Linha do VLT do Rio está pronta, mas Crivella condiciona inauguração a acerto financeiro com concessionária
Publicado em: 16 de janeiro de 2019
Prefeito alega que contrato obrigaria prefeitura a subsidiar o sistema
ALEXANDRE PELEGI
A Linha 3 do VLT Carioca, que liga a Central do Brasil ao Aeroporto Santos Dumont pela Marechal Rondon, já poderia estar em funcionamento. A própria prefeitura chegou a anunciar que a operação poderia já começar em dezembro passado.
Relembre: Linha 3 do VLT do Rio de Janeiro deve começar a operar em dezembro
Com as obras concluídas, no entanto, um impasse impede que o trecho entre em operação.
A Concessionária VLT carioca condiciona a inauguração ao pagamento das obras feitas, o que a prefeitura contesta.
O prefeito Marcelo Crivella justifica o não pagamento a um detalhe contratual: o VLT transporta hoje 60 mil passageiros por dia, quando o contrato inicial previa cerca de 260 mil.
Em entrevista à Rádio Tupi, conforme matéria de hoje, 16 de janeiro de 2019, do jornal O Dia, Crivella afirmou que o contrato assinado com a Concessionária prevê que a prefeitura deve arcar com a receita não realizada no caso da demanda diária ser inferior a 260 mil usuários. Ou seja, estaria subsidiando o sistema. “Hoje, tem apenas 60 mil (passageiros por dia), e a Prefeitura do Rio tem que pagar o resto. Estamos procurando fazer um equilíbrio do contrato, porque é muito caro pagar 200 mil passagens todos os dias“.
O VLT Carioca cobra os repasses das obras executadas. Sem isso, alega que não pode regularizar os pagamentos, o que inviabiliza a operação. Em nota ao jornal O Dia, o Consórcio ressalta que a Linha 3 já foi testada e está pronta para operar. “No entanto, as pendências financeiras com os fornecedores impedem o funcionamento do VLT neste momento“.
Quanto ao número de passageiros do sistema, a concessionária alega que vários fatores contribuíram para isso, como a crise econômica, o recuo de investidores no projeto Porto Maravilha e a não adoção de ações voltadas à melhoraria da mobilidade no Centro e no Porto.
Mesmo assim, a concessionária contesta os números divulgados pelo prefeito: ao invés de 60 mil passageiros/dia, a concessionária garante que são 80 mil. Quanto à demanda total, outro reparo: ao invés dos 260 mil passageiros diários, como afirma Crivella, o número correto é de 200 mil usuários.
LINHA 3
A nova linha ligará a Central do Brasil ao Aeroporto Santos Dumont via Av. Marechal Floriano e Avenida Rio Branco. Serão 7 de minutos de intervalo entre trens, com três novas paradas e trechos compartilhados com as linhas 1 e 2. Isso permitirá a redução de intervalos para 3,5 minutos na região da Central e na Av. Rio Branco.
Com a entrada em operação da Linha 3, a estimativa é de um crescimento entre 20% e 30% no número de usuários no sistema.
DETALHES DA LINHA 3
Começando na Central do Brasil a nova Linha terá três estações – Duque de Caxias (na Praça Cristiano Otoni), Camerino (próxima à rua de mesmo nome) e Santa Rita (situada próximo ao Largo de Santa Rita). Após essas paradas ela se unirá à Linha 1, entre as estações São Bento e Candelária, ponto onde reforçará o fluxo de passageiros até o Aeroporto Santos Dumont.
Na última semana de novembro a Prefeitura do Rio começou os testes dinâmicos para preparar a operação deste que será o último trecho previsto no sistema do VLT da capital fluminense.
Veja fotos dos testes:
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

