Mesmo depois de 10 anos, transporte público ainda não conseguiu atrair quem anda de carro, diz Pesquisa Origem e Destino do Metrô

Trens da CPTM superlotados nos horários de pico. Foto: Adamo Bazani/Diário do Transporte – Clique para ampliar

Apenas houve mudanças entre modais dos transportes coletivos

ALEXANDRE PELEGI

Colaborou Adamo Bazani

A se comparar os números gerais das pesquisas Origem e Destino de 2007 e de 2017, é possível verificar que não houve mudanças significativas na forma como a região metropolitana se locomove.

Nesses 10 anos, tomando-se apenas as pontas do intervalo, tem-se, grosso modo, que a repartição dos modos de viagem permaneceu praticamente a mesma: 1/3 das viagens foram feitas a pé ou bicicleta, outro terço por transporte coletivo e o terço restante por transporte individual.

Apenas ocorreram mudanças entre os modos.

O destaque, no caso do transporte coletivo, foi para o crescimento do número de viagens do Metrô e da CPTM (dados do modo principal), algo próximo de 2,7 milhões/dia.

Fonte: Metrô SP (pesquisa OD)

Neste período, foram 400 mil viagens/dia a menos de ônibus, queda de 4%.

No caso do sistema de trilhos, a CPTM foi a que mais cresceu proporcionalmente, saltando de 800 mil viagens/dia em 2007 para 1,3 milhões de viagens/dia em 2017, um incremento de 55%. Já o Metrô, passou da OD de 2007 de 2,2 milhões de viagens/dia para 3,4 milhões de viagens/dia em 2017, 55% de aumento.

Apesar de continuar sendo o “patinho feio” dos trilhos em São Paulo, e das constantes falhas ainda prejudicarem demais os usuários, nos dez anos de intervalo da pesquisa houve uma sensível melhora na rede da CPTM. Já o Metrô, nesse período teve uma pequena expansão, mesmo assim, atraiu mais passageiros para o sistema.

ÔNIBUS NÃO RECEBEM INVESTIMENTOS ADEQUADOS:

Enquanto o sistema de trilhos não divide espaço com outros modos, os ônibus sofrem com a persistência do uso das ruas por um número excessivo de carros. A perda de passageiros nesse cenário, portanto, não é uma surpresa.

O equívoco maior está em não enxergar a responsabilidade do poder público nessa situação. Afinal, a garantia do viário, que permitiria a livre circulação dos ônibus, maior velocidade e, portanto,  regularidade e tempos menores de viagens, é função da gestão municipal no caso das linhas locais e do Governo do Estado, pela EMTU, das linhas que unem cidades diferentes dentro da região metropolitana.

APLICATIVOS:

Os aplicativos de transporte apresentaram um grande crescimento, mas numa base pequena: de cerca de 100 mil viagens/dia em 2007 para 500 mil viagens/dia em 2017, o que demonstra que é muito cedo ainda para concluir qualquer impacto negativo dessa modalidade na perda de passageiros do sistema por ônibus. A proporção de uma viagem por Taxi para cada três de aplicativos é a grande novidade. É um modo que ainda precisará ser analisado de maneira mais aprofundado, não apenas seus impactos sobre o trânsito e no meio ambiente, como seus possíveis efeitos negativos no transporte público coletivo por ônibus.

NA PRÁTICA, POUCO MUDOU:

O que mais chama a atenção na OD, no entanto, é manutenção do mesmo padrão de divisão modal em dez anos, o que demonstra a ausência de políticas de transporte que estimulassem o uso do transporte coletivo. O fato de o transporte individual manter 33% da divisão demonstra isso.

Segundo o consultor da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos, Eduardo Vasconcellos, em entrevista nesta terça-feira ao Diário do Transporte,  a única forma de alterar esse cenário seria com pesados investimentos em infraestrutura de transporte coletivo (como corredores de ônibus e linhas de metrô), ou em políticas de desestímulo ao uso do automóvel (pedágio urbano, combustível caro, etc). Com o transporte individual subsidiado como é hoje, dificilmente a divisão modal irá se alterar no médio prazo, segundo Vasconcellos.

Dados do SIMOB, Sistema de Informações da Mobilidade da ANTP, realizado com dados de cidades brasileiras com população superior a 60 mil habitantes, identificam esse padrão de divisão modal constante há alguns anos, o que demonstra a inexistência de políticas públicas que estimulem o uso de modos de transporte coletivo.

Fonte: Metrô SP (pesquisa OD)

FRETAMENTO EM QUEDA:

A pesquisa OD 2017 do Metrô mostrou também uma surpreendente queda do transporte por fretamento, de 40%. Em 2007 esse modo de transporte fazia 500 mil viagens/dia e caiu para menos da metade em 2017, cerca de 200 mil viagens/dia.

No intervalo entre as duas pesquisas a população da Região Metropolitana de São Paulo passou de 19 milhões em 2007 para 20,8 milhões em 2017, um aumento médio de 9%.

A PÉ E DE BICICLETA:

As bicicletas tiveram um forte crescimento nos deslocamentos no período, 33%, mas numa base pequena: de 0,3 milhões viagens/dia em 2007 passaram para 0,4 milhões viagens/dia em 2017.

O modo andar a pé manteve-se estável no período, com um crescimento de apenas 2%: 12,6 milhões de viagens/dia em 2007, contra 12,8 milhões /dia em 2017.

Os dados detalhados serão fornecidos pelo metrô em janeiro de 2019.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Colaborou Adamo Bazani

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Comentários

Comentários

  1. Pedro disse:

    As empresas e prefeitura estão dando um tiro na cabeça insistindo no transporte de péssima qualidade a tendencia e a falência, quem pode tem sim que utilizar o carro o nosso transporte público e uma porcaria.

  2. Daniel Duarte disse:

    Existem pessoas no Brasil, que não tem nem guarda-roupa, mas só usam roupas de marca, imagine uma pessoa dessa com carro, nunca mais pisa no transporte coletivo.

  3. Wilson disse:

    ” Enquanto o sistema de trilhos não divide espaço com outros modos, os ônibus sofrem com a persistência do uso das ruas por um número excessivo de carros. A perda de passageiros nesse cenário, portanto, não é uma surpresa.”

    * Vamos falar a verdade ? Um cidadão compra um automóvel,. paga IPVA , Licenciamento, Seguro Obrigatório, Impostos incidentes sobre os combustíveis seguro privado. Pelo o que eu entendi um automóvel gera milhares de empregos na industria tecelagem, industria metalúrgica, alimentos, petroquímica, siderúrgicas, autopeças e a industria é a alavanca do desenvolvimento econômico em varias regiões do Brasil como Vale do Paraíba Paulista , Região do ABCD, Região de Campinas, São Carlos, e nos estados da Bahia, Pernambuco, Santa Catarina , Goias, e Rio Grande do Sul e Paraná São milhares de empregos e famílias que dependem deste setor. Sempre tem uma nova montadora chegando no Brasil. O transporte coletivo não prospera por causa da corrupção, ônibus velhos, sujos, funcionários mal educados e pior outro dia aqui em Guaratinguetá uma passageira filmou situação interior dos ônibus em dia de chuva, e pior assentos de um ônibus solto, balaustres quebrados . Então pela logica o dinheiro do IPVA é para dar CONFORTO ao proprietário de um automóvel QUEM TEM DIREITO É QUEM PAGA O IPVA SE FOR PARA DEIXAR UM AUTOMÓVEL GUARDADO DENTRO DO GUARDA-ROUPAS ENTÃO É MELHOR FECHAR A INDUSTRIA AUTOMOTIVA NO BRASIL.

  4. Rodrigo Zika! disse:

    No caso de SP e simples, sistema sobre trilhos com desvios de verbas e cartéis, a justiça cega, e anos pra concluir uma simples linha curta, sistema sobre pneus só precisa de novos corredores decentes, algo que nunca sai do papel, precisaria ter ligações de corredores, ligando as 4 regiões, isso acho difícil acontecer, cada prefeito que entra ou para ou inventa outra obra, sabendo que não ira cumprir, piada.

  5. Rogerio Belda disse:

    Como é bom ver que dispomos de tantos urbanistas com visão prospectiva e “otimista”, que naturalmente sabem que a Região Metropolita “Paulistana” é limitada ao Norte por serras, ao Sul por represas e a Leste já se espalhou bastante. Baseado neste raciocínio simplista, defenderíamos então a expansão da “mancha urbana metropolitana, para Leste até São Roque e para Oeste até Extrema, cidade de Minas Gerais. Estas afirmações “aporéticas” destinam-se. apena.s a assinalar que certamente não será bem assim que as mudanças
    ocorrerão.Seria necessário adotar técnicas prospectivas, que não limitam-se a extrapolação de tendências ao basearem-se na elaboração de cenários estratégicos alternativos. Belda

  6. Anderson Ramos de Sá disse:

    Vão implantar pedágio urbano, combustível caro aqui no BR e nada de BRT, VLT, ET…
    E as promessas pra Copa de 14 ?

    É muita cara de pau esse senhor da ANTP …

    Enquanto isso na Africa: https://www.youtube.com/watch?v=ucMCOm-InBE
    E na China então: https://www.youtube.com/watch?v=jmRgPyiRUa4
    https://www.youtube.com/watch?v=-TH6YDAId7E

    Vergonha desses brasileiros…
    Transnordestina +10 anos em construção: https://observatoriodatelevisao.bol.uol.com.br/programacao-da-tv/2018/08/camera-record-denuncia-abandono-da-ferrovia-transnordestina

    Norte-Sul 25 anos em construção:
    https://g1.globo.com/go/goias/noticia/mpf-denuncia-ex-presidente-da-valec-e-dois-ex-diretores-por-fraudes-e-corrupcao.ghtml

  7. Luis Nunez disse:

    O fretado que é uma opção inteligente, foi desestimulada na capital por Gilberto Kassab e seu secretário de transportes Alexandre de Moraes. Parabens ao dois e aos prefeitos posteriores que não tiveram coragem de mudar este quadro.

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