Tarifa de ônibus de São Bento do Sul (SC) pode chegar a R$ 4,92

Pelo Plano de Outorga apresentado pela prefeitura, novos ônibus serão padronizados na cor verde, com detalhes em vermelho, como na bandeira do município. Foto: Alexandre F. Gonçalves

Prefeitura decide usar a metodologia desenvolvida pela ANTP para os cálculos do novo valor da passagem do transporte municipal

ALEXANDRE PELEGI

A cidade de São Bento do Sul, em Santa Catarina, está debatendo o plano de outorga para a contratação do transporte público coletivo.

O município com mais de 80 mil habitantes realizou uma audiência pública na semana passada, quando apresentou o projeto que servirá para embasar o termo de referência para a licitação do serviço, marcada para ocorrer em 2019.

Pelo documento preparado pela prefeitura, o novo sistema de transporte passará a se chamar “Sistema Integrado de Mobilidade (SIM)”, com logomarca e identidade visual específicas.

Os ônibus do SIM serão padronizados na cor verde, com detalhes em vermelho, remetendo à bandeira do município.

Os quatro terminais urbanos – Centro, Serra Alta, Centenário e Oxford – deverão receber monitores LCD com pelo menos 40 polegadas.

O plano de outorga define também a implantação de sistema de monitoramento de imagens, com câmeras voltadas a identificar incidentes.

A frota de ônibus terá sistema de monitoramento por GPS, possibilitando a coleta de dados operacionais para a fiscalização, planejamento e gerenciamento.

Todos os ônibus deverão ter Wi-Fi gratuito, com painel de led no para-brisa para identificação da linha.

VALOR DA TARIFA

Com todas essas melhorias o plano da prefeitura estima uma tarifa de R$ 4,92, valor que inclui também os custos e despesas, além de encargos gerais, investimentos, depreciação e remuneração do sistema.

A prefeitura pretende agora encaminhar o plano de outorga para análise do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC).

O Tribunal terá 60 dias para responder, e em caso de avaliação positiva, a Prefeitura estará apta a lançar o edital de licitação do transporte coletivo.

Para estimar o novo valor da tarifa (R$ 4,92), a prefeitura de São Bento do Sul adotou o método proposto pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), a “Planilha ANTP”.  A tarifa está em hoje R$ 4,40, reajuste concedido em fevereiro deste ano. A Coletivos Rainha, atual empresa concessionária do transporte local, estima que a tarifa deveria estar em R$ 4,99, mas para isso usou cálculos próprios.

A ANTP atualizou a planilha antiga, do Geipot – Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes, hoje Empresa Brasileira de Planejamento de Transporte, e apresentou um novo modelo considerado pelos seus técnicos, mais transparente. O lançamento da planilha teve cobertura do Diário do Transporte, em 21 de agosto de 2017. Relembre: Cidades brasileiras devem adotar nova planilha de tarifas de ônibus que prevê custos maiores

Um dos principais objetivos do estudo é trazer mais transparência nos cálculos do valor das passagens e mensurar os custos de maneira melhor. Entre as novidades, está a inclusão de riscos de operação dos transportes.

Desde o lançamento, e sob coordenação da ANTP, técnicos estão realizando workshops em várias regiões do país para disseminar o conteúdo da Planilha, demonstrando para prefeitos, secretários de transportes, responsáveis por gerenciadoras públicas e empresários de ônibus, como a nova planilha pode ser usada para os respectivos sistemas locais de mobilidade.

PREFEITURA TENTOU LICITAR SISTEMA DE TRANSPORTE EM JUNHO DE 2018

A prefeitura emitiu um decreto em julho deste ano dando prazo de 45 dias para promover a licitação dos serviços de ônibus urbanos, mas acabou prorrogando o processo para outubro de 2019.

No dia 31 de outubro de 2017 o prefeito Magno Bollmann publicou um decreto nomeando a comissão de acompanhamento e fiscalização do processo licitatório. A missão da comissão era elaborar o Plano de Outorga, documento base para o edital da licitação que deveria ser lançado este ano.

Como o plano não foi concluído devido à coleta de dados, prejudicada por eventos como a Copa do Mundo, a greve dos caminhoneiros e até mesmo as férias escolares, a prefeitura adiou o processo para 6 de outubro de 2019.

Enquanto isso, a cidade continua sendo atendida em caráter emergencial pela Coletivos Rainha, que assumiu a concessão do transporte local em 1996 com 20 anos de prazo, portanto já encerrado.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Accorsi Godoy disse:

    O aumento de salários , notadamente em cidades com significativo número de industrias, em certa medida, é também uma compensação pelos custos mais elevados no município uma vez que a concentração de indústrias tende a provocar aumentos em alugueres, maior dificuldade e custos na locomoção , em especial no transporte coletivo público e há o surgimento ou agravamento da qualidade do meio ambiente, variável dependente da eficácia da fiscalização ambiental .
    Em São Bento do Sul, salário médio mensal dos trabalhadores formais é o equivalente a 2,4 salários mínimos ( https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sc/sao-bento-do-sul/panorama _

    Avalio que para os usuários do transporte coletivo naturais de São Bento do Sul e os que aqui fixaram residência, a situação resumida acima aplica-se com maior propriedade para uma cidade como Joinville. Nessa perspectiva , s .m.j., o aumento em São Bento do Sul ( R$ 4,75) é alto sendo mais um argumento representativo, a comparação com o valor da Compra embarcada que perfaz R$ 4,80 em Joinville ( http://www.gidion.com.br/tarifas ) . Em Joinville,o salário médio mensal dos trabalhadores formais totaliza 2,9 salários mínimos (https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sc/joinville/panorama ), ou aproximadamente 20,8% a mais que o valor em São Bento do Sul. Em resumo, o valor de R$ 4,80 mantém maior coerência com as premissas indicadas no início. Em São Bento do Sul , mas um estímulo para um uso mais intensivo do transporte individual com os gastos adicionais em razão de longas filas de veículos em horários diversos. A planilha de custos, se divulgada pela prefeitura possibilitaria análises mais completas

  2. Paulo Accorsi Godoy disse:

    A questão ambiental em São Bento do Sul, notadamente a poluição sonora/perturbação do sossego alheio, tem um estímulo ocasionado pela atualização na sistemática de cálculo das tarifas de transporte coletivo.
    Para o cálculo houve enfim a adoção de uma planilha mais condizente e atualizada.
    “ Para estimar o novo valor da tarifa…. A prefeitura de São Bento do Sul adotou o método proposto pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), a “Planilha ANTP”.
    A ANTP atualizou a planilha antiga, do Geipot – Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes, hoje Empresa Brasileira de Planejamento de Transporte, e apresentou um novo modelo considerado pelos seus técnicos, mais transparente (https://diariodotransporte.com.br/2018/12/24/tarifa-de-onibus-de-sao-bento-do-sul-sc-pode-chegar-a-r-492/) “
    Provavelmente houve consideração de informações do “ PLANO DE OUTORGA PARA A CONTRATAÇÃO DO TRANSPORTE PÚBLICO COLETIVO DE SÃO BENTO DO SUL/SC “
    Dessa forma, …os cálculos da tarifa do transporte público coletivo, não mais utiliza o Método proposto pelo GEIPOT/EBTU (“Planilha GEIPOT”)
    Houve, portanto, a consideração e aceitação pela prefeitura de variáveis como as citadas à página 3 do plano de outorga:
    “Não foram considerados os seguintes temas: novas tecnologias, questões ambientais, a introdução de sistemas eletrônicos de controles, a ampliação de gratuidades, etc.”
    ==file:///C:/Users/…downloads/5.Audi%C3%AAncia%20P%C3%BAblica%20vf%20(2).pdf

    Com a nova planilha haverá a consideração de temas como indicado acima, destacando inclusive as questões ambientais.
    Não poderia ser diferente. As questões ambientais afetam diretamente a qualidade de vida, tanto em questões de eficácia no transporte, como em questões de geração de ruídos e barulhos em níveis prejudiciais.
    Nesse particular a poluição sonora/perturbação do sossego alheio, deverá necessariamente ter a mesma compreensão, atitudes, urgência e atualização pelo poder público municipal diante de seus feitos nocivos, prejudiciais e tal como a substituição da planilha, pela adoção de ações legais e administrativas efetivas para controle/eliminação dessa incomodidade

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