Requerimento da Alesp quer esclarecimentos do Governo do Estado sobre atrasos em monotrilhos

Cenário ainda não está claro para monotrilhos em São Paulo. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte)/Clique para Ampliar

Sistemas estão incompletos, mais caros que planejados e com indefinições em obras e fornecedores. Nesta semana, TCE também pediu novas explicações

ADAMO BAZANI

Apontados ainda em 2010 como uma das alternativas rápidas e baratas para melhorar a mobilidade em pontos da cidade de São Paulo e do ABC Paulista, passados oito anos, os monotrilhos são sinônimos de incerteza e transtornos para quem mora próximo das vigas dos elevados e estações cujos trechos não foram concluídos.

Mais caros e menores em comparação aos projetos iniciais, os três monotrilhos previstos apresentam dúvidas quanto à tecnologia, cronograma de obras, viabilidade, desapropriações,contratos e fornecimento de trens e materiais.

Na edição do Diário Oficial deste sábado, 15 de dezembro de 2018, a Alesp – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo publicou requerimento que pede explicações do governo estadual sobre as previsões e custos reais das linhas 15-Prata, da zona Leste, e 17-Ouro, da zona Sul.

Assinado pelo deputado Edmir Chedid, o requerimento lança uma série de questionamentos sobre os projetos.

 – Em que fase de execução está o Projeto Executivo das obras das duas linhas de monotrilho de São Paulo, a Linha 15-Prata e Linha 17-Ouro?

– Por que foram adiados os prazos de conclusão das obras do monotrilho, que eram para terem sido entregues antes da Copa do Mundo de 2014?

– Por que foram reduzidas as extensões das linhas do monotrilho?

– Por que houve uma elevação de preços por quilômetro nas obras das linhas do monotrilho? Qual o valor desse aumento de preço?

– Como está sendo a produção dos trens para as duas linhas do monotrilho? Estão sendo fabricadas as quantidades de trens que foram acordadas e estão sendo cumpridos os prazos?

O requerimento na Alesp também cita outro problema em relação à linha 17: as dúvidas quanto ao fornecimento dos trens com pneus que circulam nos elevados.

A empresa da Malásia, Scomi, sinalizou abandonar o consórcio por problemas financeiros.

– A mídia nacional noticiou que a empresa responsável pela fabricação dos trens da linha 17-Ouro, sinalizou que pretende sair do consórcio com o Metrô de São Paulo, caso isto ocorra que atitudes estão sendo adotadas para evitar mais atrasos e elevação de preços nas obras do monotrilho?

A Scomi assinou contrato com o Metrô de São Paulo em 2013 e deveria produzir 14 monotrilhos de cinco carros, mas até hoje nenhuma composição foi entregue devido o atraso na linha.

Quando a sinalização da empresa se tornou pública, o Metrô disse que a situação seria resolvida até o fim de novembro,  o que não ocorreu.

O impasse ainda não foi resolvido, mas o Diário do Transporte apurou que o fornecimento de trens para a  linha despertou o interesse de outras empresas de segmentos ferroviários e de ônibus elétricos, mas ainda as negociações estão em curso.

O deputado ainda pede para análise cópias dos contratos com as empresas envolvidas nas obras e fornecimento de trens e equipamentos.

– Qual a previsão de encerramento das obras e entrega das linhas do monotrilho em funcionamento?

– Qual a previsão de gastos no total com as duas linhas do monotrilho?

– Cópia do Projeto Executivo de obras e serviços das linhas do monotrilho;

– Cópia do consórcio do monotrilho;

– Cópia do contrato da empresa responsável pela elaboração do referido projeto e seus aditivos, se houver

Já é o segundo questionamento sobre monotrilhos somente nesta semana.

Como mostrou o Diário do Transporte, na quarta-feira, dia 12 de dezembro de 2018, o conselheiro do TCE – Tribunal de Constas do Estado de São Paulo, Antônio Roque Citadini, publicou um despacho que determina que o Metrô explique em 15 dias os novos cronogramas para a linha 17-Ouro.

O documento se refere a um processo que envolve a representação do CMI – CONSORCIO MONOTRILHO INTEGRAÇÃO e outro do CL17 – PÁTIO – Consórcio TIDP Linha 17-Ouro que contestam valores dos pagamentos pelo Metrô e possíveis defasagens.

O Consórcio Monotrilho Integração, formado pelas empresas CR Almeida, Andrade Gutierrez, Scomi e MPE, é responsável pela implantação de itens como vias, portas de plataformas, sistemas de sinalização, material rodante e CCO – Centro de Controle Operacional do trecho que vai das estações Jardim Aeroporto a Morumbi.

Após as representações e até mesmo disputas judicias, as obras foram retomadas, mas, segundo o despacho, ao qual o Diário do Transporte teve acesso, o TCE constatou que as intervenções estão “com mobilização de recursos humanos e materiais insuficientes”.

O Metrô informou que vai responder ao tribunal no prazo determinado e que negocia com o consórcio um novo cronograma. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/12/13/em-primeira-mao-metro-tera-que-explicar-em-15-dias-ao-tce-atrasos-na-linha-17-ouro-do-monotrilho/

HISTÓRICO DE PROBLEMAS:

Apenas 7,8 km de monotrilho estão em operação na linha 15, sendo que 5,5 km ainda sem o horário pleno da rede da companhia do Metropolitano.

Os três monotrilhos deveriam estar operando desde 2014 com 60,1 km de extensão.

O monotrilho da linha 15-Prata teve as obras iniciadas em 2011 e a previsão inicial era de que todo o traçado de 26,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Ipiranga e Hospital Cidade Tiradentes, fosse entregue em 2014 ao custo R$ 3,5 bilhões. Depois, a estimativa em junho de 2015 passou para R$ 4,6 bilhões para um trecho menor; de 15,3 km e 11 estações.

Mas agora, a estimativa de custo é de R$ 5,2 bilhões, com a entrega da estação Jardim Colonial, a última do trecho, somente em 2021.

Estão com os projetos congelados, sem previsão de obras, o trecho entre Vila Prudente e Ipiranga e o trecho que compreende as estações Jequiriçá, Jacú-Pêssego, ligação com o pátio Ragueb Choffi, Érico Semer, Cidade Tiradentes e Hospital Cidade Tiradentes.

A linha 17-Ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi. O valor orçado em junho de 2010 era de R$ 2,64 bilhões, sem valores futuros referentes aos reajustes contratuais, aditivos e novas contratações necessárias para implantação dos empreendimentos. O custo então passou para R$ 3,17 bilhões, mas para um trecho 10 quilômetros menor – cifra que não inclui as estações previstas no primeiro trecho, com extensão de 7,7 quilômetros. Em junho de 2018, o valor para conclusão das obras foi projetado em R$ 3,74 bilhões previsão para a entrega de oito estações até dezembro de 2019. O monotrilho não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e o Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas. Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4-Amarela do Metrô na estação São Paulo – Morumbi, inaugurada em 27 de outubro de 2018, e nem com estação Jabaquara da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD. Segundo o site do próprio Metrô, quando estiver totalmente pronto, este sistema de monotrilho atenderá 417,5 mil passageiros por dia.

O monotrilho da linha 18-Bronze sequer foi iniciado e há debates sobre se outro meio de transporte pode ser alternativa para a ligação. O projeto é que a linha 18 tenha 15,7 quilômetros de extensão, partindo de São Bernardo do Campo, passando por Santo André e São Caetano do Sul, até a Estação Tamanduateí, na Capital Paulista, onde deve fazer integração com a linha 10-Turquesa (Brás-Rio Grande da Serra) da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e a linha 2- Verde (Vila Madalena-Vila Prudente) do Metrô. Já foram assinados cinco aditivos contratuais. Não há previsão para a obra sair do papel.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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