Plano de segurança viária de São Paulo quer reduzir em 50% o número de mortes em acidentes com ônibus na cidade até 2028

Motociclistas são as maiores vítimas no trânsito e atropelamentos por ônibus chamam a atenção. Foto: Adamo Bazani – Diário do Transporte (Clique para Ampliar)

Atropelamentos são a principal preocupação em relação aos coletivos. Índice de mortes no trânsito deve ser igual ou inferior a 3 a cada 100 mil habitantes pela meta

ADAMO BAZANI

O ônibus é um dos meios de transportes mais seguros na cidade de São Paulo.

Quem está em um ônibus tem 356 vezes menos de probabilidade de morrer no trânsito do que a pessoa que está numa moto. Entretanto, a grande preocupação em relação aos coletivos do Sistema de Transporte Público da Cidade são os atropelamentos.

Os ônibus foram os segundos maiores responsáveis pelos atropelamentos fatais, respondendo por 20% deste tipo de ocorrência, na média entre 2013 e 2017.

É o que mostram dados da ONG WRI e da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego no Plano de Segurança Viária da cidade, que traz metas de redução de acidentes e propõe ações para deixar os deslocamentos mais seguros.

Ao comparar as informações referentes ao número de vítimas por modo de transporte entre os anos de 2013 e 2017 e o número de viagens realizadas por cada modo de acordo com a Pesquisa de Mobilidade da Região Metropolitana de São Paulo de 2012, é possível definir o risco dos usuários de cada modo de transporte. A probabilidade de morrer em uma viagem de motocicleta é 356 vezes maior do que realizar a mesma viagem utilizando um ônibus. Há 10 vezes mais chances de morrer em uma motocicleta do que a pé. Também é 2 vezes mais provável morrer em uma viagem de motocicleta do que em uma bicicleta. O resultado enfatiza a necessidade de direcionar esforços para melhorar a segurança viária dos grupos mais vulneráveis. Em relação aos resultados relativos a ônibus, é importante destacar que a alta segurança apontada refere-se apenas aos usuários dentro do ônibus, pois esse tipo de veículo é responsável por grande parte dos atropelamentos fatais ocorridos na cidade. – diz trecho do relatório no plano.

As maiores vítimas do trânsito em São Paulo são os motociclistas, que corresponderam a quase 50% das mortes no trânsito da cidade em 2017, ano usado como base para o plano.

Em 2017, foram 13.483 acidentes de trânsito, sendo 762 com vítimas fatais e 12.721 com vítimas não fatais.

O número de pessoas que morreram atropeladas por ônibus em 2017 foi de 39 óbitos registrados.

Diante da somatória de todos os acidentes, pode parecer um número reduzido, mas que ganha a necessidade de outra análise quando se leva em conta que os ônibus representam menos de 3% da frota circulante na capital paulista.

“No que se refere ao número de veículos de cada tipo com envolvimento nos acidentes fatais, entre os anos de 2013 e 2017, os automóveis tiveram participação de 37%, seguidos das motocicletas (33%) e dos ônibus (13%). Destacam-se neste caso as motocicletas, cuja participação nos acidentes fatais é o dobro da sua participação no trânsito de São Paulo (15%), e os caminhões, cuja participação nos acidentes fatais (8%) é 5 vezes maior que no trânsito (1,6%)… A participação dos automóveis nos atropelamentos fatais (37%) também é a maior entre os diferentes tipos de veículos, seguida da dos ônibus (20%) e das motocicletas (19%). Destaca-se neste caso o grande envolvimento dos ônibus nos atropelamentos fatais, que superam o das motocicletas e é 6 vezes maior que sua participação no trânsito da cidade (2,88%).”

A meta da prefeitura é que em 2028, o índice de mortes no trânsito tenha valor igual ou inferior a 3 a cada 100 mil habitantes, considerando todos os tipos de ocorrência, com todos os tipos de veículo . O valor-base para esta meta é do índice de 6,95, referente a 2018.

Sobre os ônibus, a meta é de redução de 50% no número de mortes decorrentes de acidentes com envolvimento dos ônibus, também até 2028. O valor-base é de 106 ocorrências referentes a 2018. Até 2020, é esperada uma redução de 10% e, em 2024, uma queda de 30% nas mortes de trânsito que estejam relacionadas a ônibus.

De acordo com os dados da CET que constam no plano, vias do centro expandido como Av. Celso Garcia, Av. Paulista e regiões como Lapa, Santana e Santo Amaro figuram entre os locais onde mais ocorreram atropelamentos por ônibus.

Atropelamentos envolvendo ônibus também ocorrem mais no centro da cidade e em locais semelhantes aos dos atropelamentos fatais. Regiões como Lapa, Santana e Santo Amaro possuem alto índice de atropelamentos por ônibus, principalmente próximo a centros comerciais e estações de ônibus e metrô. Ainda, outras regiões se destacam próximas ao centro da cidade. A Av. Celso Garcia, que teve faixas dedicadas de ônibus no contrafluxo, possui alta concentração de atropelamentos por ônibus praticamente ao longo de toda sua extensão. A Av. Paulista apresenta grande incidência desse tipo de acidente nas proximidades da interseção com a Av. da Consolação, onde há um corredor de ônibus e também está localizada a Estação Paulista do Metrô. Corredores de ônibus são tradicionalmente implementados nas principais avenidas de uma cidade e costumam apresentar diversos tipos de conflitos devido à grande presença de pessoas e alto fluxo de veículos.

Corredores e Faixas

Os dados da CET entre 2013 e 2017 mostram que, proporcionalmente, ocorreram mais acidentes nos corredores de ônibus centrais que nas faixas à direita.

Ocorreram aproximadamente 13 acidentes por quilômetro em vias arteriais, tanto com corredores quanto com faixas exclusivas para ônibus de 2015 a 2017. Há menos vias arteriais com corredores do que com faixas exclusivas (22,3% e 45,2% respectivamente), mas ocorrem percentualmente mais fatalidades em corredores do que em faixas exclusivas: 6,4% e 4,8%; Enquanto os motociclistas concentram mais vítimas e fatalidades por quilômetro em corredores do que em faixas exclusivas (8,3 e 3,5, versus 7,8 e 3,1, respectivamente), os pedestres representam a maior parte das vítimas e fatalidades em faixas exclusivas: são 3,8 vítimas e 6,3 fatalidades, versus 3,2 e 2,8 em corredores.

Ciclistas e ônibus

Os dados da CET, no Plano de Segurança Viária, ainda mostram que a relação ônibus-ciclistas precisa ser melhorada, inclusive nos espaços preferenciais de ambos.

Grande parte dos acidentes em vias que compartilham infraestruturas de bicicleta e ônibus ocorreu onde há ciclofaixas e corredores de transporte coletivo, como mostra o relatório.

“Enquanto ocorreram 10,3 acidentes por quilômetro de ciclovia e 11,43 por quilômetro de ciclofaixa, em vias com ciclovia se observou 17,6% de fatalidades no período e na área de análise, enquanto foram 4,6% em vias com ciclofaixa. Ocorreram 78% menos acidentes com ciclistas em vias que passaram a ter ciclovias, passando de 7 acidentes por ano antes da implantação para 1,5 após, enquanto a concentração de acidentes por ano em vias que passaram a ter ciclofaixas permaneceu estável em aproximadamente 12,5 acidentes por ano. A maior concentração de acidentes em vias que compartilham infraestruturas de bicicleta e ônibus ocorre onde há ciclofaixas e corredores de ônibus: são 2,83 acidentes com ciclistas por quilômetro. A maior concentração de fatalidades, entretanto, ocorre em ciclovias com corredores de ônibus: 0,24 fatalidades de ciclistas por quilômetro.”

Além de aperfeiçoamento na fiscalização dos ônibus, o plano traz recomendações como maior qualificação dos motoristas e melhorias na infraestrutura e sinalização das vias por onde passam os coletivos.

Muitas vezes, o contrafluxo dos ônibus e a diferença do número de veículos que passam pelas vias comuns e pelos corredores dos coletivos podem enganar os pedestres.

No caso do contrafluxo, alguns pedestres ficam mais atentos a um lado da via somente, esquecendo que passam ônibus no sentido contrário.

Já quanto aos corredores, o fato de o número de ônibus ser menor que de carros cria uma falsa sensação de segurança, diminuindo a atenção dos pedestres enquanto atravessam estes espaços.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Alfredo disse:

    Nem os buracos da Celso Garcia esse prefeito conserta, aí fica com essa conversa mole de reduzir atropelamentos, qualificar motorista enquanto muitos das antigas cooperativas são obrigados a dirigir e cobrar, esse governo do PSDB é uma piada

  2. Rogerio Belda disse:

    O que tem a letra U a haver com as ALÇAS? Belda

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