Associação Comercial de São Paulo quer que Bruno Covas volte atrás em mudanças do Vale-Transporte

Ônibus em São Paulo. Gestão quer reduzir necessidade de subsídios. Foto: Adamo Baznai/Diário do Transporte - Clique para ampliar

Total de embarque foi reduzido de quatro paras dois. Entidade diz que empregadores podem escolher apenas trabalhadores que moram mais perto do serviço e que subsídios do VT não são nem para patrões e nem para empresas de ônibus, mas uma medida de cunho social

ADAMO BAZANI

A Associação Comercial de São Paulo – ACSP pediu que o prefeito Bruno Covas recue da decisão que alterou as regras do Bilhete Único na modalidade Vale-Transporte.

No último sábado, 23 de fevereiro, o Diário do Transporte noticiou em primeira-mão o decreto da prefeitura com uma série de alterações no Bilhete Único.

A primeira delas é sobre o Vale-Transporte, que nesta sexta-feira, 01º de março de 2019, deixou de possibilitar quatro embarques num período de duas horas. O prazo para integração foi ampliado para três horas, mas as possibilidades de integração foram reduzidas para dois embarques, em dois ônibus ou apenas em uma estação de Metrô/CPTM e em um ônibus.

A possibilidade de troca de transporte em três horas é se o primeiro embarque começar com o trem ou metrô e depois prosseguir com o ônibus.

Se a viagem começa com o ônibus o embarque no trem ou metrô deve ser feito em até duas horas.

Em seu site, a ACSP diz que a mudança é incompatível com o momento de recuperação econômica e que pode prejudicar empregadores e trabalhadores com o aumento do custo de deslocamentos dos funcionários.

A prefeitura de São Paulo diz que a medida vai fazer com que a necessidade de subsídios ao sistema caia em R$ 419 milhões por ano. Atualmente, o sistema de ônibus precisa de aproximadamente R$ 3 bilhões de complementos por ano porque a arrecadação nas catracas não é suficiente para cobrir os custos dos transportes. Por ano, o sistema custa em torno de R$ 8 bilhões, mas arrecada com as tarifas, R$ 5 bilhões.

A gestão Bruno Covas alega ainda que o Vale-Transporte é uma obrigação do empregador e, por isso, não seria justo que dinheiro público bancasse estes custos.

A SPTrans São Paulo Transporte, que gerencia o sistema, estima que em torno de 125 mil passageiros podem ser impactos com a mudança, menos de 10% do total de pessoas que usam o Vale-Transporte por dia.

A ACSP contesta as alegações da prefeitura e diz que os subsídios ao Vale-Transporte não são para os empregadores e nem para as empresas de ônibus, mas têm um cunho social porque beneficiam quem mora mais longe.

“a alegação da Prefeitura de que está subsidiando as empresas comerciais, industriais e serviços, que são responsáveis pelo pagamento do vale transporte ao trabalhador, é equivocada, porque o benefício é direcionado na verdade ao trabalhador que reside na periferia”.

Em ofício enviado à prefeitura, a associação ainda diz que os empregadores vão acabar escolhendo trabalhadores que moram mais perto.

Isto porque, se as empresas são responsáveis por pagar o Vale Transporte e vão suportar os aumentos de custos, elas podem também, em igualdade de condições, escolher o trabalhador que mora mais perto e que, portanto, vai acarretar um custo menor. Para evitar esse tipo de discriminação contra o trabalhador que mora longe é que foi criada a atual regra de integração. – diz trecho do ofício.

CONFIRA NA ÍNTEGRA:

Senhor Prefeito, A Associação Comercial de São Paulo – ACSP, através de suas 15 Sedes Distritais, vem recebendo inúmeras reclamações de empresários sobre a mudança promovida na regra de uso do Vale Transporte, que passa de 4 integrações em duas horas, para apenas 2 integrações em 3 horas. A alegação da Prefeitura de que está subsidiando as empresas comerciais, industriais e de serviços, que são responsáveis pelo pagamento do Vale Transporte ao trabalhador é equivocada, porque o benefício é direcionado na verdade ao trabalhador que reside na periferia.

Isto porque, se as empresas são responsáveis por pagar o Vale Transporte e vão suportar os aumentos de custos, elas podem também, em igualdade de condições, escolher o trabalhador que mora mais perto e que, portanto, vai acarretar um custo menor. Para evitar esse tipo de discriminação contra o trabalhador que mora longe é que foi criada a atual regra de integração.

Acresce notar que em uma conjuntura em que as empresas apenas começam a se recuperar, após longo período de recessão profunda, e que uma grande maioria, especialmente de micro e pequeno porte, ainda se acham descapitalizadas e endividadas, qualquer aumento dos custos pode resultar no encolhimento ou na inviabilização dos negócios, com reflexos negativos sobre os empregos. Acresce notar que muitas delas já encontram dificuldade para suportar o pagamento do IPTU, cujo percentual de aumento superou em muito a inflação e a expansão das vendas.

Face ao exposto, a ACSP solicita a Vossa Excelência a revisão dessa medida, incompatível com o atual cenário da economia e injustificável do ponto de vista social, pois prejudica os trabalhadores de menor renda. Considera a entidade que é louvável a intenção de reduzir o subsídio ao sistema de transporte, mas que esse objetivo deve ser buscado pela racionalização e controles eficientes.

Atenciosamente

Roberto Mateus Ordine

Vice-presidente

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

9 comentários em Associação Comercial de São Paulo quer que Bruno Covas volte atrás em mudanças do Vale-Transporte

  1. Se o prefeito ou alguém do seu staff usasse o vale transporte e morasse na periferia, esta medida jamais seria implementada, como todos tem transporte individual, de ultima geração, fazem uma bobagem desta para prejudicar o passageiro. Lembraremos desta maldade na próxima eleição, PSDB

  2. Volta Marta

  3. Esse prefeito quer acabar com a mobilidade de sao Paulo. Aumentando a tarifa, diminuindo as integrações entre ônibus e fechando o Elevado Minhocão.
    Quanta coisa ruim prefeito. Se não vai ajudar, tbm não atrapalhe!!!

  4. JOSE LUIZ VILLAR COEDO // 2 de março de 2019 às 22:41 // Responder

    PSDB corta tudo de TODOS … PRINCIPALMENTE dos pobres! PT da tudo pra todos sem do ! Usa os pobres pra se levantar … ESSA É A DURA REALIDADE da Cidade de São Paulo ! As Eleições pra PREFEITURA virão e o PT tem chances reais infelizmente! Os Cofres Públicos sofrerão de um jeito ou de outro! o atual Prefeito perdeu o rumo de tudo! Greves de Professores e outros funcionários da Prefeitura, inundações e sujeiras pela Cidade… Árvores caindo em tudo o que é canto … SAÚDE sempre uma vergonha…e agora – além dessa Licitação que o Haddad não fez e o Doria empurrou pra ele… – o cara me vai mexer com trabalhadores e empregadores ! Meu Deus do Céu! E o Doria evekevainda se põe como “ALIADOS DE BOLSONARO” … DEUS QUE O LIVRE! PSDB E PT SAO IGUAIS !

    • JOSE LUIZ VILLAR COEDO, boa noite.

      Concordo com você e tudo é real.

      Neste feriado de carnaval dei uma volta em Sampa; e veja o que eu vi ao vivo e a cores.

      O lago do Parque do Ibirapuera está super sujo, inclusive com enorme saco de lixo boiando, fotografia de tão estarrecido que fiquei.

      As ruas estão em péssimo estado, cheia de buracos, depressões, ondulações e tudo mais; nem bairro nobre escapa, as ruas de Moema estão um lixo.

      Toda a extensão da faixa do buzão da Avenida Corifeu de Azevedo Marques está em péssimas condição, nem o carro de fiscalização da “fiscalizadora” não trafega na faixa do buzão; aliás nem o buzão, pois está ruim mesmo.

      E por ai vai.

      A PMSP está na cova.

      Abçs,

      Paulo Gil

      • Eduardo Jordano // 22 de março de 2019 às 15:51 //

        O POVO HIPOCRITA TEM QUE PARAR DE MENCIONAR PARTIDOS : A , B , OU C, quer mudar seja a mudança . retire os lixos do poder eleja novas pessoas e tudo será melhorado .

  5. Já qye estão com tanto empenho de gerar economia para os cofres da Prefeitura, que façam da forma correta, corte os cabides de empregos, corte os xarros oficiais, corte os gastos absurdos com cafezinho e lanchinho dos srs vereadores, acabem com as roubalheiras, e dai vai sobrar dinheiro.
    Hoje muitas empresas já colocam nos anúncios de empregos qye a pessoa tem que residir próximo do local de trabalho, devido ao transporte e trânsito caótico que nós temos, quem mora nos extremos das periferias vao ficar ainda mais prejudicados.
    Alguém precisa fazer alguma coisa contra mais esse absurdooooo.

  6. Essa medida de reduzir o número de viagens vai prejudicar muita gente, obrigando a fazer viagens mais longas. O transporte público precisa é de flexibilidade e não restrições. O mesmo vale para a necessidade de cadastro para o bilhete único. Em qualquer lugar do mundo se compra bilhetes anônimos, pois facilita para os turistas e usuários esporádicos. Não se pode piorar os serviços sob a justificativa de combate às fraudes, pois se prejudica os trabalhadores honestos. A Prefeitura está errada e e espero que percebam a tempo o erro que está sendo cometido.

  7. André Magalhães // 14 de março de 2019 às 17:57 // Responder

    Até parece que prefeitura quer cortar custos com secretarios e carros oficiais!
    Falam de PSDB mas se fosse PT fazendo a mesma coisa alegando corte de custos duvido que haveria a mesma choradeira! Iria ter apoio !!
    Politico é tudo igual só muda a cor do partido!
    Covas vai enterrar SP literalmente falando!

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