Motoristas do Uber decidem cruzar os braços por melhores ganhos e mais segurança

Aumentar a tarifa básica e o quilômetro rodado, e reduzir a taxa recolhida ao aplicativo estão entre as reivindicações. Movimento é internacional, e ganha adesão de várias cidades brasileiras

ALEXANDRE PELEGI

Motoristas do Uber, insatisfeitos com as condições de trabalho e pelos baixos ganhos recebidos da empresa de aplicativos, decidiram protestar. A data do protesto, 8 de maio, não poderia ser mais especial: hoje a gigante multinacional faz a abertura de capital na Bolsa de Valores de Nova York.

O movimento é internacional, e reúne condutores da plataforma de transporte individual por aplicativo em várias cidades mundo afora.

No Brasil, a greve está acontecendo desde as 0h de terça (7) e vai até as 0h desta quarta. Ainda não se tem uma avaliação da extensão da adesão ao movimento paredista, nem ainda qual o impacto que trará no atendimento aos clientes do serviço.

Pelo combinado, todos os condutores registrados na plataforma ficarão “desligados”, sem receber chamadas de corridas pelo aplicativo.

Esta foi a forma que os condutores encontraram para chamar a atenção para os reduzidos ganhos diante dos lucros esperados pela multinacional ao realizar seu processo de IPO (Initial Public Offering), sigla para Oferta Pública Inicial (ou OPI). Como o próprio nome diz, será a primeira vez que a gigante americana venderá ações para o público na bolsa de valores de Nova Iorque.

Os motoristas brasileiros do Uber reivindicam aumento da tarifa básica e do valor do quilômetro rodado. Além disso, querem diminuição da taxa cobrada pela plataforma de cada condutor, em torno de 15% a 20%. Segurança, algo que a própria empresa Uber coloca como problema para o crescimento de seus ganhos no Brasil, está entre as reivindicações dos condutores, que pedem um cadastro mais rigoroso dos clientes.

O Brasil é o segundo maior mercado da empresa Uber no mundo, dados revelados pela própria empresa ao entrar com documentação na bolsa de valores de Nova York. Em 2018, ela faturou 3,7 bilhões de reais no país. Relembre: Com 600 mil motoristas cadastrados e faturamento de R$ 3,7 bilhões, Brasil é segundo maior mercado da Uber no mundo

Nos Estados Unidos, a paralisação ocorre também em protesto contra a Lyft, e se estenderá por várias regiões. Reino Unido e Austrália são outros países em que motoristas deverão demonstrar sua insatisfação com os ganhos da atividade.

Apesar de o movimento estar identificado com o Uber, é possível que outros aplicativos sejam atingidos, como 99 e Cabify. Os táxis, evidentemente, estão fora da mobilização.

Além da paralisação, deve ocorrer um ato na manhã desta quarta-feira no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. De lá, os motoristas seguirão até a Bolsa de Valores da capital.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

4 comentários em Motoristas do Uber decidem cruzar os braços por melhores ganhos e mais segurança

  1. Mal eles pensam que o objetivo do uber é ser barato. Se aumentar o povo não vai querer usar. Resultado ninguem trabalhando. Melhor segurança eu ate concordo, mas isso é com o poder público.

  2. Sim é ser barato. Mas os motoristas estão sufocados com as altas nos co.bustiveis, pneus, e manutenção. Eu uso gnv é não está dando p ganhar está meio ama meio.

  3. Mania de Uber, Uber Uber….tenho uma amiga que se encanta quando sai de Uber…to quase abandonando sua amizade…..RadioTáxi é a mesma coisa.

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