Entidade procura espaço para exibição com segurança. Réplicas fazem uma linha do tempo desde a invenção da roda até os novos e modernos ônibus BRT
ADAMO BAZANI
O acervo é impressionante pelo tamanho, perfeição das peças e informações agregadas.
A NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Públicos, entidade que reúne mais de 500 companhias de ônibus do País, mantém em sua sede, em Brasília, em torno de 550 miniaturas que contam com detalhes os principais fatos relacionados à história dos transportes não apenas no Brasil, mas desde os seus primórdios.
A reportagem do Diário do Transporte conferiu de perto o acervo.
Dispostas em estantes de vidro posicionadas de forma a criar uma linha do tempo, são várias peças que começam com o homem inventando a roda.
A primeira mensagem é de que o ser humano tem um sua essência os transportes, a necessidade de se deslocar, de conquistar e se relacionar.
Liteiras, carruagens, tílburis vão mostrando a evolução da mobilidade que teve um grande marco, a “Carrosse à Cinq Sols”, um veículo de transporte coletivo criado em 1662 por Blaise Pascal, e considerado o primeiro ônibus que se tem registro no mundo. O veículo fazia cinco linhas na França. O nome “ônibus”, porém, foi popularizado em 1826, também na França, quando um proprietário de casas de banhos de Nantes, decidiu fornecer transporte coletivo a eventuais clientes de seu empreendimento .O ponto inicial da linha era em frente a um estabelecimento comercial que tinha as inscrições Omnes Omnibus (tudo para todos).
Logo, as pessoas associavam o nome do estabelecimento ao transporte.
O criador do serviço foi Stanislav Baudry que se surpreendeu com a procura pelos serviços do veículo e decidiu deixar o ramo de casa de banhos para, dois anos depois, em 1828, criar a Entreprise Générale des Omnibus em Paris, considerada a primeira empresa de ônibus do mundo.
O negócio foi descontinuado depois, mas implantou o conceito ônibus como transporte coletivo, replicado em outras regiões poucos anos mais tarde.
Estes momentos são retratados pelas miniaturas que ainda mostram o primeiro ônibus com motor a combustão do mundo que se tem conhecimento, criado por Karl Benz, em 1895, na Alemanha.
Pela exposição, é possível concluir que o trólebus (ônibus elétrico conectado à rede aérea) veio antes do ônibus à combustão. Uma réplica com base em fotos e pesquisas remete ao Elektromote, um ônibus construído pela Siemens e apresentado em Berlim, em 1892, como o primeiro “trólleybus” do mundo.
E assim como os transportes, a linha do tempo da exibição vai evoluindo, passando por outros momentos como quando as cidades brasileiras cresceram e precisavam de veículos com maior capacidade. Primeiro foram os Papa-Filas, nos anos 1950, grandes carrocerias de ônibus puxadas por cavalos de caminhão até o primeiro ônibus articulado do Brasil, um Caio Gabriela Scania de 1978.
A disposição das peças segue até chegar às réplicas dos modelos para sistemas de BRT – Bus Rapid Transit, corredores de alta eficiência e maior capacidade.
Que chama a atenção é que muitas da miniaturas são feitas de papel, mas numa perfeição tão grande, que parecem outro material, como ferro ou resina.
O acervo foi organizado e disposto no atual centro de documentação em 2015 e foi idealizado pelo então presidente do Conselho Diretor da NTU, Eurico Galhard. São cerca de 5.500 anos de história dos transportes.
Apesar de muito bem organizado, o espaço é pequeno para ser aberto ao público.
A entidade busca agora um local maior que possa receber delegações de escolas, pesquisadores e todos que querem saber como a humanidade evoluiu graças aos transportes.
Atualmente, não é possível agendar visitas.
Os primeiros ônibus do mundo tinham tração animal
O primeiro trólebus do mundo surgiu pela Siemens em 1892, segundo acervo, antes mesmo do ônibus a combustão que é de 1895
Uma das características dos ônibus até os dias de hoje é se adaptar à condições dos locais onde serve. Um exemplo na história foram os ônibus europeus com espécies de “esquis” para a neve.
O Brasil teve alguns modelos bem interessantes, como o “King Kong” na década de 1930. O veículo pertencia à São Paulo Railway, que operava a linha de trens entre Santos e Jundiaí. O ônibus importado também fazia a mesma ligação.
Ônibus urbano Caio Gabriela de três eixos dos anos 1970, que operou no Rio de Janeiro pela Auto Viação Redentor
Papa-Fila, grandes carrocerias de ônibus puxadas por cavalos de caminhão. Indicavam que cidades cresciam e precisavam de veículos maiores. São os precursores dos ônibus articulados.
No final dos anos 1970 sugiram os primeiros ônibus articulados do país. Veículos passaram a atender demandas maiores.
Ônibus dos anos 1960 e 1970 no Rio de Janeiro
Ônibus entre os anos 1970 e 1980.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
