Fetranspor diz que Luiz Alfredo Salomão não mostrou resultados positivos em três meses de gestão
ADAMO BAZANI / JESSICA MARQUES
O interventor do BRT do Rio de Janeiro, Luiz Alfredo Salomão, afirmou à imprensa local que novas empresas não entram no sistema por conta da existência de um “cartel”. Os empresários reagiram à declaração.
Em entrevista ao “Bom Dia Rio” desta segunda-feira, 13 de maio de 2019, o interventor afirmou que está buscando empresas de ônibus interessadas em colocar ônibus convencionais nos corredores de BRT.
Entretanto, segundo Salomão, os empresários “temem entrar em um território controlado por um grupo de empresas do Rio”. De acordo com o interventor, em entrevista à TV Globo, “existe um cartel. Em cada estado tem um cartel de empresas de ônibus. Eles relutam. Eles têm temor. Todo mundo sabe disso. É um cartel, é uma organização de empresas que não estimula que outras venho a concorrer”, disse Salomão, durante a entrevista, segundo o portal O Globo.
Em resposta à declaração de Salomão, a Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) informou que o interventor não mostrou resultados positivos em três meses de gestão.
Confira a nota, na íntegra:
“A Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) repudia as declarações proferidas hoje pelo interventor do sistema BRT, Luiz Alfredo Salomão, que de maneira desrespeitosa e leviana atacou, de modo generalizado, empresários que atuam na operação do sistema de ônibus em todo o país, expondo o seu despreparo para atuar como agente público – o que demanda qualidades como equilíbrio e responsabilidade.
É importante destacar que todas as empresas de ônibus que operam no Município do Rio o fazem em obediência a um contrato assinado entre a Prefeitura do Rio e os quatro consórcios vencedores da licitação realizada em 2010, que desde então seguem prestando os serviços à população. Por isso, falar em “corpo mole” de empresários ou em cartel é má fé ou, na melhor das hipóteses, desconhecimento total de como se dá a operação de um setor que transporta diariamente milhões de passageiros na cidade do Rio.
Ao acusar os empresários de ônibus de forma inconsequente, o interventor desqualifica a sua própria atuação, que, por sinal, ainda não foi capaz de mostrar resultados positivos três meses após ter assumido o comando do sistema BRT – que sofre com consequências provenientes de omissões e ações equivocadas por parte da própria Prefeitura.
Para prestar um serviço de qualidade aos usuários, o sistema de transporte público por ônibus necessita de infraestrutura urbana adequada, segurança pública, segurança jurídica, entre outros atributos que não são obtidos por meio de ataques gratuitos de representantes do poder público, que deveriam atuar com mais ações e menos bravatas.
E não devemos esquecer o cenário de profunda crise econômica que atinge o Estado do Rio, pressionando todas as atividades empresariais e provocando um nível de desemprego assustador, que levou ao fechamento de 14 empresas de ônibus só no município do Rio de Janeiro.”
SALOMÃO RESPONDE
Ao Diário do Transporte, Salomão respondeu aos apontamentos feitos pela Fetranspor, por meio da nota.
“Na semana passada, o presidente do Conselho da Fetranspor e presidente afastado do BRT, Jorge Dias, fez um apelo às empresas de ônibus do Rio de Janeiro para que não aumentem a oferta de ônibus para o corredor Transoeste. Não é atitude de empresários prestadores de serviços públicos. Sonegar a oferta de veículos e ampliar o sacrifício de passageiros é atitude de que tipo de empresários?“, disse Salomão, em nota enviada ao Diário do Transporte.
Neste ano, as empresas de ônibus do Rio de Janeiro e o interventor do BRT também trocaram outras farpas por meio da imprensa.
Relembre:
Jessica Marques para o Diário do Transporte
