Prefeitura de Lisboa aposta em faixas exclusivas, ônibus a gás natural e veículos elétricos
Publicado em: 18 de setembro de 2018
No domingo, dia 16, bondes elétricos históricos da Carris desfilaram pelas ruas da cidade
ALEXANDRE PELEGI
A Câmara de Lisboa, cuja função é similar ao de uma prefeitura brasileira, decidiu aumentar em 8 quilômetros as faixas exclusivas (BUS) para os transportes públicos, até junho do próximo ano.
Com essa alteração, a capital portuguesa ficará com 108 quilómetros de corredores dedicados a ônibus, bondes elétricos e táxis.
A informação é do jornal Diário de Notícias, de Lisboa, segundo informações da área de Mobilidade e Segurança da cidade.
O objetivo de ampliar e reforçar as faixas de BUS é aumentar a velocidade dos ônibus da Carris, empresa que presta o serviço de transporte público urbano de superfície de passageiros.
Os ônibus da Carris circularam a uma velocidade média em 2017 de 13,9 quilómetros por hora, transportando 122,4 milhões de passageiros.
A estratégia da Carris, no entanto, é mais ampla. Além das faixas, a empresa está investindo mais de cem milhões de euros na aquisição de ônibus – até ao final de outubro devem começar a entrar em serviço os primeiros veículos -, os atuais bondes elétricos, manutenção das infraestruturas e postos de abastecimento.
Além das faixas BUS, informações recolhidas pelo jornal português dão conta de que há um projeto em estágio avançado para a instalação de um corredor exclusivo para os transportes públicos na Estrada de Benfica. Chamado corredor de alto desempenho, nele os ônibus terão ainda mais prioridade do que atualmente, e o corredor terá menos cruzamentos, aumentando a velocidade do transporte de passageiros. O corredor deverá entrar em funcionamento no início de 2019.
PASSEIO DOS BONDES ELÉTRICOS
Os bondes elétricos históricos da Carris desfilaram pelas ruas de Lisboa neste domingo.
Às 11 horas, o bonde elétrico 283, com 116 anos de vida, mais de onze metros de comprimento e capacidade para 48 pessoas sentadas e mais seis de pé, deixou o Museu da Carris liderando uma comitiva de cinco carros.
O responsável pela área da Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa, Miguel Gaspar, disse que o evento com os tradicionais bondes mostrou que as pessoas têm muito carinho por eles. E os bondes antigos voltaram a andar para “mostrar o que era a Carris antes e o que vai ser no futuro“.
A Câmara de Lisboa comprometeu-se em fevereiro deste ano a adquirir 165 novos ônibus movidos a gás natural. Além deles, virão outros 15 veículos elétricos, que devem estar na rua no primeiro trimestre do próximo ano.
CARRIS NASCEU NO RIO DE JANEIRO
A empresa Carris foi fundada no Rio de Janeiro em 18 de setembro de 1872, portanto há exatos 146 anos. Sob o nome Companhia Carris de Ferro de Lisboa, sua finalidade era implantar na capital portuguesa um sistema de transporte do tipo americano (carruagens movidas por tração animal e deslocando-se sobre carris). Ela foi autorizada em Portugal por Decreto de 14 de novembro do mesmo ano.
Em 1876 a Carris tornou-se exclusivamente portuguesa, legalmente reconhecida como Sociedade Anônima.
Em 1897 teve início o sistema de tração elétrica na Carris, através de contrato assinado em 5 de junho entre a Câmara Municipal de Lisboa e a empresa, com vista à substituição do sistema de tração então utilizado. Nele se estipula que “…é concedida à Companhia Carris de Ferro de Lisboa autorização para substituir o seu atual sistema de tração, por tração elétrica por condutores aéreos nas linhas que explora e nas que está obrigada a construir…”.
E em 1901, no dia 31 de agosto, era inaugurado então o serviço de bondes elétricos.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
Com informações do jornal Diário de Notícias, Lisboa



Muito boa reportagem. Já tive oportunidade de rodar Lisboa nestes bondes elétricos e são ótimos.