Interventor do BRT diz que novas empresas não entram no Rio por causa de ‘cartel’ e empresários reagem

Publicado em: 13 de maio de 2019

Esta não foi a primeira vez que o interventor do BRT e a Fetranspor trocaram farpas. Foto: Divulgação.

Fetranspor diz que Luiz Alfredo Salomão não mostrou resultados positivos em três meses de gestão

ADAMO BAZANI / JESSICA MARQUES

O interventor do BRT do Rio de Janeiro, Luiz Alfredo Salomão, afirmou à imprensa local que novas empresas não entram no sistema por conta da existência de um “cartel”. Os empresários reagiram à declaração.

Em entrevista ao “Bom Dia Rio” desta segunda-feira, 13 de maio de 2019, o interventor afirmou que está buscando empresas de ônibus interessadas em colocar ônibus convencionais nos corredores de BRT.

Entretanto, segundo Salomão, os empresários “temem entrar em um território controlado por um grupo de empresas do Rio”. De acordo com o interventor, em entrevista à TV Globo, “existe um cartel. Em cada estado tem um cartel de empresas de ônibus. Eles relutam. Eles têm temor. Todo mundo sabe disso. É um cartel, é uma organização de empresas que não estimula que outras venho a concorrer”, disse Salomão, durante a entrevista, segundo o portal O Globo.

Em resposta à declaração de Salomão, a Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) informou que o interventor não mostrou resultados positivos em três meses de gestão.

Confira a nota, na íntegra:

“A Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) repudia as declarações proferidas hoje pelo interventor do sistema BRT, Luiz Alfredo Salomão, que de maneira desrespeitosa e leviana atacou, de modo generalizado, empresários que atuam na operação do sistema de ônibus em todo o país, expondo o seu despreparo para atuar como agente público – o que demanda qualidades como equilíbrio e responsabilidade. 

É importante destacar que todas as empresas de ônibus que operam no Município do Rio o fazem em obediência a um contrato assinado entre a Prefeitura do Rio e os quatro consórcios vencedores da licitação realizada em 2010, que desde então seguem prestando os serviços à população. Por isso, falar em “corpo mole” de empresários ou em cartel é má fé ou, na melhor das hipóteses, desconhecimento total de como se dá a operação de um setor que transporta diariamente milhões de passageiros na cidade do Rio.
 
Ao acusar os empresários de ônibus de forma inconsequente, o interventor desqualifica a sua própria atuação, que, por sinal, ainda não foi capaz de mostrar resultados positivos três meses após ter assumido o comando do sistema BRT – que sofre com consequências provenientes de omissões e ações equivocadas por parte da própria Prefeitura. 
 
Para prestar um serviço de qualidade aos usuários, o sistema de transporte público por ônibus necessita de infraestrutura urbana adequada, segurança pública, segurança jurídica, entre outros atributos que não são obtidos por meio de ataques gratuitos de representantes do poder público, que deveriam atuar com mais ações e menos bravatas.
 
E não devemos esquecer o cenário de profunda crise econômica  que atinge o Estado do Rio, pressionando todas as atividades empresariais e provocando um nível de desemprego assustador, que levou ao fechamento de 14 empresas de ônibus só no município do Rio de Janeiro.”

SALOMÃO RESPONDE

Ao Diário do Transporte, Salomão respondeu aos apontamentos feitos pela Fetranspor, por meio da nota.

“Na semana passada, o presidente do Conselho da Fetranspor e presidente afastado do BRT, Jorge Dias, fez um apelo às empresas de ônibus do Rio de Janeiro para que não aumentem a oferta de ônibus para o corredor Transoeste. Não é atitude de empresários prestadores de serviços públicos. Sonegar a oferta de veículos e ampliar o sacrifício de passageiros é atitude de que tipo de empresários?“, disse Salomão, em nota enviada ao Diário do Transporte.

Neste ano, as empresas de ônibus do Rio de Janeiro e o interventor do BRT também trocaram outras farpas por meio da imprensa.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/03/18/empresas-de-onibus-do-rio-e-interventor-do-brt-trocam-novas-acusacoes-e-viacoes-falam-em-eventual-paralisacao-do-sistema/

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Comentários

  1. JOÃO LUIS GARCIA disse:

    Realmente em se tratando de um representante do poder concedente, fazer as afirmações que o mesmo fez, demonstra o total despreparo que o Governo da Cidade do Rio de Janeiro está conduzindo o assunto transporte, infelizmente as ações adotadas pelos legisladores são infundadas, afinal trata-se de uma ” Licitação ” que foi aberta a todos os participantes há época.
    Infelizmente como em sua grande maioria os políticos há frente do governo municipal da cidade maravilhosa bem antes da realização da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016 não se planejaram, estavam apenas preocupados em sediar as duas competições e simplesmente criaram o BRT sem um estudo aprofundado quanto a sua operação e viabilização, sim pois após os dois eventos o cenário das regiões mais aliados a crise que o País entrou nos anos seguintes com industrias fechando, desemprego aumentando, queda no número de passageiros pagantes aliados ao crescimento do transporte clandestino ( esse sim um dever do poder concedente, juntamente com as polícias e o judiciário, combater e extinguir o transporte irregular ) mas é muito fácil agora que já fecharam 14 empresas somente na cidade do RJ, querer justificar para a população que a razão do problema são os próprios empresários e os concessionários.
    Infelizmente sabemos que não é fácil para muitos empresários que construíram as suas vidas ao longo de décadas ligados ao setor de transporte simplesmente deixarem o setor, mas não se assustem se em alguns anos mais começarmos a vermos as concessões serem entregues ” devolvidas ” ao poder público, que por diversas vezes e inúmeros exemplos já mostrou-se ser incapaz de administrar uma empresa, quanto mais o segundo maior sistema de transportes do País.

  2. ALEXANDRE DOS SANTOS VIANA disse:

    Eu como usuário e morador de santa cruz, já fui rodoviário 8 anos,enquanto esse Jacó barata estiver no comando das empresas nada vai mudar, até as empresas como a transriver contratada para levar alunos na zona oeste é dele,por aqui só restam quatro empresas ,duas delas já estão fechando ,como a Pégaso e viação palmares está última sai de dentro da garagem da Pégaso, o povo daqui de santa Cruz e adjacências são mal educados e destruidores,nem percebem que se não fossem as empresas redentor,futuro e barra que são do grupo redentor dando suporte ,emprestando seus carros pra substituir a falida Pégaso e a lamentável jabour que está saindo do consórcio, estaríamos ferrados para podermos se deslocar de casa para o trabalho,pra mim está briguinha de prefeitura e empresários do setor de ônibus é uma palhaçada, eu só fico triste que o povo continua burro e ignorante.

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