Transantiago estuda tecnologia mais moderna para coibir evasão no pagamento das tarifas

Foto: Captação de imagem Tele 13

Criação de um cadastro de maus pagadores já funciona, mas alcance ainda é muito pequeno

ALEXANDRE PELEGI

O Transantiago, sistema de transporte público que opera na região metropolitana da cidade de Santiago, capital do Chile, está sofrendo com o aumento da evasão de passageiros que não pagam a tarifa, os famosos “pula-catracas”.

Desde junho de 2018, o sistema passou a controlar os usuários que têm utilizado os ônibus sem pagar pelo serviço, instituindo uma espécie de “cadastro de não pagantes”.

O jornal chileno El Mercurio conseguiu junto ao governo local o número de passageiros do sistema entre junho e dezembro do ano passado. De um total de 380.703 usuários, 28.472 deles não pagaram a tarifa, e por conta disso foram convocados a prestar esclarecimentos nos tribunais da polícia local.

Segundo o El Mercurio, esse é o passo anterior antes do usuário ter seu nome inscrito no registro de evasões do sistema, no qual ele entra ao não pagar a multa ou não comparecer no dia da citação à polícia local.

Em 2018, desde a criação do cadastro, 685 pessoas passaram a fazer parte da lista – não pagaram a multa, ou não compareceram à polícia no dia da convocação.

Até o dia 21 de janeiro deste ano, 574 novos nomes incharam a lista, equivalente a 45,6% do total de registrados até o momento, 1259.

Paula Flores, chefe de Supervisão do Ministério dos Transportes, diz que aqueles que não cancelarem as penalidades por terem sido apanhados usando o Transantiago sem pagar, ou por não terem comparecido à convocação do tribunal, estão sujeitos a diversas sanções. Ela cita a não renovação da carteira de habilitação para dirigir ou ainda o cancelamento do Cartão Nacional de Estudante (TNE). Outra sanção pode ser a retenção do valor da multa na devolução de impostos.

Segundo aponta o jornal chileno, o controle de evasão ainda é precário.

Juan Carlos Muñoz, diretor do Centro de Desenvolvimento Urbano Sustentável (CEDEUS) da Universidade Católica do Chile, afirmou ao El Mercúrio que “a proporção de viagens controladas é inferior a 0,1%. Então, se eu me dedicar a viajar sempre de graça, apenas a cada mil viagens eu teria que pagar uma multa“.

Para o professor, “os esforços de controle parecem muito precários e deveriam ser muito maiores“.

Em resposta, a ministra de Transportes, Gloria Hutt, diz que uma nova metodologia para medir a evasão deve começar a vigorar em março.

Nós vamos ter uma grande mudança na seleção de amostras, na análise de dados e na produção dos índices de medição“, diz ela. “Na licitação de serviços complementares, que ocorrerá no próximo ano, está prevista a existência de elementos de controle tecnológico da evasão“, acrescenta. Também se considera a utilização de tecnologias para identificar os pula-catracas mediante reconhecimento facial.

COMO FUNCIONA O CADASTRO

O chamado “Registro de evasores do Transantiago”, mecanismo pelo qual são identificados aqueles que não pagam sua passagem no transporte público metropolitano da capital chilena, passou a vigorar em junho de 2018.

A lei que permite a identificação dos não pagantes, que apenas no primeiro trimestre de 2018 chegou a 28,5% do total de usuários do sistema, foi publicada no Diário Oficial do país em 5 de abril do ano passado.

De acordo com os números, mais de 96 mil pessoas foram convocadas em 2018 a comparecer aos tribunais locais por não terem pago a tarifa nos ônibus.

De acordo com as regras, os nomes dos infratores são entregues ao Ministério dos Transportes, que publica as identidades através de um site.

Mas a entrada no registro de evasores não é imediata. Após não pagar uma vez a tarifa, seu nome só será incluído se ele não comparecer perante o tribunal e não pagar a multa correspondente. Se cumprir a sanção inicial, ela não terá seu nome adicionado ao cadastro.

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Comentários

Comentários

  1. Luiz Guimarães saudade disse:

    Que faça catraca dois metros…

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