Prefeito de Contagem volta a negar reajuste da tarifa de ônibus e exige contrapartidas das empresas

Foto: Prefeitura de Contagem

Prefeitura condiciona reajuste da tarifa a renovação total da frota até 2020, instalação de Wi-Fi nos ônibus e desenvolvimento de aplicativo para os usuários

ALEXANDRE PELEGI

O prefeito de Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte, tem reagido negativamente ao pedido das empresas que operam o transporte coletivo da cidade de reajustar a tarifa dos ônibus.

Em coletiva de imprensa no dia 28 de dezembro de 2018, Alex de Freitas garantiu que o município não vai aumentar o valor das passagens de ônibus conforme solicitaram as concessionárias. Ele condicionou qualquer aumento à melhoria no sistema de transporte. Relembre: Prefeito de Contagem se nega a conceder aumento da tarifa de ônibus solicitado pelas empresas

Ontem, dia 4 de janeiro de 2019, em reunião do Conselho Municipal de Trânsito, Alex de Freitas voltou a negar o reajuste, e especificou quais são as melhorais que exige que as empresas se comprometam em troca de qualquer reajuste tarifário: renovação total da frota até 2020; instalação de Wi-Fi nos ônibus; e desenvolvimento de aplicativo para os usuários do transporte coletivo.

No caso da renovação da frota, a prefeitura inicialmente propôs que 50% dos ônibus fossem substituídos em 2019 e o restante em 2020. Mais à frente, o prefeito chegou a afirmar que poderia aceitar um índice menor de renovação em 2019, de 30%.

A reunião do Conselho reuniu representantes da prefeitura e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram). O Sintram apresentou novo pedido, desta vez com dois valores: tarifa a R$ 4,50 para o pagamento em dinheiro e R$ 4,35 para os usuários do cartão Ótimo.

HISTÓRICO

A prefeitura tentou realizar a licitação dos ônibus, mas o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) determinou a suspensão cautelar do certame no dia 22 de novembro passado. Relembre: TCE determina suspensão de licitação para transporte coletivo de Contagem (MG)

As empresas chegaram a pedir inicialmente um reajuste de 17%, o que elevaria o valor da tarifa dos atuais R$ 4,05 para R$ 4,75. Na reunião de ontem os valores foram reduzidos, mas a prefeitura novamente recusou o pedido, por achar que não há contrapartidas que justifiquem qualquer aumento no custo da passagem dos ônibus.

Atualmente dois consórcios dividem a operação das 48 linhas de ônibus da cidade: Consórcio Norte (formado pelas empresas São Gonçalo, Nossa Senhora da Boa Viagem, do grupo Transmoreira; Riacho, do grupo Transimão; e Novo Retiro) e Consórcio Sul (Turilessa, do grupo Saritur; Laguna Auto Ônibus, Transimão e Transvia, do grupo São Gonçalo)

Os dois Consórcios operam juntos 310 veículos, que transportam cerca de 2,4 milhões de passageiros por mês dentro do município da Grande BH.

Com a nova recusa do prefeito, a decisão sobre um eventual aumento fica postergada para uma nova reunião do Conselho Municipal de Transportes, marcada para a próxima segunda-feira, dia 7 de janeiro.

Nesta reunião deverão participar novamente representantes das empresas de ônibus, da Autarquia Municipal de Trânsito e Transportes de Contagem (TransCon), da Câmara Municipal e usuários.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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