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Linha 18-Bronze do ABC será implementada, mas governo do Estado estuda o “melhor formato”, diz Doria em São Bernardo do Campo

Ilustração de monotrilho. Linhas estão ficando cada vez mais cara. Imagem: Abifer – Clique para ampliar

Segundo governador, existem alternativas para a ligação que ainda serão anunciadas

ADAMO BAZANI

Em agenda pública nesta terça-feira, 15 de janeiro de 2019, durante a inauguração de uma unidade da rede “Bom Prato”, de alimentação popular, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, o governador de São Paulo, João Doria, garantiu que a linha 18-Bronze vai ser implementada ainda em sua gestão.

Projetada como monotrilho, a linha 18 deve ligar São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul até a estação Tamanduateí, da linha 2-Verde do Metrô e 10-Turquesa da CPTM, na capital. As obras deveriam ter sido concluídas entre 2014 e 2015. O modal foi apontado, em 2009, como alternativa de baixo custo em comparação ao metrô.

Entretanto, depois de atrasos e pelas complexidades técnicas para a implantação, os monotrilhos estão ficando cada vez mais caros e os custos por quilômetro têm se aproximado de uma linha de metrô, apesar de a capacidade ser bem menor.

Segundo Doria, o governo do Estado realiza estudos para definir o melhor formato e aí sim, retomar os planos para a ligação prevista. O governador não descarta um novo projeto.

“Essa linha 18 será implementada. Estamos estudando qual o melhor formato, mas obra parada não vai existir em nosso governo. O próprio projeto pode mudar para uma viabilização com recursos privados”. – disse Doria.

Ouça:

https://diariodotransporte.com.br/wp-content/uploads/2019/01/DORIAM18-1.mp3?_=1

O governador disse que não haverá dinheiro público para obras de transporte coletivo e insistiu nos modelos de PPPs  – Parcerias Público Privadas.

A linha 18 é uma PPP, mas a falta de recursos para o governo estadual financiar as desapropriações necessárias para a instalação das estações e das vigas dos elevados do sistema de trens com pneus atualmente é o maior entrave para o monotrilho.

O cálculo do Governo do Estado é que sejam necessários para desapropriação, US$ 182,7 milhões – o equivalente a R$ 680 milhões pela cotação da tarde desta terça-feira, 15 de janeiro de 2019.

Doria disse ainda que em breve serão anunciadas alternativas para a implantação da ligação da linha 18.

“Quero deixar claro que não haverá dinheiro público para o transporte coletivo. Todas as nossas ações serão feitas através de PPP – Parcerias Público Privadas. Nós estamos estudando qual a melhor das alternativas, mas há alternativas. Estamos cientes de que há e oportunamente vamos anunciar.”

https://diariodotransporte.com.br/wp-content/uploads/2019/01/DORIAM18-2.mp3?_=2

Desde 2015, o Governo do Estado tenta, mas não consegue aval da Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), órgão colegiado do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, para obter dinheiro no exterior. O aval é necessário porque em caso de operações externas, o Governo Federal atuaria como uma espécie de fiador do negócio. Se São Paulo não pagasse, a conta iria para a União. Mas o Estado, na ocasião tinha um índice de risco de inadimplência, na visão da Cofiex, alto e a classificação de crédito era C-.

Em 2014, o monotrilho da linha 18-Bronze tinha uma previsão de consumir R$ 4,69 bilhões (R$ 4.699.274.000,00) para ficar pronto. Agora, os 15,7 km devem custar mais de R$ 5,5 bilhões, de acordo com atualização do governo do Estado.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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