Rio de Janeiro aprova construção de miniapartamentos com menos vagas para carros em áreas próximas a estações de metrô, trem ou BRT

Novo Código de Obras quer estimular moradias menores, com menos vagas para veículos, no entorno dos principais eixos de transportes da capital

Câmara dos Vereadores aprovou o novo Código de Obras; projeto segue para sanção do prefeito Crivella

ALEXANDRE PELEGI

A Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro aprovou na semana passada o novo Código de Obras da cidade.

O texto segue agora para sanção do prefeito Marcelo Crivella.

Pelas novas regras, um apartamento construído poderá ter como 25 m² como tamanho mínimo. A regra só não vale para os bairros da Barra, Recreio, Vargem Grande e Ilha do Governador. Até hoje, novos apartamentos não podiam ter menos de 55m².

Em São Paulo, em 2017, uma construtora anunciou o lançamento de um edifício no centro com apenas 10 metros quadrados.

Outra mudança importante é quanto à construção de prédios próximos a estações de metrô, trem ou BRT. O novo Código de Obras prevê que nesses casos as moradias poderão ter menos vagas para veículos, regra que vale para lançamentos e para o imóvel reformado, quando for subdividido em mais dormitórios.

Essa postura vai ao encontro do conceito de “Transit Oriented Development”, o crescimento orientado junto aos eixos de transporte público. Os planos diretores recentes de São Paulo já consideram essa possibilidade, e alguns resultados já são observados em regiões da capital, como na zona Oeste.

Como grande parte da população vive atualmente nas periferias, longe dos eixos estruturais da cidade, o Plano Diretor de São Paulo estimula a construção de prédios com mais moradores (produzindo um adensamento populacional na vertical) em áreas localizadas no entorno dos eixos de transporte: estações de trem e de metrô, monotrilho e corredores de ônibus. Um dos objetivos é desestimular o uso do transporte individual motorizado e integrar o transporte coletivo com meios não motorizados de transporte.

No Rio de Janeiro, onde o novo Código vinha sendo alvo de debates há dois anos, o mercado imobiliário busca entrar em sintonia com essa tendência que é mundial: moradias cada vez menores e situadas em áreas centrais, onde existe uma ampla oferta de serviços, áreas de comércio e linhas de transporte público.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta