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Santo André retira assentos preferenciais que antecedem catraca dos ônibus

Bancos foram colocados depois da catraca e separados por uma estrutura metálica. Foto: Jessica Marques.

Mudança é resultado da portaria que restringe o embarque de passageiros apenas pela porta dianteira

JESSICA MARQUES

Os passageiros que utilizam os ônibus municipais de Santo André, no ABC Paulista, notaram uma diferença no interior dos veículos nas últimas semanas. As empresas de ônibus da cidade retiraram os assentos preferenciais que ficavam antes da catraca dos coletivos.

A Prefeitura informou ao Diário do Transporte, por meio da SATrans, que a mudança ocorreu para adequação do transporte coletivo da cidade à portaria que restringe o embarque de passageiros apenas à porta dianteira.

“Os layouts internos das linhas de ônibus do sistema de transporte coletivo de Santo André passaram por adequações para atender a portaria nº 06.06.18 de 26 de junho de 2018 e permitir o embarque dos usuários somente pelas portas dianteiras. Os assentos preferenciais continuam à disposição dos passageiros, após a passagem da catraca”, informou a Prefeitura, em nota.

Assim como a medida que restringe o embarque dos usuários do transporte coletivo, a mudança do layout dos ônibus não foi comunicada previamente pela administração municipal.

Na época, a proibição do embarque pela porta traseira a passageiros que possuem direito à gratuidade foi alvo de polêmicas.

Relembre: Santo André proíbe embarque de passageiros pela porta traseira do ônibus

Desta vez, a mudança também causou transtornos aos passageiros. Os bancos que antecedem as catracas geralmente eram utilizados por gestantes, pessoas com crianças no colo, obesos e pessoas com deficiência.

Segundo a Lei nº 13.146 de 6 de julho de 2015, que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência no Brasil, todos devem ter direito ao transporte acessível no país.

A legislação considera, além de pessoas com deficiência, quem possui mobilidade reduzida e demanda atendimento prioritário, inclusive no transporte.

Neste caso, está incluída “aquela que tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção, incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo e obeso”.

Antes da mudança, era permitido o embarque e desembarque pela porta dianteira a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, gestantes e obesos. A única regra estabelecida era que a passagem deveria ser paga e a catraca, girada. Agora, com a ausência dos assentos, não há mais essa possibilidade.

DIFICULDADES

A manicure Patrícia Romano Guzella, 24 anos, notou a mudança há aproximadamente um mês. Mãe de um menino de sete meses, a passageira já enfrentou dificuldades no embarque.

“Às vezes eu pegava o ônibus pra ir ou vir do centro da cidade com o meu filho no colo e só quando eu entrava no ônibus que percebia que não tinha o assento preferencial antes da catraca”, afirmou a moradora de Santo André.

Além de ser uma surpresa para a passageira, ainda não foi possível se acostumar com os ônibus sem os assentos antes da catraca.

“Isso é ruim porque o bebê já é um pouco pesado e grande. Ainda tem a bolsa que sempre levo junto, então passar na catraca com ele e a bolsa é difícil. Ou eu seguro ele ou me seguro pra não cair. E quando o ônibus está mais cheio, andar com criança de colo, sem chance”, desabafou.

A equipe do Diário do Transporte acompanhou uma viagem em um ônibus municipal de Santo André após a mudança e presenciou dificuldade na hora do pagamento da tarifa.

Antes da alteração, os passageiros costumavam sentar nos primeiros bancos, no início da viagem, quando o ônibus ainda estava vazio, para esperar o motorista entregar o troco. Agora, com a mudança, os usuários do transporte coletivo têm que aguardar em pé antes do validador, o que causa tumulto no embarque.

O problema é recorrente pelo fato de a maioria dos ônibus da cidade estarem com motoristas fazendo também a função de cobrador.

OUTRO LADO

A Prefeitura de Santo André, em nota, justificou a mudança como necessária para “reduzir o risco de acidentes no momento do embarque, as fraudes, evasões, o uso indevido dos cartões disponibilizados pelo sistema de transporte coletivo e o acesso de pessoas que se aproveitavam para embarcar pela porta traseira sem o pagamento da passagem”.

“Destacamos que esta é uma tendência dos demais municípios da região metropolitana que também adotam esta solução, entre eles, o sistema de transporte coletivo do Corredor ABD, operado pela Metra, o sistema de transporte coletivo de São Paulo e o sistema de transporte coletivo de São Bernardo do Campo. Portanto, esta medida não é adotada apenas em Santo André”, finalizou a nota da administração municipal.

No caso dos ônibus operados pela Metra, entretanto, não há cobrança de tarifa com dinheiro, apenas pelo uso do Cartão BOM e bilhete de papel. A catraca também possui formato de roleta, para facilitar o embarque.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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