Empresa dos EUA construirá primeira usina de hidrogênio líquido do mundo destinada ao abastecimento de veículos elétricos movidos a célula de combustível

Foto: posto de abastecimento de hidrogênio da Air Liquide

Investimento de 150 milhões de dólares da Air Liquide ajudará a expandir o mercado de veículos FCV nos Estados Unidos

ALEXANDRE PELEGI

Após o grande salto na indústria de automóveis com o advento do carro elétrico, começa a se tornar realidade os veículos movidos a hidrogênio. Com o mesmo motor utilizado nos elétricos, os carros movidos a hidrogênio, ou os “fuel-cell vehicle” (FCV na sigla em inglês, ou “veículo movido a célula de combustível”), têm ainda alguns fatores limitantes. Além do alto preço – a tecnologia ainda é muito cara –, a estrutura de abastecimento é escassa.

De olho nesse mercado futuro, a Air Liquide, empresa líder mundial em gases, tecnologias e serviços para a indústria e saúde, construirá nos Estados Unidos a primeira usina de hidrogênio líquido de classe mundial, especificamente para abastecer o mercado de energia à base de hidrogênio.

Além da usina, a Air Liquide firmou contrato de longo prazo com a empresa FirstElement Fuel Inc. (FEF), líder em infraestrutura de hidrogênio de varejo nos EUA, para fornecer hidrogênio aos seus postos de abastecimento de combustível líquido na Califórnia.

Os dois novos projetos têm como meta atender as crescentes necessidades do mercado de mobilidade à base de hidrogênio no estado do oeste americano. Eles também pretendem contribuir para viabilizar e complementar a demanda por veículos elétricos movidos à célula de combustível, dando suporte ao comércio de hidrogênio em todo o estado.

Começando com transporte e mobilidade, a nova usina de hidrogênio é o primeiro investimento em larga escala numa infraestrutura da cadeia de suprimentos, necessária para sustentar as soluções de energia de hidrogênio que visam a transição energética.

A usina da Air Liquide segue o ritmo de lançamentos de veículos elétricos movidos a células de combustível que, segundo a companhia, atingiu um nível que requer uma escala crescente de investimentos, abrindo caminho para o crescimento da mobilidade ecológica em outras regiões.

Além do contrato de fornecimento de longo prazo, a Air Liquide e a FEF firmaram um acordo que apresenta a intenção da empresa de realizar investimentos de capital na FEF, como fez anteriormente junto à Toyota e à Honda. Agora, a Air Liquide solidifica a sua colaboração com as duas montadoras japonesas por meio de uma infraestrutura robusta de abastecimento de hidrogênio, reforçando, juntamente com outras empresas, o lançamento de veículos elétricos movidos à célula de combustível e a infraestrutura de abastecimento do varejo na Califórnia.

FATORES LIMITANTES E INVESTIMENTO:

A limitação no abastecimento se deve à pequena quantidade de veículos movidos a hidrogênio nas ruas. Nos Estados Unidos, onde a Air Liquide pretende investir, há apenas 14 postos de abastecimento de hidrogênio, a maioria no estado da Califórnia, foco do investimento da Companhia.

A meta é investir mais de 150 milhões de dólares na construção da usina, com previsão de início para o primeiro semestre de 2019.

Com capacidade para produzir pouco menos de 30 toneladas de hidrogênio por dia, a usina poderá abastecer 35.000 veículos elétricos movidos a células de combustível.

Com o investimento na estrutura de abastecimento, remove-se um dos fatores limitantes para a expansão da tecnologia veicular à base de hidrogênio, ao menos na Califórnia, o que deverá servir de estímulo para outras regiões.

O estado do oeste americano estima que terá uma frota de 40.000 veículos a hidrogênio até 2022, o que exigirá uma solução confiável de suprimento de abastecimento. Além disso, a Califórnia é conhecida por outros mercados de veículos movidos à célula de combustível, como o de transporte, manuseio de material, empilhadeiras e carretas.

Em comunicado da companhia, Michael Graff, Vice-Presidente Executivo, Membro do Comitê Executivo da L’Air Liquide S.A., Presidente e CEO da American Air Liquide Holdings, Inc., comentou que esse novo investimento na produção de hidrogênio, somado ao relacionamento colaborativo com a FirstElement Fuel, demonstram o compromisso de longo prazo com o desenvolvimento da energia de hidrogênio para mobilidade.  Além disso, impulsionam o lançamento de novos veículos elétricos movidos a hidrogênio (carros, caminhões, ônibus) projetados por fabricantes de automóveis como Toyota, Honda e outros OEM (fabricantes de equipamentos originais, tradução da sigla em Inglês) que lideram o setor. “Estamos convencidos de que o hidrogênio é um vetor fundamental da energia sustentável do futuro e a base para a transição energética“, afirmou o CEO da Air Liquide.

Para Joel Ewanick, fundador e diretor executivo da FirstElement Fuel Inc, o investimento na usina sinaliza o momento de transição para o mercado automobilístico de hidrogênio. “Essa é mais uma indicação do potencial do hidrogênio como substituto da gasolina“, disse.

Os representantes das fabricantes Toyota e Honda também se manifestaram a respeito da iniciativa. Jim Lentz, CEO da Toyota North America, afirmou que o compromisso da Air Liquide de construir uma usina de hidrogênio para que a FirstElement Fuel  abasteça os seus postos na Califórnia “é uma demonstração clara da visão comum dos líderes globais, que querem inovar, construir, lançar veículos e ampliar a infraestrutura para viabilizar a mobilidade limpa do futuro“.

Já Steven Center, Vice-Presidente do Escritório de Desenvolvimento de Negócios Conectados e Ambientais da American Honda Motor Co., disse o compromisso da Air Liquide “ampliará a demanda por veículos elétricos movidos à célula de combustível e acelerará a adoção dessa promissora tecnologia de veículos que não emitem poluentes“.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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