ESPECIAL: Todas as obras dos principais corredores de ônibus metropolitanos de São Paulo sofrem atrasos

Publicado em: 24 de julho de 2018

Corredor ABD. Paradas são de 1988, quando ainda os passageiros embarcavam por trás. Mesmo com abrigos, pessoas são obrigadas a esperar no tempo porque os coletivos param bem à frente das estruturas. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte)/Clique para Ampliar

Em alguns casos, as promessas iniciais de conclusão eram para 2014, há mais de quatro anos; EMTU diz que crise econômica, rescisões de contratos com construtoras, necessidade de acordo com prefeituras e negociação com operadoras explicam pontualmente o descumprimento dos cronogramas prometidos

ADAMO BAZANI

A rotina de ao menos 800 mil pessoas poderia hoje estar bem melhor, com mais tempo para ficar em casa e realizar atividades de estudo e lazer, ou ao menos com melhores condições de transporte pela modernização de equipamentos e estruturas, caso corredores metropolitanos de ônibus, muitos dos quais prometidos há mais de quatro anos, estivessem completamente concluídos.

O número se refere ao total estimado de pessoas que se beneficiariam de corredores que somente têm alguns trechos em operação, que precisam ser modernizados ou que sequer saíram do papel.

Diário do Transporte, por meio da Lei de Acesso à Informação, obteve com exclusividade a situação atual das obras e as novas previsões de entrega de trechos ou das intervenções completas dos seguintes corredores, além das estimativas de demanda:

– Corredor Metropolitano BRT – Alto do Tietê (Arujá – Itaquaquecetuba – Ferraz de Vasconcelos) – 50 mil usuários/dia

– BRT Metropolitano Perimetral Leste (Jacu Pêssego) – 150 mil usuários/dia

– Corredor Metropolitano Alphaville – (BRT Metropolitano Cajamar – Santana de Parnaíba – Barueri) – Empreendimento em reavaliação, inclusive quanto à demanda

– Corredor Vereador Biléo Soares (Noroeste) – Estruturação do Transporte da RM de Campinas

Trecho Nova Odessa, Americana e Sta. Bárbara D’Oeste

35 mil passageiros/dia (demanda prevista)

Trecho Hortolândia – Sumaré

60 mil passageiros/dia (demanda prevista)

– Corredor Guarulhos-São Paulo (Tucuruvi) – Estruturação do Transporte na Região Nordeste da RMSP

36 mil usuários/dia (trecho concluído entre Taboão e Vila Galvão)

– Modernização do Corredor ABD / São Mateus-Jabaquara

Demanda atual de 300 mil usuários / dia.

– Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo – Estruturação do Transporte na Região Oeste da RMSP

Trecho Itapevi – Jandira: 10 mil usuários / dia (demanda atual – trecho em operação)

Trecho Jandira Carapicuíba + Terminal Carapicuíba: 30 mil usuários/dia (demanda prevista)

Trecho Carapicuíba/KM 21 + terminal Km 21: 30 mil passageiros/dia (demanda prevista)

Trecho Km 21 /Vila Yara: estimativa de 90 mil passageiros/dia (demanda prevista)

ATRASOS DE ANOS:

Há casos que os atrasos já superam quatro anos, levando em conta as previsões iniciais para que os corredores estivessem totalmente completos, não somente com trechos em funcionamento.

O Corredor Metropolitano BRT Alto do Tietê, entre Arujá, Itaquaquecetuba e Ferraz de Vasconcelos, é um dos exemplos. A previsão era de entrega total em 2014.

Em 2014, pelas previsões iniciais do Governo do Estado, o Corredor Vereador Biléo Soares (Noroeste) deveria já estar facilitando a vida dos passageiros que precisam se deslocar na região de Campinas.

Também em 2014, deveria estar completamente concluído o Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo.

O BRT Metropolitano Perimetral Leste (Jacu Pêssego), o Corredor Metropolitano Alphaville – (BRT Metropolitano Cajamar – Santana de Parnaíba – Barueri) e o Corredor Guarulhos-São Paulo (Tucuruvi) deviam estar 100% concluídos em 2015, pelas previsões iniciais.

Já a modernização completa do Corredor Metropolitano ABD, de ônibus e trólebus que liga São Mateus (zona Leste da capital) ao Jabaquara (Zona Sul da capital) por municípios do ABC é aguardada há anos pela população.

O Corredor ABD é a ligação metropolitana em vias exclusivas mais antigas do Estado de São Paulo, inaugurado em 1988, e ainda têm características daquela época, com os abrigos alinhados à porta traseira dos ônibus, por onde os passageiros embarcavam. Isso obriga as pessoas a esperarem sob chuva ou sol, mesmo com os abrigos.

FALTA DE DINHEIRO:

Em grande parte dos casos, de acordo com as respostas da SMT – Secretaria de Transportes Metropolitanos, os atrasos ocorrem por falta de dinheiro.

Segundo a secretaria, na resposta pela Lei de Acesso à Informação, há trechos de corredores com projetos paralisados por não haver dotação orçamentária ou definição de verbas.

Estão entre os exemplos da falta de recursos, trechos do Corredor Metropolitano BRT – Alto do Tietê (Arujá – Itaquaquecetuba – Ferraz de Vasconcelos), BRT Metropolitano Perimetral Leste (Jacu Pêssego), o projeto funcional do trecho Cajamar / Santana de Parnaíba (Corredor Metropolitano Alphaville) e o trecho Vila Galvão – Estação Tucuruvi do Metrô (Corredor São Paulo/Guarulhos).

Sobre a questão financeira, a EMTU, respondendo aos questionamentos do Diário do Transporte, pela assessoria de imprensa, responsabiliza a crise econômica, a complexidade das obras (que são de alto custo) e a situação de alguns municípios por onde devem passar os corredores. A gerenciadora de transportes metropolitanos do Governo do Estado de São Paulo diz que busca novas formas de financiamento:

A crise econômica que atingiu diversas esferas de governo e o setor privado nos últimos anos refletiu-se no andamento dos empreendimentos gerenciados pela EMTU. São obras complexas, que dependem de financiamento e parcerias com administrações municipais por terem alcance metropolitano. A EMTU procura adequar os projetos às necessidades dos municípios e busca novas fontes de financiamento para viabilizar os empreendimentos citados.

DESCREDENCIAMENTO DE CONSTRUTORAS:

Outros motivos dos atrasos dos corredores apontados pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos são as rescisões de contratos com as construtoras, em especial, pelo descumprimento de prazos.

No caso do Corredor Metropolitano Biléo Soares, na região de Campinas, a EMTU explicou ao Diário do Transporte que “rescindiu unilateralmente o contrato com a empresa responsável pelo trecho devido ao não cumprimento de prazos. As obras ficaram paradas por 13 meses (de abril/16 a maio/17, quando foram retomadas)”.

Mas em relação a problemas com empreiteiras, o corredor Itapevi – São Paulo é o que mais concentra imbróglios.

A EMTU explicou ao Diário do Transporte que as obras foram marcadas por falência de construtora, rescisão com outra empreiteira e, ainda, nova licitação de um trecho determinada pelo TCE – Tribunal de Contas do Estado:

No Corredor Itapevi – São Paulo (Vila Yara), o trecho Itapevi – Jandira teve as obras iniciadas em 2011 e paralisação em 2012, pois a primeira empresa contratada faliu.  Outra licitação foi realizada e a empresa Emparsanco foi contratada, retomando as obras em novembro de 2013. No entanto, o trecho teve nova paralisação de dezembro de 2014 a outubro de 2015, em função da rescisão unilateral do contrato por descumprimento de cronograma da obra (empresa também faliu).  A 3ª empresa (ENPAVI) foi contratada no 2º semestre/2015 e retomou a obra em novembro de 2015. O trecho de 5km entre Itapevi e Jandira foi entregue em março de 2018.

 O segundo trecho (Jandira-Carapicuiba) foi retomado em março de 2018. A obra estava prevista para ser concluída em dez/2016, porém foi feita nova licitação para as obras remanescentes dos trechos 2 (Jandira-Carapicuiba) e 3 (Carapicuíba-Osasco km 21)), obedecendo aos parâmetros do TCE.  Previsão de término: março/2019.

FALTA DE ACORDO COM PREFEITURAS:

Em outros casos, há falta de entendimentos entre Governo do Estado e prefeituras, como ocorre com o trecho “Vila Endres – Tiquatira”, do corredor entre São Paulo e Guarulhos.

O Governo do Estado diz que a prefeitura de Guarulhos exige o alargamento da Avenida Guarulhos para a implantação do corredor. A exigência, na visão da gestão estadual, inviabiliza o projeto do ponto de vista técnico e financeiro.

Em nota ao Diário do Transporte, a prefeitura de Guarulhos explicou que a Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito não aprovou os projetos da EMTU e que a proposta apresentada não se configura como um corredor de ônibus, havendo necessidade de alargamento da Avenida.

A Prefeitura de Guarulhos esclarece que, referente aos projetos executivos do Corredor Vila Endres – Tiquatira apresentados pela EMTU, foi encaminhado um Ofício à EMTU  informando que a Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito não aprovou os projetos em questão nos moldes do que foi apresentado.

O ofício foi acompanhado de Parecer Técnico elaborado pelo Departamento de Planejamento e Projetos, em conjunto com o Departamento de Transportes, contendo as considerações referentes à implantação do projeto do Corredor. Dentre essas considerações, foi levantado o fato de que o projeto apresentado não se configura como um corredor de ônibus, uma vez que a Avenida Guarulhos, no trecho em questão, não possui largura suficiente para acomodar duas faixas de rolamento por sentido, sendo necessário um alargamento na via. Também foram apontadas questões referentes a circulação viária na região, localização e quantidade de pontos de parada.

A EMTU confirmou ao Diário do Transporte, que há negociações com a prefeitura de Guarulhos, mas sem previsão de acordo até o momento.

“As negociações com a administração municipal de Guarulhos prosseguem sem prazo para conclusão.”

Mas as necessidades de entendimentos entre Governo do Estado e administração municipal não se restringe à Guarulhos.

Há também necessidade de acertos com a prefeitura de São Paulo, como no caso da extensão do Corredor ABD, entre Diadema, no ABC Paulista, e a região da Berrini, na capital.

A exemplo do eixo principal do Corredor ABD, entre São Mateus e Jabaquara, a extensão deveria ser eletrificada, para trólebus, mas a EMTU diz que negocia com a prefeitura de São Paulo os custos de implantação e manutenção já que a maioria das linhas que passam pelo local é de gestão municipal.

O projeto executivo que prevê a eletrificação do trecho Diadema-São Paulo do Corredor foi concluído pela EMTU. Como circulam, no trecho, 16 linhas municipais e apenas duas metropolitanas, é necessário dimensionar os custos de implantação e manutenção em conjunto com a Prefeitura de São Paulo. As conversações sobre o tema com a administração municipal estão em andamento.

Ainda sobre a modernização do Corredor ABD, a EMTU diz que negocia com a operadora Metra a readequação das paradas, que ainda estão alinhadas para embarque pela porta traseira dos ônibus e trólebus, sem nenhuma mudança desde quando foram inauguradas, em 1988. O resultado é que há os abrigos, mas os coletivos param bem à frente, e as pessoas são obrigadas a esperar sob chuva ou sol.

A gerenciadora diz que ainda não há definição sobre a reforma das paradas.

Sobre a reforma e modernização das paradas do Corredor ABD, a EMTU mantém conversações com a concessionária Metra para a concretização do projeto, indefinido até o momento.

VEJA A SITUAÇÃO ATUAL DOS CORREDORES E AS PROMESSAS :

– Corredor Metropolitano BRT – Alto do Tietê (Arujá – Itaquaquecetuba – Ferraz de Vasconcelos)

No caso do BRT Metropolitano Perimetral Alto Tietê (Arujá – Ferraz de Vasconcelos), o projeto básico foi concluído em dezembro de 2016. Mas, de acordo com as primeiras previsões, a Contratação dos Projetos Básicos e Executivo deveria ocorrer no 1º semestre de 2013.  A Previsão de Início das Obras era o 2º semestre de 2014 e a Previsão de Conclusão das Obras:  após 2014 – http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/projetos/investimentos-implantacoes/corredor-brt-metropolitano-perimetral-alto-tiete.fss

O BRT Metropolitano Perimetral Alto Tietê (Arujá – Ferraz de Vasconcelos) terá 20,2 km de extensão ligando Arujá a Ferraz de Vasconcelos, passando por Itaquaquecetuba e Poá.

Status Projeto: Projetos Básicos Trecho 1 concluído em dezembro de 2107. Trechos 2 e 3 em elaboração – previsão de conclusão para agosto de 2018. Projetos Executivos Trechos 1 e 2, previsão de conclusão outubro de 2018.

Contratação Obras: a contratação de obras depende de definição de fontes de recursos. O prazo estimado de execução total do corredor é de 36 meses, mas a construção pode ser executada por trechos ou equipamentos.

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– BRT Metropolitano Perimetral Leste (Jacu Pêssego)

A demanda inicial prevista para o corredor é de 175 mil pessoas por dia. Em seu site, a EMTU mantinha as seguintes previsões para o BRT Perimetral Jacu Pêssego: Previsão de Início de Obras: 2014 / Previsão de Conclusão das Obras: 2015 – http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/projetos/investimentos-implantacoes/corredor-brt-metropolitano-perimetral-leste.fss

A situação atual do corredor é a seguinte:

Status Projeto: Projetos Básicos Trechos 1 e 2 concluídos. Projetos Executivos em contratação. Trecho 3 sob responsabilidade do Metro/SPTrans.

Contratação Obras: a contratação de obras depende de definição de fontes de recursos. O prazo estimado de execução total do corredor é de 36 meses.

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– Corredor Metropolitano Alphaville – (BRT Metropolitano Cajamar – Santana de Parnaíba – Barueri)

No caso do BRT Metropolitano Cajamar – Santana de Parnaíba – Barueri de 28,9 quilômetros que beneficiaria inicialmente 55 mil passageiros, já teve concluído  projeto funcional do primeiro trecho que liga Cajamar a Santana de Parnaíba, de aproximadamente 12 km de extensão, mas o segundo trecho, entre Santana de Parnaíba e Barueri, sequer teve o traçado definido. Ocorre que, pelo site da EMTU, as datas iniciais eram: Previsão de Início das Obras: 2014 / Previsão de Conclusão das Obras: 2015 – http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/projetos/investimentos-implantacoes/brt-metropolitano-cajamar-santana-do-parnaiba-barueri.fss

Status Projeto: Projeto Funcional Trecho Cajamar / Santana de Parnaíba revisto e concluído em dez/2016.

Empreendimento paralisado, sem dotação orçamentária para continuidade.

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– Corredor Vereador Biléo Soares (Noroeste) – Estruturação do Transporte da RM de Campinas

Ao todo, o corredor deve ter 32,7 Km. A maior parte dos trechos, segundo as previsões iniciais da EMTU, deveria ser entregue até o segundo semestre de 2014 – Veja: http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/projetos/investimentos-implantacoes/trecho-do-corredor-metropolitano-bileo-soares-noroeste.fss

Entretanto, alguns destes espaços, como de Hortolândia a Campinas via Sumaré, só ficarão prontos com as obras remanescentes concluídas, em julho 2019, de acordo com as atuais previsões.

A variante Sumaré-Hortolândia ainda sequer tem projetos executivos.

A situação atual do corredor é a seguinte:

2ª FASE: TRECHO NOVA ODESSA – AMERICANA – SANTA BÁRBARA D’OESTE

Terminal Americana entregue em dez/2017.

Trecho da Avenida Europa e Av. São Paulo, com 5 paradas, 2 estações de transferência, 5 km de faixa exclusiva, entregues em março de 2018.

Obras Remanescentes: previsão de conclusão dezembro de 2018.

OBRAS COMPLEMENTARES: TRECHO HORTOLÂNDIA – SUMARÉ – CAMPINAS

Estação de Transferência Pinheiros (Hortolândia) e Parada Emancipação, entregues em agosto de 2016.

Estação de Transferência Km 110 da Rod. Anhanguera (Maria Antônia), entregue em julho de 2017.

Obras remanescentes: previsão de conclusão julho de 2019.

VARIANTE SUMARÉ – HORTOLÂNDIA

Status Projeto: Projetos Básicos concluídos. Projetos Executivos em contratação.

No caso do Corredor Metropolitano Biléo Soares, na região de Campinas, a EMTU explicou ao Diário do Transporte que “rescindiu unilateralmente o contrato com a empresa responsável pelo trecho devido ao não cumprimento de prazos. As obras ficaram paradas por 13 meses (de abril/16 a maio/17, quando foram retomadas).

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– Corredor Guarulhos-São Paulo (Tucuruvi) Estruturação do Transporte na Região Nordeste da RMSP

Numa entrevista coletiva, em 2013, o então governador de São Paulo, havia prometido a operação de todo o corredor para 2015, como mostra uma matéria do portal G1, da época:

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/07/inaugurado-1-trecho-de-corredor-de-onibus-que-vai-ligar-guarulhos-sp.html

Atualmente, a situação do corredor é a seguinte:

 TRECHO TABOÃO – VILA GALVÃO

Terminal Vila Galvão foi entregue em dezembro de 2014.

Corredor começou a operar integrado com os ônibus municipais de Guarulhos, em 19 de setembro de 2015.

 TRECHO VILA ENDRES – TIQUATIRA/PENHA

Status Projeto: Concluídos Projetos Executivos em maio de 2015. O município de Guarulhos não concordou com o projeto e exige também o alargamento da Avenida Guarulhos, o que compromete significativamente os custos de desapropriações no trecho, inviabilizando a implantação do empreendimento.

VILA GALVÃO – ESTAÇÃO TUCURUVI/METRÔ

Status: a EMTU concluiu os Projetos Executivos em 2009 e a revisão do Projeto Funcional em 2015. O Projeto Executivo deverá sofrer revisão para inclusão de ciclovia ao longo do traçado para adequação ao Plano de Mobilidade de São Paulo.

Empreendimento paralisado, aguardando definição de recursos orçamentários.

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– Modernização do Corredor ABD / São Mateus-Jabaquara

Segundo o Governo do Estado, por meio da Lei de Acesso à Informação, em 2016 foram concluídas as obras complementares de instalação de seis elevadores e duas plataformas elevatórias nos terminais Ferrazópolis, Piraporinha, Diadema, São Mateus e Santo André Oeste, com o objetivo de atender as normas de acessibilidade.

O Corredor Metropolitano ABD é o mais antigo em operação. Foi inaugurado em 1988 e liga São Mateus, na zona leste da capital paulista, ao Jabaquara, na zona sul, passando por Diadema, Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria) e São Bernardo do Campo, além de ter extensão entre Diadema e a estação Berrini, dos trens da CPTM, na zona Sul da Capital. O sistema tem boa avaliação dos passageiros, conseguindo até nota superior ao Metrô, de acordo com mais recente pesquisa da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos.

Mas o corredor do trólebus, como é chamado, precisa ser modernizado. Não há pontos de ultrapassagem para os ônibus não perderem tempo nas paradas, os terminais não conseguem receber ônibus biarticulados de 28 metros com maior capacidade de demanda (o modelo maior suportado é de 23 metros – superarticulado) e os pontos são de 1988.  Não há pré-embarque, pagamento antecipado da tarifa, e os abrigos foram dispostos na época em que o embarque era pela parte de trás dos ônibus e continuam do mesmo jeito. Assim, muitas vezes, para embarcar os passageiros, têm de ficar avançados na calçada, fora do abrigo e sob chuva e sol, para se alinharem à porta dianteira.

A EMTU disse em 23 de julho de 2018, ao Diário do Transporte, que negocia com a operadora Metra a readequação das paradas, que ainda estão alinhadas para embarque pela porta traseira dos ônibus e trólebus, sem nenhuma mudança desde quando foram inauguradas, em 1988. O resultado é que há os abrigos, mas os coletivos param bem à frente, e as pessoas são obrigadas a esperar sob chuva ou sol.

A gerenciadora disse ainda que ainda não havia definição sobre as reformas das paradas.

Sobre a reforma e modernização das paradas do Corredor ABD, a EMTU mantém conversações com a concessionária Metra para a concretização do projeto, indefinido até o momento.

A exemplo do eixo principal do Corredor ABD, entre São Mateus e Jabaquara, a extensão Diadema – Berrini (São Paulo) deveria ser eletrificada, para trólebus, mas a EMTU diz que negocia com a prefeitura de São Paulo os custos de implantação e manutenção já que a maioria das linhas que passam pelo local é de gestão municipal.

O projeto executivo que prevê a eletrificação do trecho Diadema-São Paulo do Corredor foi concluído pela EMTU. Como circulam, no trecho, 16 linhas municipais e apenas duas metropolitanas, é necessário dimensionar os custos de implantação e manutenção em conjunto com a Prefeitura de São Paulo. As conversações sobre o tema com a administração municipal estão em andamento.

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Implantação do Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo – Estruturação do Transporte na Região Oeste da RMSP

O corredor completo entre Itapevi e a Capital Paulista deveria ter sido concluído em 2014, segundo as primeiras promessas do Governo do Estado ao apresentar o projeto à imprensa.

Atualmente, a situação do corredor é a seguinte:

TRECHO ITAPEVI – JANDIRA

Concluído em mar/2018.

Trecho Itapevi – Jandira (5 km) – Inclui a construção da Estação de Transferência Itapevi, sete estações de embarque e desembarque, viaduto sobre a Rua Ameríndia e passarela sobre a via férrea. Em 2016 a EMTU/SP deu continuidade às obras no viário e nas estações com mais de 50% dos trabalhos executados no trecho. Esta ligação seria entregue em 2017.

TRECHO JANDIRA – CARAPICUÍBA

Previsão conclusão março de 2019.

Trecho Jandira – Terminal Carapicuíba (8,8 km) – as obras neste trecho avançaram em 2016 e incluem a construção do Terminal Carapicuíba, da Estação de Transferência de Barueri e nove estações de embarque e desembarque. Em 2017, teve início a construção da Estação e do Terminal Carapicuíba.

TRECHO CARAPICUÍBA – OSASCO KM21

Trecho Terminal Carapicuíba – Osasco km 21 (2,2 km) 

Terminal Luiz Bostolosso entregue em agosto de 2016

Previsão conclusão agosto de 2019

TRECHO OSASCO KM21 – VILA YARA

Trecho Km21 Osasco – Terminal Vila Yara – Osasco – (7,6 km)

Terminal Vila Yara: previsão conclusão maio de 2019

Obras remanescentes dependem de dotação orçamentária para as desapropriações e sua continuidade.

Em relação a problemas com empreiteiras, o corredor Itapevi – São Paulo é o que mais concentra imbróglios.

A EMTU explicou ao Diário do Transporte, em 23 de julho de 2018, que as obras foram marcadas por falência de construtora, rescisão de outra empreiteira e, ainda, a nova licitação de um trecho determinada pelo TCE – Tribunal de Contas do Estado:

No Corredor Itapevi – São Paulo (Vila Yara), o trecho Itapevi – Jandira teve as obras iniciadas em 2011 e paralisação em 2012, pois a primeira empresa contratada faliu.  Outra licitação foi realizada e a empresa Emparsanco foi contratada, retomando as obras em novembro de 2013. No entanto, o trecho teve nova paralisação de dezembro de 2014 a outubro de 2015, em função da rescisão unilateral do contrato por descumprimento de cronograma da obra (empresa também faliu).  A 3ª empresa (ENPAVI) foi contratada no 2º semestre/2015 e retomou a obra em novembro de 2015. O trecho de 5km entre Itapevi e Jandira foi entregue em março de 2018.

O segundo trecho (Jandira-Carapicuíba) foi retomado em março de 2018. A obra estava prevista para ser concluída em dez/2016, porém foi feita nova licitação para as obras remanescentes dos trechos 2 (Jandira-Carapicuíba) e 3 (Carapicuíba-Osasco km 21), obedecendo aos parâmetros do TCE.  Previsão de término: março/2019.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Gustavo Ferreira Bonfate disse:

    Excelente matéria Ádamo!

    No caso do corredor do corredor metropolitano Guarulhos-São Paulo, no trecho entre a Praça IV Centenário e a Av. Guarulhos, o corredor encontra-se incompleto. Tanto que os ônibus fazem paradas ao lado direito da via. Para verificar essa situação “in loco”, utilize a linha 802TRO (Metrô Tucuruvi/Terminal M. Taboão), essa linha percorre todo o eixo do corredor. Vamos ver quando a prefeitura e a EMTU entrarão em um acordo para seguir a obra.

  2. Pedro disse:

    O povo tem que lembrar disso na hora de votar, tempo de renovar, chega do mesmo, chega do governo do menos.

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