França decide proibir patinetes em calçadas. No Brasil, pedestres são prejudicados por falta de regulamentação

Patinetes elétricos e bicicletas são usados para integração com sistema metroviário. Foto: Alexandre Pelegi

Sem regulação específica para o uso de patinetes nas ruas das cidades brasileiras, pedestres seguem expostos a riscos

ALEXANDRE PELEGI

Enquanto as cidades brasileiras se veem aturdidas em meio à explosão do modismo das patinetes elétricas, o governo da França decidiu criar uma série de regras para conter a anarquia instalada por esse novo modo de transporte para curtas distâncias.

Nas cidades francesas, a primeira regra é impedir a circulação de patinetes nas calçadas do país a partir de setembro. O desrespeito à regra implicará em multa de 135 euros, quase R$ 600.

O portal Deutsche Welle cita entrevista da ministra dos Transportes, Elisabeth Borne, para quem os patinetes elétricos invadiram as ruas das grandes cidades francesas nos últimos meses de forma muito rápida e anárquica. Com isso, disse Elisabeth, “tornou-se a lei da selva“.

Em São Paulo, onde o modismo impera principalmente nos bairros da Zona Oeste, a Prefeitura estuda criar regras desde o início de 2019, mas sem qualquer progresso visível até hoje. Enquanto isso, o crescimento do número desses veículos segue sem controle, com o uso desenfreado de patinetes em calçadas e, muitas vezes, pilotados por crianças. Como diria a ministra Elisabeth, na falta de legislação, o que se vê é a “lei da selva”…

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Assim como as patinetes, bicicletas são largadas nas calçadas atrapalhando os pedestres.

No caso francês, a ministra promete que as regras serão duras. Os utilizadores desses veículos alternativos deverão circular apenas nas ciclovias ou nas ruas, mas nas calçadas o veículo terá de ser carreado com o motor desligado.

Enquanto isso, além de circularem e estacionarem os patinetes pelas calçadas, as empresas que exploram o serviço agem na linha da concorrência: sem regulação do poder público, continuam aumentando a oferta e suas receitas.

PERIFERIA: ATÉ QUE ENFIM

Resultado da regulamentação feita pela prefeitura de São Paulo em dezembro de 2017, que fixou regras para uso do viário por parte das operadoras de aluguel de bicicletas, a Yellow, que oferece os veículos pelo sistema dockless (sem estação),  anunciou nesta sexta-feira, 03 de maio de 2019, que vai destinar 200 bikes para o Capão Redondo, bairro da zona sul da capital.

Antes restritas aos bairros de maior poder aquisitivo, a obrigatoriedade de atender os moradores dos locais mais distantes é o ponto positivo do sistema de compartilhamento.

Localizadas entre o terminal João Dias e a parte central do Capão Redondo, as bicicletas amarelas serão para uso exclusivamente na região, e ainda com facilidades de pagamento.

A não exigência de cartão de crédito para alugar uma bicicleta é a primeira delas. A Yellow criou um sistema de créditos com comerciantes do bairro, o que permitirá aos moradores carregar um cartão de acesso em estabelecimentos comerciais.

A outra boa novidade é quanto ao preço, que será popular, apenas R$ 1 para 30 minutos de uso. No restante da cidade, o preço é de R$ 1 a cada 15 minutos.

Além da Yellow, o Bike Itaú, sistema com estação física, já lançou uma unidade no Terminal de Ônibus da Cidade Tiradentes, extremo da zona Leste da capital, há um ano.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

1 comentário em França decide proibir patinetes em calçadas. No Brasil, pedestres são prejudicados por falta de regulamentação

  1. Quem é a besta que implanta algo, tão perigoso, sem nenhum estudo de impacto, nem uma regra de lei, como uso de acessórios (capacetes, joelheiras, cotoveleiras), para evitar acidentes? Isso em meio ao pedestre incauto, que tambem poderá ser uma vítima. Na TV já se tem numeros de acidentes (70 em 2019), agora junte isso com os motociclistas, motoboys…..Hospital lotado. Inválidos precoces porque não tem uma lei sobre isso. ONDE VAMOS PARAR??

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