Falha de sinalização em rede metroviária de Hong Kong dura 6 horas e leva cidade ao caos

Trens funcionavam em intervalos de 12 a 15 minutos, ao invés de a cada dois ou três como de praxe. Filas imensas entupiram as estações e prejudicaram a rotina de negócios e escolas do território chinês

ALEXANDRE PELEGI

Hong Kong, região administrativa especial da República Popular da China, já começou a investigar o pior atraso de trens na história do sistema de transporte público após uma falha de sinalização de seis horas deixar milhares de passageiros retidos nesta terça-feira, dia 17 de outubro de 2018.

O diretor-gerente da MTR – Mass Transit Railway, Jacob Kam Chak-pui, descreveu o incidente como tão sem precedentes na história do sistema que especialistas externos foram contratados para descobrir o que houve. A investigação deve levar cerca de dois meses, disse ele.

Inaugurado em 1979, o sistema metroferroviário de Hong Kong inclui 218,2 km de extensão com 155 estações, incluindo 87 estações ferroviárias e 68 paradas leves sobre trilhos, e é operado pela MTR, empresa com capital majoritário do governo de Hong Kong, maior acionista da empresa.

Desde que o sistema de sinalização entrou em operação no final dos anos 90, nunca encontramos essa situação incomum”, desabafou o executivo da MTR a repórteres, segundo informa o jornal inglês The Guardian.

Nem mesmo o manual de projeto e manutenção menciona esse cenário”, disse ele.

A MTR teve que operar manualmente as três linhas principais do sistema, junto com uma quarta linha. Em vez de correr a cada dois ou três minutos, os trens funcionavam em intervalos de 12 a 15 minutos. O serviço regular do sistema de metrô só foi retomado por volta do meio-dia.

A enorme falha, raridade para a cidade chinesa de Hong Kong, muitas vezes citada como tendo um dos melhores sistemas de transporte público do mundo, levou a cidade ao caos. Os passageiros, habituados à eficiência do sistema ferroviário, ficaram frustrados. Os trens geralmente funcionam regularmente no horário em 99,9% do tempo, de acordo com a operadora.

Resultado: passageiros esperando em plataformas de estação lotadas, muitas vezes por mais de uma hora, para conseguir espaço para entrar em um trem. Para gerenciar multidões, alguns operadores de estações do sistema fizeram o que é comum em situações assim, e desativaram as escadas rolantes que levavam às plataformas.

Longas filas se formaram em estações de ônibus e táxis, com pessoas reclamando de táxis lotados passando direto e carros do Uber cobrando tarifas mais caras.

A executiva-chefe do governo de Hong Kong, Carrie Lam, a mais alta na hierarquia dos principais funcionários do território, pediu aos empregadores que relevassem o atraso de seus funcionários, ao mesmo tempo em que o secretário de educação pedia às escolas que não penalizassem os alunos atrasados.

Com uma área de 1.104 km² e uma população de sete milhões de pessoas, Hong Kong é uma das áreas mais densamente povoadas do mundo.

O sistema MTR, inaugurado em 1979, é frequentemente citado como modelo para outros sistemas de transporte público. A empresa semi-privada obtém lucro e mantém preços de tarifas baixos para a população. Grande parte da cidade gira em torno da rede de transportes, com shoppings construídos acima e em torno de estações, com apartamentos e instalações comunitárias nas proximidades.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

(Com agências internacionais e matéria do The Guardian)

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