ACM Neto afirma que prefeitura de Salvador não vai cortar linhas de ônibus no trajeto do metrô

Publicado em: 25 de novembro de 2018

Foto: Leonardo Queiroz

Governo do Estado cobra extinção de 100 linhas conforme definido em TAC assinado com a prefeitura em 2017

ALEXANDRE PELEGI

O Sindicato dos Rodoviários da Bahia está preocupado com o emprego de milhares de rodoviários em Salvador.

Um levantamento feito pela entidade estima que mais de 3 mil profissionais foram demitidos após a licitação do novo sistema de transporte e a chegada do metrô à capital baiana.

A preocupação agora é quanto às consequências que poderão advir da retirada de 100 linhas de ônibus que fazem o mesmo trajeto do metrô na cidade. O sindicato da categoria calcula que a medida poderá redundar na demissão de mais de mil motoristas e cobradores.

Nesta semana o secretário estadual da Casa Civil, Bruno Dauster, cobrou a medida de corte das linhas que fazem o mesmo trajeto do metrô. Em entrevista a uma rádio local, Dauster diz que a existência das linhas “é um absurdo”, pois, segundo ele, engarrafa as vias e aumenta o custo do sistema. “No momento que fizer integração, se a prefeitura cortar as linhas, vai ter economia de cento e tantos milhões que podem ser transformados em benefícios para a população”, afirmou Dauster na entrevista.

Para os representantes dos trabalhadores, o sistema de transporte aprofundou a crise no transporte após a licitação feita em 2015 pela prefeitura. Sem beneficiar os trabalhadores, nem os usuários, afirma o sindicato, o modelo enfrenta ainda críticas dos empresários.

A Prefeitura nega que vá retirar as linhas de circulação. A posição foi anunciada pelo secretário municipal de mobilidade de Salvador, Fábio Motta, diante da cobrança do secretário do governo estadual.

Motta garante que a preocupação da pasta é não retirar serviços da população. “Não vamos penalizar o usuário do sistema, aquelas pessoas mais pobres que dependem dos ônibus. Como ficam essas pessoas? Não é possível cortar como o governo do Estado quer“, reagiu o secretário à cobrança do Estado.

Neste sábado, dia 24, o prefeito de Salvador, ACM Neto, reforçou a posição de Motta, e declarou que não pretende atender à solicitação do governo do Estado de retirada de 100 linhas de ônibus de circulação.

A medida da extinção de algumas linhas que fazem o mesmo trajeto do metrô faz parte do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado por Estado e prefeitura em 2017.

Nota enviada pela Secretaria Municipal De Mobilidade (Semob), que expressa a posição de ACM Neto, afirma que a decisão iria causar um grande prejuízo para a população.

Isso geraria o caos na cidade. A população não pode ficar sem esses ônibus. Tenho o dever de zelar pela transporte público e mobilidade. Retirar 100 linhas criaria uma situação administrável para as pessoas, que ficariam sem o serviço para ir e voltar do trabalho, por exemplo”, disse Neto.

Para ACM Neto, a prefeitura de Salvador vem cumprindo o acordo com o governo estadual sobre o metrô.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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