OPINIÃO: Só com ações conjuntas que se melhora o transporte

Transporte: benefícios para todos, ações coletivas

Atuação das empresas é fundamental, mas há outros agentes que influenciam na qualidade dos serviços prestados à população

ADAMO BAZANI

O transporte público é um serviço para o bem-estar coletivo e as ações para melhorar a qualidade para a população devem ser coletivas também.

As companhias de ônibus têm grandes responsabilidades a cumprir todos os dias, como deixar os veículos em boas condições, manter sua mão de obra qualificada e sempre atualizada, cuidar da limpeza dos coletivos e cumprir rotas e horários que são determinados pelo poder público.

Mas para que o transporte público seja satisfatório de fato, não basta apenas as empresas cumprirem sua parte.

Governos (sejam federal, estaduais e municipais) e passageiros têm suas obrigações também.

O descumprimento de horários muitas vezes ocorre por causa do tempo perdido nos congestionamentos porque injustamente o usuário do transporte público não recebe a prioridade que merece no espaço urbano. Um ônibus que pode transportar entre 50 e 220 pessoas (depende do porte) tem exatamente o mesmo tratamento na via dispensado a um carro que está só com uma pessoa, ocupando mais espaço e poluindo bem mais proporcionalmente.

Muitas vezes o ônibus não é melhor porque a via simplesmente é ruim. Um veículo padron, de piso baixo e motor traseiro, que é mais confortável, ou um articulado que pode levar mais gente, não consegue passar em vias com muitas valetas, lombadas, desníveis, ou sem pavimento – em pleno século XXI.

Agora imagine o gasto que os congestionamentos e a falta de infraestrutura geram? Ônibus parado em congestionamento sem produzir e gastando diesel à toa. Ônibus que quebram porque as vias não são adequadas. Voltas desnecessárias nas linhas porque não há restruturação completa dos sistemas locais de transportes… Isso é o que deixa a tarifa cara.

A população tem todo o direito de reclamar, mas tem seus deveres também.

Respeitar as prioridades no embarque e desembarque, como às pessoas com deficiência, gestantes e idosos, é além de ser uma obrigação humana e de educação, um ato que possibilita eficiência operacional.

Se embarque e desembarque forem organizados, se perde menos tempo na linha como um todo.

O vandalismo também representa perda de qualidade e aumento de custos.

Um ônibus tem de ficar parado o dia inteiro por causa de vidros e portas quebrados, luminárias e saídas de emergência estouradas. O vandalismo significa em todo o País grandes custos, que vão para as tarifas. Um ônibus parado não produz, mas continua gerando gastos. Isso sem contar que as empresas são obrigadas a investir grandes recursos em frotas reserva.

O passageiro que fura a catraca, não pagando a passagem, pensa que está tendo vantagem, mas está prejudicando a todos e a si mesmo.

O chamado custo da evasão, que é quando isso acontece, encarece a tarifa e afeta na qualidade dos serviços. Isso porque, em vezes de as empresas investirem em ônibus e equipamentos novos, são obrigadas a transportar de graça gente que deveria pagar e a consertar peças quebradas.

Por isso, em caso de vandalismo ou gente não pagando a passagem sem ter este direito, denuncie às autoridades.

Outra discussão importante é que a qualidade do transporte e sensação de bem estar dos passageiros depende de ações de autoridades que nem são da área de mobilidade.

Por exemplo, muita gente diz que não anda de ônibus por medo de assaltos ou assédios. É uma questão que por mais que as empresas possam contribuir com campanhas e informações, a ação efetiva deve vir das autoridades da área de segurança pública.

Aquele que se considera cidadão não pode esquecer: problemas coletivos são somente resolvidos com soluções coletivas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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