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Consórcio BRT Rio considera ônibus convencionais no sistema um retrocesso para a mobilidade urbana

Segundo Consórcio BRT Rio, ao substituir ônibus articulados por convencionais, a intervenção eleva o custo de operação sem um ganho de eficiência. Foto: Divulgação.

Medida foi anunciada nesta semana pelo interventor Luiz Alfredo Salomão

JESSICA MARQUES

O Consórcio BRT Rio informou em nota ao Diário do Transporte que considera o uso de ônibus convencionais no sistema um retrocesso para a mobilidade urbana. A medida foi anunciada nesta semana pelo interventor Luiz Alfredo Salomão.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/04/17/brt-do-rio-de-janeiro-vai-usar-onibus-convencionais-no-corredor-transoeste/

De acordo com o posicionamento do Consórcio BRT Rio, ao substituir ônibus articulados por convencionais, a intervenção eleva o custo de operação sem um ganho de eficiência.

“A Prefeitura vem utilizando o BRT como um laboratório de testes em vez de apresentar soluções definitivas para as suas obrigações legais, quase três meses depois do início do processo de intervenção”, informou o consórcio, em trecho da nota.

Confira a nota, na íntegra:

Em relação ao anúncio feito pela equipe de intervenção da Prefeitura do Rio, o Consórcio BRT Rio esclarece:
 
– A medida pode ser considerada um retrocesso para a mobilidade urbana, uma vez que descaracteriza um projeto adotado com sucesso em 171 cidades no mundo;

– O sistema BRT do Rio de Janeiro já foi considerado referência mundial por especialistas, recebendo o Selo Ouro do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), uma das principais entidades internacionais de avalição do transporte público, com sede em Nova York;

– Apesar de todo o reconhecimento internacional, a Prefeitura do Rio optou por abandonar um sistema que transporta mais de 500 mil passageiros por dia;

– A omissão da Prefeitura tem efeito direto nos passageiros, que são os mais prejudicados com a perda de vantagens do BRT: viagens mais rápidas, previsíveis e seguras em um sistema controlado;

– A utilização de ônibus convencionais nos corredores BRT contraria a concepção de um sistema de alta capacidade que opera em pistas exclusivas com: pagamento antecipado, embarque em nível e rápido em veículos com capacidade de até 180 passageiros por quatro entradas (em até 30 segundos);

– Ao substituir ônibus articulados por convencionais, a intervenção eleva o custo de operação sem um ganho de eficiência ao exigir a contratação de mais motoristas, aumentando também os gastos com combustível e de uma manutenção não prevista dos veículos. É importante lembrar que cada veículo articulado corresponde a mais de dois veículos urbanos;

– A Prefeitura vem utilizando o BRT como um laboratório de testes em vez de apresentar soluções definitivas para as suas obrigações legais, quase três meses depois do início do processo de intervenção;

– É inaceitável que a intervenção não tenha uma resposta rápida e concreta para as condições precárias das pistas de circulação dos ônibus articulados, que já provocaram a retirada de mais de 70 veículos de operação e aumentaram consideravelmente o tempo de viagem ao longo dos corredores;

– Até o momento, a intervenção vem demonstrando total falta de capacidade técnica para apresentar ações efetivas para o cumprimento de suas responsabilidades legais, como melhorar as condições precárias das pistas, reduzir os calotes, combater a ação descontrolada de ambulantes e os sucessivos atos de vandalismo;

– A redução da frota em operação do sistema BRT é responsabilidade direta da Prefeitura, que não oferece as condições necessárias para a circulação dos ônibus nos corredores expressos, que, segundo estudo recente, tem mais de 80% das suas pistas sem condições adequadas para a circulação dos ônibus articulados;

– O Consórcio BRT Rio reafirma mais uma vez que a Prefeitura deve assumir integralmente suas obrigações contratuais e oferecer as condições necessárias para a operação das empresas no sistema BRT;

– É inadmissível que até o momento a Prefeitura ainda não tenha apresentado, de forma transparente, qual é o planejamento para a melhoria do sistema BRT;

– As ações anunciadas pela Prefeitura deixam claro o caráter político da intervenção, já que todas as medidas anunciadas referem-se somente às responsabilidades contratuais do governo municipal no sistema BRT;

– Além de não ter apresentado sequer à população o diagnóstico e soluções necessárias para retomada da operação, a intervenção atesta sua incompetência técnica e interesses meramente políticos ao anunciar a licitação de um sistema negligenciado pela Prefeitura;

– O anúncio de uma suposta licitação, sem antes cumprir com as obrigações legais da intervenção, não só desrespeita o contrato de concessão existente como cria uma insegurança jurídica para o investidor privado;

“Se a Prefeitura não respeita o acordo atual e não se responsabiliza por suas obrigações legais, por que seria diferente no futuro? A quem interessa a licitação?”

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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