Segurança do Metrô de São Paulo é agredido por vendedor irregular. Na CPTM, agente leva pedrada

Ocorrência foi registrada na Estação Carandiru. Foto: Divulgação.

Ao todo, cinco vendedores ambulantes estiveram presentes no momento da confusão

JESSICA MARQUES / ADAMO BAZANI

Em dois dias, dois profissionais de segurança do Metrô e da CPTM registraram boletim de ocorrência acusando vendedores ambulantes de agressão.

Os agentes tentavam impedir o comércio irregular nos trens e estações. Um caso ocorreu no Metrô, no sábado, 22, e outro, na CPTM, nesta segunda-feira, 24 de dezembro.

Por volta das 16h deste sábado, 22 de dezembro de 2018, um segurança do Metrô diz ter sofrido agressões cometidas por um homem suspeito de comércio irregular na Estação Carandiru da Linha 1-Azul.

Conforme imagens divulgadas em redes sociais, o segurança abordou o vendedor ambulante e segurado o funcionário do Metrô pelo pescoço e o arrastou no sentido da via férrea, tentando desferir socos contra o segurança.

Ainda de acordo com as imagens, uma segurança do Metrô, junto a outros passageiros, tentou separar o tumulto e o suspeito foi rendido. Em seguida, mais três vendedores ambulantes desembarcaram de um trem e se juntaram ao suspeito e a mais um ambulante que já estava na plataforma.

Ao final do vídeo, quando o ambulante está rendido, as imagens mostram que o segurança que foi agredido desfere golpes contra a perna do suspeito, com um cassetete.

De acordo com informações de testemunhas que estavam no local, os autores das agressões contra o segurança o ameaçaram dizendo que iriam “voltar” para matá-lo na estação.

Ao Diário do Transporte, o Metrô de São Paulo informou que dois ambulantes ilegais foram encaminhados para a Delegacia de Polícia do Metropolitano, na estação Palmeiras Barra-Funda.

Confira a nota sobre a ocorrência, na íntegra:

“No sábado, 22, por volta das 16h, um vendedor ambulante ilegal foi abordado e orientado por um segurança na estação Carandiru a deixar o sistema. Depois de orientado, esse ambulante ilegal avançou para cima do nosso funcionário em serviço e passou a agredi-lo. Esse ambulante ilegal, que foi em seguida contido por outros funcionários, com ajuda até de usuários, e mais um acompanhante, foram encaminhados para a Delegacia de Polícia do Metropolitano, na estação Palmeiras Barra-Funda. Nosso funcionário passou por exame de corpo de delito devido às lesões que sofreu e foi liberado.”

O Decreto nº 1832, de 4 de março de 1996, é o instrumento legal que regulamentou os transportes ferroviários em São Paulo. De acordo com o artigo 40 do documento, é proibida a negociação ou comercialização de produtos no interior dos trens, nas estações e instalações, exceto aqueles devidamente autorizados pela administração ferroviária.

Por sua vez, o artigo 41 do decreto permite que as pessoas que se apresentem ou se comportem de forma inconveniente sejam impedidas de entrar ou permanecer em suas dependências.

Confira os artigos, na íntegra:

Art. 40. É vedada a negociação ou comercialização de produtos e serviços no interior dos trens, nas estações e instalações, exceto aqueles devidamente autorizados pela Administração Ferroviária.

Parágrafo único. É proibida também a prática de jogos de azar ou de atividades que venham a perturbar os usuários.

Art. 41. A Administração Ferroviária poderá impedir a entrada ou permanência, em suas dependências, de pessoas que se apresentem ou se comportem de forma inconveniente.

Confira o vídeo, que foi editado para preservar a identidade do segurança:

CPTM:

Nesta segunda-feira, 24 de dezembro de 2018, segundo a SSP – Secretaria de Segurança Pública, um agente da CPTM levou uma pedrada a Estação Engenheiro Cardoso, em Itapevi, da linha 8 Diamante durante uma ação de combate a atuação de vendedores ambulantes.

“Um vigilante de 28 anos que trabalhava na Estação Engenheiro Cardoso, em Itapevi, da linha 8-Diamante, foi ferido por uma pedrada por volta da 10h desta segunda-feira, 24 de dezembro de 2018. Testemunhas disseram que os vigilantes faziam uma fiscalização de comércio irregular na estação, quando cinco vendedores ambulantes invadiram o saguão e começaram uma discussão com os seguranças. Os vigilantes e ambulantes desceram as escadas da estação, quando o vigilante foi atingido por uma pedrada na cabeça. Ele caiu no chão e foi levado para o Pronto Socorro Regional de Osasco. O agressor ainda não foi identificado. O caso foi registrado como lesão corporal na delegacia de Itapevi, que requisitou exame de corpo de delito.”

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. rebU disse:

    Aproveitando o assunto, eu queria saber para que servem aquelas câmeras instaladas dentro dos trens.
    Por que o Metrô pede nossa ajuda para denunciar esses ambulantes se existem essas câmeras? Estão querendo expôr os usuários a riscos como esse?

    1. vagligeirinho disse:

      Não sei se é o ideal a ser divulgado (como estes comentários são moderados, caso disponível vai dizer que sim, pode ser), mas as câmeras dos trens são que nem as câmeras usadas em comércio: apesar de funcionar em tempo real para monitoria do operador do trem, o único acesso de tempo real é apenas por este método. No entanto as câmeras gravam e guardam a informação por um tempo (indeterminado) e caso necessário, são acessáveis para usar como prova em caso de crimes.

      Como o comércio ilegal é apenas uma contravenção (pena mais branda), usar as gravações é algo inócuo. As gravações são usadas apenas em caso de crimes graves (como tentativas de roubo e furto, ou como no caso das agressões relatadas, se ocorresse dentro do trem).

  2. Carlos A. disse:

    Maior culpado pelo comércio dentro dos trens da Cptm e metro são as pessoas que compram essas mercadorias sem pensar que muitas vezes são produtos oriundos de roubo.

  3. Nestor Dias disse:

    Concordo plenamente a população deveria apoiar os agentes e não defender os infratores muitas das vezes são ladrões, importunadores, só e utilizado força qua do há recusa para deixarem o sistema que e a orientação do Metrô, cumprindo o regulamento e amparado por lei, enquanto estivermos defendendo o lado errado não conseguiremos melhorar a viagem e a segurança operacional e pública.

  4. Leke 29 disse:

    Deteste esse ambulantes, tiram o total conforto dos passageiros. Mas a população é burra, continua comprando, logo continuará existindo.

  5. Alfredo disse:

    Uma baderna, os deputados estaduais devem agravar a lei para que a sensação de impunidade acabe, cobrando uma multa e levando a prisão quem for reincidente, na linha amarela parece que não tem ambulantes

    1. Andre disse:

      Na linha amarela não tem ambulantes pela linha ser mista, ou seja, privada e pública. Fora isso, a vigilância nestas estações são bem melhores também. E, o comércio não é só ruim dentro dos metrôs. Não é incomum ver vendedores com quintandinhas e mercadorias expostas na Luz exatamente na integração das linhas azul, amarela e linhas de trens.

      Infelizmente, a população cai de paraquedas nos ocorridos e parte para cima do segurança, quando o ambulante se faz de vítima e o segurança está apenas fazendo seu trabalho impedindo a ação do mesmo.

      Triste retrato brasileiro.

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