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Estações da linha 5 Lilás podem ficar para o mês que vem e disputa judicial sobre linha 6 Laranja deve ser resolvida em 90 dias, diz Pelissioni

Linha 5 Lilás. Definição de inaugurações deve começar na sexta. - Foto: Adamo Bazani

Na próxima sexta-feira, inspeções devem determinar se quatro estações da linha 5 serão entregues ainda em agosto ou se parte das inaugurações ficará para o próximo mês

ADAMO BAZANI

Nesta próxima sexta-feira, 17 de agosto de 2018, técnicos da Secretaria Metropolitana de Transportes vão fazer vistorias nas próximas estações da Linha 5 Lilás do Metrô prometidas para ser entregues e decidirem quando devem ocorrer de fato as inaugurações.

As informações são do secretário de transportes metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, em entrevista ao repórter Tiago Muniz, da Rádio Jovem Pan, em um encontro do Lide – Grupo de Líderes Empresariais na manhã desta terça-feira, em São Paulo.

Pelissioni, entretanto, evitou usar o termo “adiamento”, caso a decisão seja por postergar por mais alguns dias as entregas das estações AACD/Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin.

“Na sexta-feira, nós vamos decidir qual é a estratégia, mas eu acredito que no máximo em um mês nós teremos as quatro estações em funcionamento. Não temos adiamento, o que temos é um grande esforço, principalmente a Estação Santa Cruz, que tem um número muito grande de escadas rolantes, são 43, é mais que um shopping center. Nós vamos ter todo o cuidado. Temos já o ‘ok’ da Bombardier para operar em termos de sistema, temos os trens, então está tudo em ordem. Nós esperamos já ao final da semana que vem termos a estratégia, mas com certeza estaremos no máximo em um mês ou até o final do mês, as quatro estações em operação” – disse Pelissioni.

A promessa mais recente do então governador Geraldo Alckmin foi que seu sucessor, Marcio França, inaugurasse as estações até meados de agosto. Por causa da legislação eleitoral, França, que está na disputa para permanecer no Palácio dos Bandeirantes, não deve comparecer às entregas.

A linha 5-Lilás de Metrô, quando completa deve transportar em torno de em torno de 855 mil passageiros por dia até 2020 e tende a ser lucrativa. Várias promessas foram apresentadas pelo Governo do Estado, que precisou mudar as datas.

Toda a linha chegou a ser prometida para 2014. Mas problemas com as empreiteiras, nos planejamentos, contratos e até litígios jurídicos foram fatores que se se somaram e provocaram os atrasos.

O ex-governador Geraldo Alckmin prometeu entregar ainda em 2017 as estações Eucaliptos, Moema, AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin. A estação Campo Belo deveria começar a funcionar no “início” de 2018, sem uma previsão mais concreta.

Entretanto, no meio de novembro de 2017, o secretário de transportes metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, disse que a entrega da estação Eucaliptos seria em janeiro. As estações Moema e Hospital do Servidor deveriam por esta promessa ser concluídas em fevereiro e, em abril seriam possíveis as integrações da linha 5 com as estações Chácara Klabin (linha 2-Verde) e da Santa Cruz (linha 1-Azul). A estação Campo Belo só deveria ser entregue até dezembro de 2018.

Em dezembro de 2017, a gestão mudou as datas. A estação Eucaliptos deveria ser entregue em janeiro de 2018, mas só foi inaugurada em 02 de março. Moema, AACD-Servidor e Hospital São Paulo chegaram a ser prometidas para o mês de fevereiro.

DISPUTA JUIDICIAL SOBRE A LINHA 6 LARANJA

O secretário de transportes metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, também comentou na manhã desta terça-feira, 14, sobre outra linha de metrô que enfrenta atrasos em relação aos cronogramas iniciais: a linha 6 – Laranja.

Prevista para ligar à região da Vila Brasilândia à estação São Joaquim, a linha é hoje alvo de uma contestação judicial por parte do Consórcio Move São Paulo, que em 2 de setembro de 2016, paralisou as obras. O Consórcio Move SP, formado por Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC, alegou dificuldades na obtenção de financiamento de longo prazo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), especialmente após o envolvimento das empreiteiras brasileiras na Operação Lava Jato.

Conforme informou o Diário do Transporte, o Governo do Estado de São Paulo iniciou o processo de caducidade do contrato com o Consórcio. Mas segundo o secretário, a concessionária entrou com uma ação na justiça conta a caducidade.

 “O processo de caducidade já está avançado, nós temos já o parecer jurídico, mas infelizmente a concessionária entrou com uma ação na justiça, a juíza determinou perícia, mas acredito que nos próximos meses, a caducidade se dará e neste ano ainda pretendemos lançar nova audiência pública para nova PPP” – disse Pelissioni

O secretário afirmou que a culpa pela paralisação das obras é exclusiva do consórcio, por isso que diz acreditar numa solução judicial em até três meses.

“Nós temos uma questão judicial que nós acreditamos que entre 60 e 90 dias vá ser equacionada. Então, o Consórcio tem o direito de entrar na justiça e nós temos de prestar todos os esclarecimentos e temos plena convicção que toda a culpa pela não realização da obra é do consórcio privado” – acrescentou.

A última estimativa do Governo do Estado, antes da ação judicial, era concluir o processo de caducidade em maio, como mostrou o Diário do Transporte. Relembro:

https://diariodotransporte.com.br/2018/04/04/governo-do-estado-pretende-finalizar-caducidade-de-contrato-de-ppp-da-linha-6-laranja-em-maio/

A ligação entre a região de Brasilândia, na zona noroeste, e a estação São Joaquim, na região central de São Paulo, deve atender a mais de 630 mil pessoas por dia. Quando assinado em dezembro de 2013, a linha 6-Laranja foi comemorada por ser a primeira PPP – Parceria Público Privada plena do país. O consórcio Move faria a obra e seria também o responsável pela operação da linha por 25 anos. O custo total do empreendimento era de R$ 9,6 bilhões, sendo que deste valor R$ 8,9 bilhões seriam divididos entre governo e consórcio.

A previsão inicial para inauguração da linha 6 era 2020. A data agora é uma incerteza.

Considerada a linha das universidades, por atender regiões onde estão vários estabelecimentos de ensino, a linha 6-Laranja deve ter integração com a linha 1-Azul e 4-Amarela do metrô e 7-Rubi e  8-Diamante, da CPTM.

Até o momento, foram gastos R$ 1,7 bilhão no empreendimento e o BNDES disponibilizou R$ 1,75 bilhão para retomar a obra.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Agradecimentos pelas sonoras ao Diário do Transporte, Tiago Muniz, Rádio Jovem Pan.

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