Governo alemão quer combustível fóssil mais caro para o setor de transporte

Ministro do Meio Ambiente, Svenja Schulze, durante discurso na Universidade Humboldt, em Berlim. (Fonte - BMU Sascha Hilgers 2018)

Ideia é lançar lei em 2019 que fixaria metas de emissão de CO₂ para todos os setores da economia

ALEXANDRE PELEGI

O governo alemão manterá seu plano de introduzir uma Lei de Proteção Climática em 2019, apesar das grandes dificuldades internas que atormentam a coalizão da conservadora aliança partidária da chanceler Angela Merkel e os social-democratas (SPD).

Um primeiro esboço da lei ainda será compilado em 2018, segundo um porta-voz do Ministério do Meio Ambiente da Alemanha.

O gabinete do governo alemão planeja definir a lei, que visa tornar as metas de emissões setoriais em linha com o Acordo Climático de Paris vinculativo, “antes da Páscoa”, em 21 de abril de 2019. O objetivo é conseguir que o parlamento aprove a lei antes do final do próximo ano.

Patrick Graichen, do instituto de pesquisa de políticas energéticas Agora Energiewende *, disse que o roteiro da lei corresponde em grande parte ao plano do governo delineado no tratado de coalizão que sustenta o governo de Merkel. “No entanto, não tenho certeza se essa coalizão ainda tem força para implementá-la”, disse Graichen.

A ministra do Meio Ambiente da Alemanha, Svenja Schulze, afirmou que todos os ministérios devem elaborar um plano para ajudar a atingir as metas climáticas do país para 2030 e que ela “não aceitará mais medidas inadequadas que minem claramente as metas”.

Em declaração feita nesta quarta-feira, dia 7 de novembro de 2018, na Universidade Humboldt, em Berlim, Svenja disse que apresentará em breve uma proposta de lei de proteção climática, na qual todos os setores receberiam uma meta específica para reduzir suas emissões de dióxido de carbono (CO₂). Ela afirmou ainda que a ideia é tornar o uso de combustível fóssil mais caro para o transporte e para o uso em aquecimento, enquanto a eletricidade se tornaria mais barata.

A ministra disse que pretende se unir ao Ministério das Finanças para criar um conceito de preço das emissões de CO₂ que incluiria setores como aquecimento e transporte. Ela esclareceu mais tarde que não poderia dar uma previsão para isso, dada a natureza complexa do sistema tributário alemão.

ENQUANTO ISSO…

As emissões de CO₂ na Alemanha estão caminhando para sua maior queda desde a recessão de 2009, depois desse quadro permanecer praticamente inalterado por quatro anos consecutivos. Esta é a avaliação segundo as primeiras estimativas feitas pelo grupo de pesquisa do mercado de energia AG Energiebilanzen (AGEB).

No entanto, ainda é cedo para comemorar. Especialistas alertaram que a queda ainda não indica uma reversão de tendência, porque foi causada principalmente pelo clima mais quente.

A forte produção de energia renovável e as temperaturas quentes reduziram as emissões de CO₂ da Alemanha em cerca de sete por cento nos primeiros nove meses de 2018, de acordo com os cálculos dos pesquisadores da AGEB.

O grupo de pesquisa disse ainda que o consumo de energia do país deverá cair quase 5% em todo o ano devido a uma soma de vários fatores, como os preços mais altos da energia, o clima quente e a eficiência crescente, superando o crescimento econômico sólido e o aumento da população.

“Como a queda no consumo diz respeito a todas as energias fósseis, enquanto a produção de energia livre de CO₂ aumentou, a AG Energiebilanzen espera uma diminuição desproporcional das emissões desse gás”, disse o grupo em um comunicado à imprensa.

Especialistas em energia disseram que os dados não indicam que a Alemanha está caminhando solidamente no caminho para novas reduções de emissões nos próximos anos. Hans-Joachim Ziesing, membro da comissão independente de monitoramento da Energiewende, do governo federal, disse que a queda foi em grande parte causada por efeitos pontuais. “Eu iria alertar contra qualquer otimismo, chamando a isso de uma tendência”, disse Ziesing. “Eu também alertaria contra acreditar que estamos agora dando grandes passos em direção às metas climáticas de 2020. A diferença é grande demais para chegarmos lá com base nos resultados deste ano”.

Hanns Koenig, da Aurora Energy Research, disse que as emissões podem até aumentar no ano que vem se a demanda de energia e o clima retornarem aos níveis médios.

O consumo de petróleo e gás caiu cerca de 7% no período de janeiro a setembro em comparação com o mesmo período de 2017, enquanto o uso de carvão caiu quase 13% e a lignita diminuiu quase 2%, de acordo com a AGEB. Em contraste, a produção de energia nuclear aumentou em quase 5% e a produção renovável em cerca de 3%. A energia eólica subiu 13% e a energia solar aumentou 14%, enquanto a biomassa permaneceu inalterada e a energia hidrelétrica caiu 10%.

A lignita (usada quase exclusivamente como combustível para geração de energia a vapor) responde por 45% da eletricidade da Alemanha, produzida em usinas.

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Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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