Baterias de zinco-ar podem ser alternativas para ônibus elétricos mais baratos e com menores impactos ambientais no descarte

Patrick Soon-Shiong, proprietário da NantEnergy, diz que baterias poderão ser usadas em carros e ônibus. Foto: Calvin B. Alagot / Los Angeles Times – Clique para Ampliar

NantEnergy, empresa que desenvolve este tipo de bateria, estima para 2020 os primeiros veículos elétricos com este armazenamento

ADAMO BAZANI

Um tipo de bateria que pode deixar carros e ônibus elétricos mais baratos, que recarrega mais rapidamente e cujo descarte tem menos impactos ao meio ambiente.

Estas são algumas das promessas da empresa NantEnergy com as baterias que usam zinco e oxigênio, chamadas de zinco-ar.

A empresa do empreendedor da área de biotecnologia, Patrick Soon-Shiong diz que o custo do armazenamento de energia com este tipo de bateria é de em torno de US$ 100 o quilowatt-hora.

Ao jornal norte-americano, The New York Times, o diretor do Centro de Energia Limpa da Universidade do Sul da Flórida, Yogi Goswami, disse que nas baterias de íons de lítio, as mais usadas em carros e ônibus elétricos, o custo de armazenamento pode variar entre US$ 250 e US$ 400.

O proprietário da empresa disse ao periódico que já foi desenvolvido para testes um protótipo de rádio móvel com este tipo de bateria, cuja densidade é grande, e que pensa na utilização em scooters, carros, ônibus e trens a partir de 2020.

A abundância do zinco em relação ao lítio é uma das explicações para o custo do armazenamento ser menor.

Segundo o professor de química da Universidade do Sul da Califórnia, Sri R. Narayan, ao The New York Times, as reservas de zinco são 20 vezes mais abundantes que de lítio. Áustria e China juntas têm quase metade das reservas mundiais hoje conhecidas. Os EUA têm em torno de 5% do mineral e reponde por 7% da produção.

Mesmo assim, segundo o professor, as jazidas atuais são limitadas e conseguiram atender à demanda por apenas 25 anos.

“Dado o atual volume de produção do zinco, as reservas deste mineral durarão cerca de 25 anos … Portanto, considerando as reservas disponíveis, não sabemos se teremos zinco suficiente para fazer frente à enorme necessidade que resultará da demanda de baterias em escala de grade”

VANTAGENS E DESVANTAGENS PARA A SAÚDE:

De uma maneira geral, as baterias de zinco-ar podem trazer algumas vantagens para a saúde.

Diferentemente das baterias de lítio, não são inflamáveis e, de acordo com a revista especializada MIT Technology é possível descartar as baterias de zinco-ar com quase nenhum risco à natureza, o que ocorre com o lítio. A exposição prolongada ao lítio pode causar fluidos nos pulmões.

Entretanto, a publicação aponta riscos também com a mineração e processamento do zinco.

Isso porque o minério é formado de sulfeto de zinco, produzido, geralmente, junto com chumbo, cádmio e níquel.

A produção das baterias de zinco-ar pode gerar problemas devido à emissão de vapor de cádmio e dióxido de enxofre.

As indústrias e universidades, em especial nos países desenvolvidos, têm buscado formas de deixar as baterias cada vez mais eficientes, baratas e reduzir a agressão delas ao meio ambiente.

Um dos estudos, por exemplo, pretende substituir o cobalto nas baterias, que apesar de ter a capacidade de dar estabilidade aos materiais componentes da bateria, o que permite carregar e descarregar o veículo por muitos anos, é caro e suscetível a superaquecimento.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/24/fabricantes-investem-em-pesquisa-para-substituir-metal-cobalto-nas-baterias-dos-veiculos-eletricos/

Já um estudo desenvolvido pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, propõe uma bateria que, em vez de usar metais nobres, como a platina, consegue sintetizar o hidrogênio transformando sulfetos de metal de baixo custo em eletrodos.

Com isso, o custo para gerar a reação necessária para produzir a energia elétrica deve cair sensivelmente.

Em termos de comparação, o grama da platina custa R$ 116, o dissulfeto vai custar R$ 1,60 o grama.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/23/estudo-da-stanford-descobre-forma-de-sintetizar-hidrogenio-que-pode-baratear-operacao-de-onibus-com-celulas-de-combustivel/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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