Odebrecht finaliza venda da Supervia para consórcio japonês

Operação foi concluída nesta quarta-feira. OTP fechou a venda também da Rota das Bandeiras, concessionária responsável pelo corredor Dom Pedro, na região de Campinas

ALEXANDRE PELEGI

A Odebrecht finalizou a operação de venda da Supervia, concessionária de transporte ferroviário do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, 28 de maio de 2019. A Rota das Bandeiras, concessionária do corredor Dom Pedro, no interior de São Paulo, também foi negociada pela empresa, após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com as duas vendas, a Odebrecht, que sofreu enormes perdas com os escândalos investigados pela operação Lava Jato, poderá aliviar sua situação com os R$ 2,45 bilhões que receberá de pagamento. A empresa sofreu intensa pressão para vender ativos para reduzir suas dívidas.

No negócio da Supervia, a GUMI passou a deter quase 90% do controle da concessionária (88,7% das ações), restando 11,33% à Odebrecht Transport (OTP), braço de transportes e mobilidade urbana do grupo. A GUMI – Guarana Urban Mobility Incorporated, subsidiária controlada pela trading japonesa Mitsui, assinou em fevereiro deste ano o contrato de compra e venda com a OTP para transferência de controle na SuperVia. Relembre: Odebrecht deixa controle acionário da SuperVia

Já a concessionária Rota das Bandeiras passará a ser controlada pela gestora Farallon e pela companhia de investimentos Mubadala, de Abu Dhabi, que integrarão o Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. A Odebrecht Transport (OTP), vai ficar com 15% do negócio, e os 85% restantes passarão para o controle do Fundo de Multiestratégia.

SUPERVIA

Com venda consumada, o consórcio japonês liderado pela Mitsui assume a quase a totalidade das ações da Supervia, tomando o lugar da OTP, até então a maior acionista da empresa.

As negociações, que vinham se desenrolando há alguns meses, estavam sendo vistas com otimismo pelo setor ferroviário, que aposta na abertura de novos investimentos. O consórcio, além da Mitsui, engloba participantes como a JRW (West Japan Railway), maior operadora de trens do Japão.

O negócio para vender a concessionária foi liderado por credores brasileiros da Odebrecht. O grupo sofreu enormes perdas com os escândalos investigados pela operação Lava Jato, o que a levou a sofrer intensa pressão para vender ativos para reduzir suas dívidas.

A Supervia, com 201 trens, opera 270 quilômetros de malha ferroviária dividida em cinco ramais, três extensões e 104 estações. Atua desde 1998 e transporta cerca de 600 mil passageiros em dias úteis.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Haveremos concorrentes de peso? Japneses sempre fazem o melhor….alô CPTM , te cuide !

  2. thiago disse:

    que bom tomara,que essa empresa melhore e moderniza a linha ferroviária com estações modernas e com as reformas e modernização dos trens com Boa manutenção!!!
    o povo sofrido do Rio de Janeiro merece,
    transporte público de qualidade!!!
    obrigado e sejam bem vindos!

  3. Dani rjjb disse:

    Conseguiram passar esse elefante branco. Imagino as artimanhas em PowerPoint para conseguir convencer o sempre atento japonês. Tem que tirar o chapéu pra Odebrecht mesmo. Com um corpo profissional fraquíssimo dispensando grandes profissionais renomados que não são gerados aqui fora e sim apenas na ferrovia a mesma vive de trens novos a maioria do estado e com a manutenção feita de forma lenta e paliativa sem grandes obras de estrutura definitiva e segura. Porque? Falta experiência no ramo ferroviário e investimentos sério e correto nas demandas de uma ferrovia.

  4. Otávio disse:

    “Jogo feito, banca forte…”. Resta-nos ver “que bicho vai dar”. Os Clientes esperam por melhorias na sinalização, causadora dos costumazes atrasos e até acidente com vítima, regularização dos horários de partida, manutenção nas composições (nem sempre o ar condicionado funciona, portas emperradas, etc), manutenção na iluminação da estações, sem falar nos riscos periféricos das construções irregulares e transeuntes da linha férrea. Como pode perceber, não é pouco. Têm que acabar com o serviço “mais ou menos)…

  5. Gilson disse:

    A muito tempo que se espera por um investidor de peso para os trens do RJ, agora as perguntas que ficam são: Irão realmente investir ou vão ficar fazendo apenas intervenções pontuais e inevitáveis? Vão finalmente fazer funcionar a sinalização e acabar com tantos atrasos? Vão modernizar a cobrança e diminuir a evasão de renda? Vão colocar GPS nos trens e o aplicativo vai informar, ramal por ramal, corretamente e em tempo real onde está a composição? Vão terminar a duplicação do ramal de Saracuruna e acabar com baldeação de Gramacho? Vão modernizar e colocar VLTs nas linhas de Vila Inhomirim e Guapimirim? Vão retornar as viagens do “Barrinha”? entre outras tantas coisas…

  6. Rodrigo Zika! disse:

    Vamos ter que descobrir se a empresa ira atuar como abrasileirada, ou com uma gestão japonesa.

  7. PEDRO PAULO VILARDO disse:

    Q ninguém se iluda, o importante é a receita e o lucro. Qualquer coisa diferente, jogam prá rolo de novo.
    O carioca ñ é japonês, se acha mais “ixperto”.

  8. Mario alves disse:

    Nassas ferrovias tem sim que melhorar muito ,principalmente no reconhecimento de quem esta incansavelmente lutando todos os dias pra que os trabalhadpres cheguem nas suas casas no seu devido orario!

  9. hanmelo disse:

    Resta saber se os japoneses,antes de “entrar no jogo”,combinaram com a família Barata & cia.(Os Patrícios,claro)!!.Fora os milicianos,Rodrigo Maia,Gilmar Mendes e os clãs de Garotinho,Cabral,Pezão e por que não,os Marinhos…Se,e se,tão somente eles tiverem a audácia,destreza e know-how para lidar com essa dimensão que é o Estado do Rio…Veremos cenas dos próximos capítulos!!!

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