Caxias do Sul se divide sobre projeto que propõe extinguir passe-livre em ônibus

Foto: Leonardo Vieira

Vereador alega que passagem grátis em um domingo por mês possibilita ação de gangues, que danificam os coletivos e afastam as pessoas que poderiam usar o transporte para o lazer

ALEXANDRE PELEGI

Uma questão de segurança.

Este o principal argumento utilizado pelos apoiadores do projeto do vereador Ricardo Daneluz (PDT), de Caxias do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, que propõe a extinção do passe-livre em um domingo por mês no transporte coletivo.

O projeto de lei foi protocolado no dia 11 de fevereiro deste ano, portanto há poucos dias, mas o suficiente para dividir a cidade em grupos a favor e contra a ideia.

A Visate, concessionária do transporte coletivo local, entrou na celeuma, e distribuiu cópias de correspondências enviadas à Câmara por pelo menos três entidades da cidade que apoiam o projeto do vereador Daneluz. São elas o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Caxias do Sul, a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), segundo informa o jornal Pioneiro.

Na outra ponta, contra o PL de Daneluz, estão integrantes de seu próprio partido, como representantes dos movimentos Comunitário Trabalhista (Paulo Sausen), Juventude Socialista (Thallya Scariot), Sindical Trabalhista (José Jesus Abreu), Negro (Diógenes Brasil) e Cultural Darcy Ribeiro Ney Alexandre Rech), além da Ação da Mulher Trabalhista (Maria Aparecida Stecca, a Cida, também presidente do partido).

Para o vereador, alguém está pagando a conta para quem utiliza o transporte coletivo de graça. Ele cita a ação de “bondes”, grupos de jovens que vandalizam o patrimônio, e relaciona ônibus danificados e pichados aos dias de passe livre. Segundo ele, a ação violenta desses grupos acaba por inibir outros usuários a usufruir do transporte, já que os jovens seriam a maioria do público que recorre ao benefício da passagem gratuita.

O ex-prefeito Alceu Barbosa Velho, do mesmo partido do vereador Daneluz, vê com tristeza a extinção do passe-livre. Em entrevista ao Pioneiro, Alceu lembrou de uma reunião, durante sua gestão, com representantes de entidades que criticavam o benefício.

Elas diziam, segundo ele, que o passe-livre não dava mais por causa das gangues, dos bondes. “Aí eu perguntei: mas escuta aqui, o que é que está errado, são as gangues, os bondes ou o passe-livre? Vamos terminar com o que está errado, e não com o que está certo. O passe-livre é, sim, necessário”, disse Alceu.

Para o ex-prefeito é preciso manter o passe-livre, “o que não pode é extinguir radicalmente uma conquista de quanto tempo… É uma conquista que não pode retroceder”.

A Lei do Passe Livre existe há 20 anos. Sob nº 5025, de 23 de dezembro de 1998, ela estabelece a isenção do pagamento de tarifa do transporte coletivo urbano do município (passe livre), no último domingo de cada mês do ano, para todos os usuários de transporte coletivo urbano de Caxias do Sul.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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