Estudo mostra que integração como do Bilhete Único de São Paulo é a mais recomendada para Curitiba

Publicado em: 12 de março de 2019

Integrações só são possíveis em estações-tubo ou em terminais. Foto: Adamo Bazani/Clique para Ampliar

Desde início do sistema da capital paranaense, integrações são físicas, mas levantamento diz que passageiro gastaria menos tempo e dinheiro com integrações temporais

ADAMO BAZANI

Apesar de ser considerado referência, o sistema de transportes coletivos de Curitiba está defasado e, muito mais que modais, a discussão mais urgente deve ser sobre a forma de integração para os passageiros.

É o que conclui um estudo do programa de pós-graduação em Gestão Urbana da PUC-PR/Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Sob responsabilidade da arquiteta e urbanista Jaqueline Massuchetto, o levantamento mostra que as integrações devem ser temporais, como as que ocorrem com o Bilhete Único de São Paulo, pela qual, é possível, na modalidade comum usar quatro ônibus em três horas; um embarque começando pelo sistema de trilhos e mais três ônibus em três horas  ou em duas horas começando com até três ônibus e tendo como último embarque o sistema do Metrô e da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

No mês passado, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, reduziu de quatro para dois embarques o limite com o Vale-Transporte e ampliou de duas horas para três horas o tempo de integrações com essa modalidade.

Para a pós-graduanda, o atual sistema de Curitiba, com integrações físicas fazem com que o passageiro perca tempo e dinheiro, já que é obrigado a chegar até um terminal ou estação-tubo para mudar de linha.

Se a integração fosse temporal, o usuário poderia fazer a troca de ônibus em qualquer ponto da viagem e ficaria menos suscetível a “trajetos negativos”, pelos quais é obrigado a seguir até um trecho, depois voltar parte deste mesmo trajeto de novo para aí sim seguir na direção desejada.

Em São Paulo, o sistema de transportes por ônibus tem custo de em torno de R$ 8 bilhões por ano para ser operado, sendo que aproximadamente R$ 3 bilhões correspondem a subsídios.

Apesar de as integrações entrarem na conta das complementações tarifárias, parcela significativa dos subsídios é por causa das gratuidades.

Para a pesquisadora, a integração temporal poderia deixar o sistema de Curitiba mais barato, já que seria possível reorganizar melhor as linhas de acordo com o interesse de viagem dos passageiros.

O estudo teve como base a Pesquisa de Origem e Destino do IPPUC – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba.

Foram traçados dois cenários baseados nos principais perfis de deslocamentos atuais da capital paranaense, um com o modelo atual de integração física e outro com a integração temporal.

Com a integração temporal, pelo Bilhete Único, o tempo gasto de deslocamento nos ônibus foi, em média, ¼ menor que hoje, mas em alguns casos, caiu pela metade.

A pesquisa de Origem e Destino ouviu 74 mil passageiros no ano passado, que usam ônibus apenas dentro de Curitiba.

A arquiteta e urbanista diz que pretende apresentar o estudo à prefeitura e à Urbs – Urbanização e Curitiba S.A., que gerencia o sistema na capital paranaense.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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