 (São Francisco-Centro). Um veículo novo que opera no sistema BHLS sofreu uma tentativa de incêndio, enquanto outro de linha intermunicipal foi depredado. Os ataques aconteceram na Avenida Prefeito Silvio Picanço, próximo ao novo terminal de ônibus do corredor Transoceânica.

De acordo com moradores à imprensa local, uma operação policial deixou dois mortos no Morro do Preventório, em Niterói. Os ataques aos ônibus teriam sido represálias ordenadas por criminosos.

A Polícia Militar diz que homens do 12º Batalhão foram recebidos a tiros durante uma operação contra tráfico de drogas no local.

Ainda de acordo com a PM, foram apreendidos armas, rádio transmissor e drogas com os suspeitos baleados e mortos.

A página no Twitter “São Gonçalo VaiMudar” mostra o desespero dos passageiros em um dos ônibus atacados pelos criminosos.

Ainda segundo a Fetranspor, dos 190 ônibus destruídos desde 2016, apenas sete puderam ser recuperados.

O prejuízo acumulado é de R$ 82 milhões, dinheiro que, de acordo com a entidade, poderia ser usado “na melhoria do transporte com a renovação da frota.”

Em média, o valor de um ônibus zero quilômetro pode variar entre R$ 320 mil e R$ 1,2 milhão, dependendo do porte e da configuração.

Ainda segundo a Fetranspor, durante o tempo de reposição do coletivo, para cada ônibus incendiado, em torno de 70 mil passageiros deixam de ser transportados.

A federação das empresas de ônibus explica ainda na nota que não há seguro para este tipo de ocorrência.

“A população é a maior prejudicada com a redução da oferta de transportes. Um ônibus incendiado deixa de transportar cerca de 70 mil passageiros em seis meses, tempo necessário para a reposição de um veículo no sistema. Se somarmos a frota incendiada desde 2016 (190), potencialmente, deixaram de ser transportados mais de 10 milhões de passageiros nesses veículos.

 É importante lembrar que a inexistência de seguro para este tipo de sinistro e a crise econômica do setor, que tem feito as empresas perderem gradativamente a capacidade de investimento em renovação da frota, tornam inviável a reposição de ônibus incendiados.” 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Alfredo disse:

    Tá na hora do governo federal tornar crime hediondo queimar ônibus, os responsáveis deveriam ir para presídios federais com pena de 30 anos e se menores, 15 anos, além de pagarem o resto da vida o prejuízo

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