Intenção é gerar economia circular e reduzir lixo eletrônico gerado a partir da nova onda de mobilidade elétrica no Brasil
JESSICA MARQUES
Um grupo de empreendedores lançou uma tecnologia que promete gerar economia circular e reduzir o lixo eletrônico gerado a partir da nova onda de mobilidade elétrica no Brasil.
A Voltta Energia criou baterias metarecicladas para equipar bicicletas e patinetes elétricos. A apresentação foi feita após a carreata do Dia da Mobilidade Elétrica, neste sábado, 25 de maio de 2019.
Um dos fundadores da empresa, Daniel Kuhn Neto, explicou que as baterias podem ser utilizadas para diversas aplicações, com durabilidade de aproximadamente cinco anos cada, dependendo do uso que é feito.
Desta forma, após equiparem bicicletas, as fontes de energia podem ser utilizadas em outros equipamentos, sendo eles voltados para o transporte ou não.
“Nós temos um processo de captação de todas as células de bateria de diversos equipamentos, para várias aplicações, como notebooks, ferramentas elétricas e parafusadeiras, por exemplo. Elas passam por esse processo nosso exclusivo nosso no Brasil de metareciclagem e a gente acaba voltando essas baterias para a cadeia, gerando uma economia circular, poluindo menos o planeta e gerando menos resíduos”, explicou.
Patinetes podem ser equipados com baterias metarecicladas. Foto: Jessica Marques.
A ideia surgiu em 2014 e, desde então, os fundadores da empresa, Daniel Kuhn Neto, Rogério Marcolino e Adriano Abrileri estão pesquisando o mercado. Agora, o projeto foi encubado no Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) de São Paulo e está disponível para empresas e pessoas físicas.
“A gente tem um modelo já estabelecido para B2B [Business to Business, empresa para empresa], então um cliente que precisa da bateria para um patinete elétrico ou bicicleta consegue customizar esse tipo de produto para ele, assim como um consumidor que está com algum problema em algum equipamento que exige uma célula unitária, a gente também consegue atender”, contou Neto.
O foco dos empreendedores agora está em empresas que prestam serviços de mobilidade com meios de transporte elétricos, como bicicletas e patinetes. A atuação inicialmente está sendo na capital paulista.
“Geralmente, as empresas têm o primeiro ciclo de desgaste e então gera o lixo eletrônico. Nós temos dados de que no planeta serão geradas 11 milhões de toneladas de baterias de lítio-íon até 2026. A gente quer contribuir para que esse número diminua e que a gente consiga cada vez mais gerar a economia circular, com essas baterias voltando para aplicações menos nobres e aproveitando energia”, afirmou Daniel Kuhn Neto.
A Voltta Energia está trabalhando para mapear todas as companhias que tenham o problema de gerar lixo eletrônico e resíduos sólidos com baterias. A intenção é sugerir uma nova utilização para o produto metareciclado como fonte de energia, em vez de apenas descartar a bateria após o uso.
Jessica Marques para o Diário do Transporte
