Em protesto contra projeto de linhas sem cobrador, rodoviários de Fortaleza paralisam Terminal do Antônio Bezerra

Antônio Bezerra foi o quarto terminal paralisado em menos de uma semana pelo movimento dos motoristas e cobradores

Manifestação ocorreu na tarde desta quinta-feira, dia 20. Sindicato quer fim do projeto que prevê ônibus apenas com pagamento por meio eletrônico

ALEXANDRE PELEGI

Numa série de protestos promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro), motoristas e cobradores paralisaram o Terminal do Antônio Bezerra na tarde desta quinta-feira, dia 20 de dezembro de 2018.

O local ficou fechado das 14h30min até às 16h30min em uma manifestação da categoria contra o projeto da Prefeitura de Fortaleza que, segundo o sindicato, pode pôr fim à função de cobrador no transporte coletivo da capital cearense.

A instalação de um sistema que descarta a presença do cobrador em caráter experimental em algumas linhas de ônibus que operam na capital e na Região Metropolitana causaram preocupação, segundo o Sintro (Sindicato dos Rodoviários do Estado do Ceará).

O Sindicato acusa a prefeitura e as empresas de estarem tramando as demissões de profissionais da categoria.

Em Fortaleza, a extinção do cobrador ainda não é objeto de lei, como em Curitiba, mas preocupa o sindicato da categoria diante de testes que começaram a ser realizados no fim de outubro na linha 150 (Siqueira/ Papicu/ Washington Soares) da capital cearense. A 150 faz o mesmo itinerário da linha 050-Siqueira/Papicu/Washington Soares.

Os veículos que rodam nas linhas escolhidas para o projeto-piloto aceitam apenas pagamento eletrônico – vale transporte, bilhete único ou carteirinha de estudante (com crédito).

O ônibus circula sem a figura do cobrador e, portanto, não aceita passageiros que desejam pagar a tarifa em dinheiro.

O Sintro fez manifestações semelhantes nos últimos dias nos terminais da Messejana, Papicu e Siqueira.

Hoje já são 11 as linhas que circulam na capital cearense sem a presença do cobrador, e sem o dinheiro como forma de pagamento.

Para quem prefere pagar a passagem em dinheiro, a SCSP esclarece que “o projeto piloto não interfere na opção dos usuários que utilizam outra forma de pagamento, já que as novas linhas realizam os mesmos percursos de linhas já existentes, ou seja, operam simultaneamente.”

E para quem se queixa da ausência do cobrador, os dois órgãos municipais, Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) e a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), já esclareceram por meio de nota que buscam somente “fornecer mais uma alternativa para o usuário do transporte público, promovendo ganhos de velocidade, mas mantendo o serviço original nas linhas já existentes”. E que o conceito adotado se propõe a ser uma estratégia de operação de curto prazo, “mantendo o serviço original do sistema, onde os cobradores estão presentes”.

Em resumo, o objetivo é usar a tecnologia para agilizar o embarque e desembarque de passageiros, e desta forma encurtar os tempos de viagem dos ônibus, melhorando a conexão entre os terminais do Siqueira, Conjunto Ceará e Papicu.

Outro ponto citado pela administração municipal é a redução do dinheiro a bordo dos ônibus, o que aumenta a segurança, tanto do público, como dos funcionários.

As novas linhas permitem também o uso da integração por Bilhete Único.

O medo dos rodoviários de Fortaleza é que o projeto possa gerar a demissão de 4.500 trabalhadores.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

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Comentários

Comentários

  1. Marcos disse:

    Sem dinheiro nos onibus traz segurança para s empresa e nao para os passageiros….pois sem dinheiro nos onibus os vagabundos assaltam os passageiros…..ja quevai tirar o cobrador que tal colocar um segurança em cada onibus….as repartiçoes publicas tem…..o transporte tb e publico…..

  2. Renato Carlos Pavanelli disse:

    Projeto poder ser extremamente polêmico, mas, com o arrocho financeiro das empresas e o avanço da tecnologia, em período próximo isso vai ocorrer em todo o Brasil, tipo Europa e América do Norte.

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