Curitiba inicia projeto com ônibus a gás natural e montadora diz não ter visto mesma disposição dos empresários de São Paulo

Veículo de demonstração da Scania foi levado a empresários da capital paulista. Foto: Divulgação.

Inicialmente, ônibus vai operar com patrão SPTrans; próximo passo será fornecimento de biometano

ADAMO BAZANI / JESSICA MARQUES

A montadora de ônibus Scania, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e a Prefeitura de Curitiba anunciaram nesta quarta-feira, 13 de março de 2019, o início de um projeto de ônibus a gás natural e, posteriormente, biometano, no sistema municipal.

Ainda neste mês, deve começar a circular um veículo encarroçado pela Marcopolo, ainda no padrão SPTrans, movido a gás natural.

De acordo com a fabricante de ônibus, esse tipo de combustível pode reduzir em torno de 70% as emissões de gases poluentes e em aproximadamente 28% o custo operacional por quilômetro rodado.

O ônibus é do modelo K280 4×2 e deve operar na região do Gramados em linhas como Terminal Sítio Serrado / Terminal Capão Raso, da Viação Cidade Sorriso, parceira da Scania neste teste.

De acordo com o diretor de vendas da Scania no Brasil, Silvio Munhoz, já existe uma unidade sendo encarroçada no padrão da Urbs (Urbanização de Curitiba S.A), responsável pelo gerenciamento do sistema na capital paranaense. O próximo passo, de acordo com o executivo, é o uso de biometano. Para isso, foi firmado um convênio com uma empresa de reciclagem de lixo na Região Metropolitana, que vai fornecer o combustível.

Os testes e demonstrações com o gás natural terão fornecimento de combustível pela COMPAGAS – Companhia Paranaense de Gás, do Governo do Estado do Paraná. Veículos a gás natural são aposta da Scania em relação a tecnologias alternativas ao óleo diesel.

Recentemente, a montadora venceu licitação para o fornecimento de mais de 500 unidades para o Transmilênio, da Colômbia, onde já operam unidades, inclusive biarticuladas, com esse tipo de combustível.

Silvio Munhoz diz que a montadora vem realizando demonstrações para os empresários de diversas partes do país, inclusive para São Paulo. Na cidade, existe uma lei do ano passado promulgada pelo ainda prefeito João Doria que estipula metas de redução de poluentes em períodos de 10 e 20 anos.

Em duas décadas, as emissões terão de ser zeradas, o que caberia somente ao veículo elétrico. Entretanto, para a Scania, nesse período, o ônibus a gás natural poderia corresponder a uma solução imediata de baixo custo.

Segundo a Scania, há poucas diferenças na mecânica em relação a um veículo a diesel. Entretanto, pela queima de combustível ser de ciclo OTO, é possível obter menos gastos operacionais.

A estimativa é de que um ônibus a gás natural completo tenha um preço entre 30% e 40% superior a um similar a diesel.

Em relação a São Paulo, Silvio Munhoz disse não ter visto dos empresários da cidade disposição para testar tecnologias alternativas.

“Nós fizemos várias demonstrações a diferentes empresários da cidade de São Paulo, comprovando os resultados que a gente informava, mas não houve interesse em evoluir em soluções alternativas. Eles ainda estão presos ao diesel tradicional e não veem nenhum benefício para eles ou para quem quer que seja a adoção de novas tecnologias”, disse.

HISTÓRICO DA SCANIA COM O GNV

A Scania atua com o ônibus movido a GNV / biometano há cinco anos. A fabricante trouxe o modelo sueco para o Brasil no fim de 2014, para uma série de apresentações que ocorrem até os dias atuais.

A Scania apresentou em 2015 um ônibus movido a gás biometano no Parque Tecnológico de Itaipu. Em 2016, um ônibus movido a GNV/biometano começou a ser testado no Recife, capital de Pernambuco.

O modelo foi o K 280 6×2, com 15 metros de comprimento e capacidade para até 130 passageiros. O motor já atende a geração mais avançada da legislação de emissões, a Euro 6.

No ano passado, o veículo foi apresentado em Franca, no interior de São Paulo, em 12 de novembro de 2018. O ônibus é um Scania K280 6×2 de 15 metros, que participou de uma demonstração feita em parceria com a Sabesp, a Embaixada da Suécia e a Business Sweden.

O veículo com motor a gás pode ser abastecido com biometano (que pode ser proveniente de esgoto ou outros materiais) e GNV (Gás Natural Veicular). Ainda há a possibilidade de abastecer com uma mistura de ambos.

Na ocasião, o ônibus foi abastecido em uma estação de tratamento de esgoto da Sabesp. A empresa começou a usar o biogás gerado no tratamento do esgoto para movimentar a frota de veículos da empresa em Franca em abril de 2018.

Relembre: Primeiro ônibus do Brasil abastecido a gás gerado do esgoto é apresentado em Franca (SP)

Confira abaixo a frota circulante de veículos a gás da Scania ao redor do mundo:

frota_gas_circulante

REDUÇÃO DE POLUENTES NA CAPITAL PAULISTA

A lei 16.802, de 17 de janeiro de 2018, determina que as reduções de emissões de poluição pelos ônibus da capital paulista devem ser de acordo com o tipo de poluente em prazos de 10 anos e 20 anos.

No período de 10 anos, as reduções de CO2 (gás carbônico) devem ser de 50% e de 100% em 20 anos. Por sua vez, as reduções de MP (materiais particulados) devem ser de 90% em 10 anos e de 95% em 20 anos. As emissões de Óxidos de Nitrogênio devem ser de 80% e de 95%, respectivamente.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Parabéns Curitiba; à frente no buzão novamente.

    “Inovação é só para quem sabe inovar e pensa fora da caixinha.”

    Sampa está deitada e dormindo em berço esplendido e os buzões na zona de conforto TOTAL; afinal sem concorrência; inovar pra que não é mesmo?

    Parabéns Scania pelo buzão e pela parceria nos teste operacionais, estes testes são importantíssimos e vocês sabem disso.

    Att,

    Paulo Gil

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