Linha 18 vai precisar de R$ 3 bilhões para início e não houve preocupação orçamentária, diz Baldy

Secretário Alexandre Baldy e governador João Doria em coletiva após anúncio de início das obras da última estação do monotrilho da linha 15-Prata. Foto: Governo do Estado de SP

Custo total deve superar R$ 5,74 bilhões para 15,7 km. Secretário e governador prometerem decisão técnica, mas alto do custo de monotrilho é considerado problema

ADAMO BAZANI

A possibilidade de manutenção do monotrilho para a linha 18 – Bronze, entre parte do ABC Paulista e a estação Tamanduateí, na zona Sudeste da Capital, esbarra no alto custo de implantação do meio de transporte de média capacidade que consiste em trens com pneus que trafegam em elevados.

Na manhã desta segunda, 27 de maio de 2019, durante a apresentação do início das obras da estação Colonial da linha 15-Prata de monotrilho da zona Leste, o secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, disse que os estudos sobre eventual troca de meio de transporte ainda estão em andamento, mas que o grande problema é que não foi deixada previsão orçamentária dos recursos do Estado. Segundo Baldy, serão necessários R$ 3 bilhões dos cofres públicos para a linha 18-Bronze do ABC, se for mantida a opção de monotrilho.

“São vários os problemas: recursos, orçamentos, capacidade. Todos estes [vão ser considerados] para embasar uma decisão que vai ser estritamente técnica. Todos que quiserem discutir são bem-vindos, inclusive com a possibilidade de sugerirem alternativas orçamentárias, porque são R$ 3 bilhões para iniciar uma obra como esta e não houve a preocupação orçamentária” – disse Baldy

Destes R$ 3 bilhões que seriam do Estado, R$ 600 milhões correspondem apenas às desapropriações para as estações e as pilastras dos elevados.

O modelo previsto inicialmente foi uma PPP – Parceria Público Privada, com contrato firmado com o Consórcio Vem ABC.  O contrato passou por cinco aditivos desde a assinatura em 2014 por causa dos atrasos.

O Consórcio diz que já investiu R$ 5 milhões em ações prévias à execução das obras e não descarta cobrar na Justiça caso haja mudança de modal.

A linha 18-Bronze foi planejada para estar pronta em 2014, passando por São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul até a estação Tamanduateí, mas até agora as obras não começaram.

O custo inicial era de R$ 4,69 bilhões (R$ 4.699.274.000,00), mas agora, de acordo com o Governo do Estado, pela Lei de Acesso à Informação, vai custar R$ 5,74 bilhões (R$ 5.741.542.942,61), elevação de 22,18%, para os 15,7 km. O preço de implantação por quilômetro será de R$ 365,7 milhões (R$ 365.703.372,14) – sem as correções entre janeiro e maio.

Na entrevista coletiva no evento, o governador João Doria disse que a decisão sobre o modal da linha 18 será anunciada em breve.

“O critério será absolutamente técnico. Não há nenhum viés político e nem pode haver. Situação de obras públicas, com recurso público, com recurso privado ou de ambos, tem que ser o critério técnico. A decisão será anunciada em breve e ela será tecnicamente amparada” – disse Doria

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Daniel Duarte disse:

    Eu seria um voluntário na construção desse tipo de obra, por mim deveria juntar exército, presidiários e o povão que quizer ajudar, fazer o que for possível pra baixar o custo desse tipo de obra.
    300 milhões por km é muita grana.
    E se os carros voadores realmente virarem realidade ? O que será desses elefantes brancos depois ?

  2. Leoni disse:

    Creio que este consórcio do ABC deveria estar mais preocupado em reivindicar a volta da Linha-10 Turquesa para a Estação da Luz do que com este Monotrilho Linha 18-Bronze!!!, com a criação da Estação da Estação Bom Retiro que economicamente é mais fácil de se realizar, e beneficiaria um nº maior de usuários inclusive de outras linhas.

    A região em que irá trafegar o monotrilho ou quaisquer outros na Linha 18-Bronze é paralela quase que totalmente ao Córrego dos Meninos, portanto sujeita a inundações constantes como em Março de 2019, portanto é fundamental que o sistema seja elevado, ou se corre o risco de se construir um sistema obsoleto já na sua criação.

    Isto é “O critério será absolutamente técnico. Se não houver nenhum viés político. Situação de obras públicas, com recurso público, com recurso privado ou de ambos, tem que ser o critério técnico”.

    Um exemplo prático disto é o que ocorre no atual corredor ABD dos trólebus do BRT que é interrompido frequentemente nas enchentes, recentemente o prefeito de São Bernardo indicou que a construção de piscinão do Paço com finalização em para Agosto deste ano de 2019 resolveria o assunto, porém apesar de praticamente pronto (só falta o acabamento) não funcionou!!!

  3. Felipe Luchiari Velber disse:

    É o lixo de BRT quanto vai custar? e esses novos “estudos” quanto custaram?

    Me engana que eu gosto secretário, se ficar tão caro assim que realizem a obra por etapas, mas nada de colocar a porcaria de BRT que futuramente gerará altos custos de manutenção.

  4. Luis Nunez disse:

    Começa como BRT e termina como o corredor Diadema – Brooklin (Cupece).

  5. Maurício H Collaneri disse:

    Custo total 5.740.000.000 para 15,7 km o que daria mais de 365.000 por metro? Como é difícil a gente entender. Parece tão estratosférico mas antes de qualquer julgamento precisaria ver quanto custa em outro país o mesmo tipo de construção e via de regra auditar muito e porque não optar por algo mais barato.

  6. Reginaldo disse:

    Se este problema está acontecendo na Linha 18 certamente também ocorrerá em outros projetos de Metrô ,Trem e Monotrilho vão dar declarações de demanda incompatível , alto custo de implantação e por aí vai , realmente é vergonhoso nossos gestores querem optarem pelo mais barato , mais o barato custa caro no final ou alguém inocente em nosso mundo ainda não entendeu

  7. Rogerio Belda disse:

    Quem sou eu para deixar uma resposta em um país tropical de torcidas tais como as de futebol ? O que é MONOTRILHO? Resposta: Um elevador horizontal de media capacidade de transporte no qual todos andam sentados, sendo portanto adequado em condições bem específicas. E,se sou favorável a completar aquela “estruvenca” já iniciada? Sim! Eu sou, se urbanisticamente comprovado ser adequada às condições físicas e urbanísticas daquela região. Infelizmente, ao longo de sua tumultuada concepção e truncada implantação, isto sequer foi discutido. E, por derradeiro, não pode ser avaliado sem um plano urbanístico a ele associado. Rogerio Belda P.S.- É portanto é um assunto municipal estadual e federal !..

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