Estudo realizado em São Francisco, Califórnia, aponta Uber e Lyft como corresponsáveis pelo aumento do tráfego

Foto: Sergio Ruiz/Flickr

Conclusão é de relatório feito pela Autoridade de Transportes do Condado de São Francisco

ALEXANDRE PELEGI

As plataformas de aplicativos de transporte individual, como Uber e Lyft, têm sido muitas vezes culpadas pelo aumento do tráfego e do congestionamento nas cidades americanas.

Um novo estudo, que veio a público agora, mostra que isso é parcialmente verdade, ao menos no caso da icônica cidade de San Francisco, na Califórnia, capital do Vale do Silício nos Estados Unidos.

A conclusão é de um trabalho feito pela Autoridade de Transportes do Condado de São Francisco (SFCTA, na sigla em inglês).

Em essência o estudo afirma que, embora essas empresas tenham contribuído para o aumento do congestionamento do trânsito local, tanto o crescimento da oferta de empregos, como da população residente, também são fatores importantes a serem considerados.

Entre 2010 e 2016, de acordo com o SFCTA, os serviços de transportes por aplicativos representaram:

51% de aumento em horas/dia no atraso das viagens por carro,

47% de aumento na quilometragem percorrida pelos automóveis na cidade,

55% do declínio da velocidade média, e

25% do congestionamento total de veículos em toda a cidade.

Embora seja fato que os veículos das plataformas de transporte individual aumentaram o congestionamento em toda a cidade, esse efeito, no entanto, não é homogêneo. Ou seja, ele está concentrado em certos distritos da cidade, como o estudo demonstra. No bairro do South Market o tráfego aumentou 45% graças à junção de locais turísticos e empresas de tecnologia, além de centros de convenções. Já em South Brach e Embarcadero, locais preferidos por turistas que visitam a cidade da costa oeste dos EUA, o crescimento provocado pelos serviços Uber e Lyft foi muito maior: 73%.

Joe Castiglione, coautor do estudo e vice-diretor do SFCTA para Tecnologia, Dados e Análise, disse que um dos problemas na análise dos impactos causados pelos aplicativos é que as autoridades de trânsito e transporte têm permanecido em grande parte no campo da hipótese. “Estamos buscando fundamentar isso por meio de uma abordagem analítica orientada em dados e que seja rigorosa, para que assim possamos dar respostas corretas.”

O SFCTA utilizou dados do INRIX, um banco de dados comercial que combina numerosas fontes de monitoramento GPS em tempo real com dados de sistemas de monitoramento de desempenho de vias urbanas. O estudo também aproveitou as informações da Northeastern University, que dispõe de um conjunto de dados de viagem de serviços da rede de transporte.

Há, no entanto, algumas limitações a esses dados, segundo Castiglione. Ele cita, por exemplo, a ausência de dados disponíveis sobre os serviços de entrega de encomendas (como Fedex e UPS) e entrega de alimentos, que também impactam no trânsito da cidade.

O relatório chega num momento em que São Francisco se vê às voltas com os chamados modos de transporte emergentes, como os serviços de compartilhamento de bicicletas e scooters.

Castiglione afirma que, “como acreditamos que todas essas alternativas moldarão nosso futuro, precisamos lidar com elas”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Isso jamais pode ser comparado ao Brasil, se for o caso, pois lá o transporte funciona como deve, aqui não.

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