Com perdas de R$ 6,5 bilhões/ano, Brasil está entre países que mais tiveram prejuízos com mudanças climáticas

Foto: Ana Cintia Gazzelli / WWF (seca na Amazônia)

Estudo de organização alemã, divulgado na COP-24, na Polônia, mostra o Brasil entre os 18 países cujas economias mais sofreram com desastres climáticos

ALEXANDRE PELEGI

A conferência da ONU sobre o clima, a COP-24, que começou neste domingo, dia 2 de dezembro em Katowice, na Polônia, trouxe uma má notícia para os brasileiros.

Um estudo da organização alemã Germanwatch, que reúne dados climáticos e socioeconômicos de 181 países, divulgado no encontro, mostra o Brasil entre os 18 países com mais perdas econômicas decorrentes de desastres climáticos.

Pelas contas da Germanwatch, em média o Brasil perdeu anualmente, nos últimos 20 anos, mais de R$ 6,5 bilhões (US$ 1,71 bilhões).

A notícia ruim soma-se a outra, que antecedeu a realização do encontro na Polônia: o anúncio do governo brasileiro desistindo da candidatura para sediar a próxima conferência sobre o clima, a COP-25, no ano que vem.

A decisão causou revolta entre ambientalistas, e provocou ainda um requerimento da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado brasileiro pedindo que o governo reveja sua posição de desistir da candidatura para sediar a conferência. Ao ato de renunciar à realização da COP-25, juntou-se a indicação do embaixador Ernesto Araújo para o Ministério das Relações Exteriores (MRE), no último dia 15 de novembro, pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, para o futuro governo. Araújo se alinha à posição do presidente americano Donaldo Trump, que rompeu com o Acordo de Paris e afirma que a ciência do clima é apenas um “dogma”.

Para complicar, existe a possibilidade de que, em futuro breve, o novo governo brasileiro anuncie a saída das negociações de clima. A desistência de realização da COP25 no Brasil seria o primeiro passo nesse caminho, o que preocupa a comunidade científica e os ambientalistas.

O ESTUDO DA GERMANWATCH

Mesmo com enormes prejuízos econômicos, o estudo da organização alemã coloca o Brasil fora dos 70 países que mais sofreram com as mudanças climáticas em 2017, situando-o na 79ª posição.

Já quanto ao número de óbitos ligados a esse tipo de evento, o Brasil ocupa a 24ª posição do ranking, com uma média de 145,6 mortes por ano; nos últimos 20 anos, isso dá uma média de 0,077 para cada 100 mil habitantes.

David Eckstein, principal autor do estudo, afirma que a situação pode ser mais grave para o Brasil do que o ranking sugere. Para ele, os países africanos e o Brasil estão sub-representados, pois o ranking não inclui fenômenos como a seca, que implica prejuízos indiretos, como no abastecimento de água e na agricultura.

“Não é do interesse do próprio país negar que as mudanças climáticas estão acontecendo. Se ignorar os fatos, Brasil pode ficar mais vulnerável. Embora os países mais pobres sofram mais por não terem condições de se preparar para os fenômenos e para se recuperar deles, países que ignoram as mudanças climáticas também podem ter altos prejuízos, como os Estados Unidos tiveram. Apenas os furacões que atingiram a costa leste do país em 2017 causaram um prejuízo recorde de U$S 200 bilhões (R$ 760 bilhões).”

Segundo os dados do relatório da organização alemão, os países que registraram maiores prejuízos em 2017 foram:

Estados Unidos = US$ 177,98 bilhões

China = US$ 36,60 bilhões

Índia = US$ 12,82

Tailândia = US$ 7,89 bilhões

Porto Rico = US$ 5,03 bilhões.

Porto Rico, território dos EUA, lidera ainda o ranking dos que mais sofreram com as mudanças climáticas em 2017, seguido por Sri Lanka, Dominica, Nepal e Peru.

Em 2017 o planeta perdeu US$ 375 bilhões, o principal período já registrado com as maiores perdas econômicas da história. Para se ter ideia da gravidade, de 1998 a 2017 registrou-se um prejuízo de cerca de US$ 3,47 trilhões. No mesmo período, ocorreram 526 mil mortes ligadas a 11,5 mil eventos climáticos extremos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

4 comentários em Com perdas de R$ 6,5 bilhões/ano, Brasil está entre países que mais tiveram prejuízos com mudanças climáticas

  1. Pensei q era diário do transporte…acho q errei de site…kkkkkk

    • blogpontodeonibus // 7 de dezembro de 2018 às 06:06 // Responder

      Não, MVD Consultoria, a discussão ambiental é intrinsecamente ligada aos transportes.

      Na verdade, você errou ao ter uma visão muitíssimo limitada com esse comentário … kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  2. E eu acho que nem você esta lendo o que postou, aí não tem nem uma vez a palavra transporte! Mas entendo sua posição, porque acho que você é dos muitos que fazem terrorismo com a mudança climática, duvulgando muitos dados errados, dados exagerados, deixando fora coisas da própria natureza que influenciam muito mais nas mudanças do clima,tambem tomando periodos de tempo totalmente caprichosos para fazer comparações, gerando temor na população, e propiciando renovações do parque de veículos totalmente desnecessários, gerando superprodução industrial e grades ganhos para quem sabe quem, com mais degradação da natureza, acentuando as indústrias extrativas, e empobrecendo a população e municípios com gastos bilionários em trocas de veículos muitos deles com qualidade duvidosa que nem se sabe se daqui a dez anos vão poder circular, e deixando toneladas de desperdícios!! E aí si vai ter perdas bem maiores dessas que se divulgam pela mudança climática!! E não serão perdas”supostas” essas serão bem quantificadas e subvencionadas pelo bolso do povo!!

    • Consultor, as renovações não são desnecessáriAs.
      Diversos estudiosos e cientistas de fato, não comentaristas cibernéticos, comprovaram com dados e fatos que ocorre justamente o contrário do que você tenta explicar: os custos gerados pela poluição e degradação ambiental são fatores que, na prática, empobrecem uma nação. Veja a saúde pública, por exemplo.
      Agora, é uma verdade: mudanças dos parques tecnológicos e nas matrizes energéticas incomodam muitos que lucram (ou os que apenas servem aos que lucram) com o atual quadro.
      A tempo: para trazer informações sobre fatos relacionados ao setor de transportes (que é considerado uma das atividades mais poluidoras hoje em dia) não precisa ter a palavra “transporte”, né. (sem final com exclamação para não ficar prepotente).

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