Polícia Rodoviária Federal diz ser falso documento que fala em possível greve dos caminhoneiros

Foto – Leitor do Diário do Transporte

Texto que circula nas redes sociais traz o timbre da PRF no início. ANTT confirmou que vai reajustar a tabela de fretes para compensar elevação de 13% do diesel

ALEXANDRE PELEGI

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou comunicado neste domingo, dia 2 de setembro de 2018, informando que é falso um comunicado que circula deste este sábado (1) nas redes sociais que admite a possibilidade de uma nova paralisação de caminhoneiros no país.

Trata-se de um documento de três páginas com o timbre da PRF no início, sem, no entanto, qualquer assinatura ou indicação de autoria. O portal UOL procurou a corporação, que afirmou não reconhecer o documento.

O texto faz menção ao aumento no preço do óleo diesel ocorrido nesta sexta-feira (Relembre), fato que desagradou aos transportadores e motivaria uma nova paralisação.

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Documento é falso, segundo a PRF informou ao portal UOL

Os novos valores foram divulgados na quinta-feira, 30 de agosto, pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) e ficarão em vigor por 30 dias. O aumento será sentido com maior intensidade no Centro-Oeste do país, que terá aumento de 14,4%, com valor do litro do diesel a R$ 2,4094. No sudeste, a taxa de reajuste é a menor, de 10,5%, passando a R$ 2,3277 por litro. No Nordeste, o aumento será de 12,5%, com o litro do diesel custando R$ 2,2592. Por sua vez, no Sul, o reajuste será de 13,1%, passando o preço para R$ 2,3143 e, por fim, no Norte, 13,2%, com o valor a R$ 2,2281.

O suposto comunicado atribuído à PRF afirma que “diante deste cenário, não podemos descartar uma nova paralisação da categoria, embora a possibilidade seja bastante pequena”. E vai além: “Além disso, as lideranças são difusas, o que pode acarretar em manifestações pontuais e sem uma coordenação”.

Além disso, juntamente com a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e a PF (Polícia Federal), a organização diz acompanhar a situação de perto, afirmando por fim não haver ainda nenhuma posição oficial a respeito de uma possível nova paralisação.

Após o anúncio do diesel, os transportadores chegaram a solicitar à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) que fosse realizado um reajuste na tabela com os valores mínimos para o frete. Ontem à noite (dia 1º) a agência informou que, “devido à variação do preço do óleo diesel, promoverá os ajustes necessários”. Hoje, por meio de sua assessoria de imprensa, a ANTT voltou a afirma que vai promover ajustes na tabela de preços mínimos de frete devido à alta mais recente do diesel. A expectativa é que os ajustes sejam anunciados dentro de poucos dias.

A Lei nº 13.703, que determinou o preço mínimo para o transporte rodoviário de cargas, determina que sempre que o diesel subir mais de 10%, a tabela de frete (Resolução nº 5.820 da ANTT) deverá ser ajustada.

A ANTT informou que, em função disso, promoverá ajustes na resolução que trata da tabela do frete, conforme a previsão legal.

Uma reunião entre a agência e o Ministério dos Transportes deve ocorrer no decorrer desta semana para tratar do assunto.

O líder do Movimento dos Transportadores de Grãos do Mato Grosso disse ao jornal Folha de SP que o risco de paralisação seria real caso a ANTT não se posicionasse até o final desta semana.

Já a Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros) afirmou ter solicitado audiência com o governo para tratar do aumento do diesel. E finalizou em comunicado que como “sempre acreditou no diálogo, fará o possível para evitar uma nova paralisação”. A entidade afirmou que teria detectado focos de mobilização em aplicativos de mensagem.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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