Empresas de ônibus relatam “onda de invasões a garagens” por criminosos para levar tacógrafos e equipamentos caros

Painel sem os principais equipamentos. Invasões às garagens causam prejuízos (Clique na foto para ampliar)

Em um mês foram ao menos quatro casos, todos com características semelhantes

ADAMO BAZANI

As ações são muito parecidas, o que faz as empresas de ônibus acreditarem se tratar de uma mesma quadrilha: sempre entre uma e três horas da madrugada, os criminosos invadem as garagens e furtam tacógrafos, painéis, retrovisores eletrônicos, câmeras, aparelhos de GPS, baterias e outros materiais de alto valor dos coletivos.

Somente um tacógrafo, equipamento usado para arquivar a velocidade do ônibus (uma espécie de caixa-preta), pode custar em torno de R$ 5 mil.

Segundo apurou o Diário do Transporte, entre o dia 20 de junho e a madrugada de quinta-feira, 12 de julho de 2018, ao menos quatro empresas do setor de fretamento foram invadidas e tiveram vários ônibus arrombados.

No dia 20 de junho, às 2h49, as câmeras de segurança da unidade de fretamento da empresa Suzantur, em Suzano, registaram um homem que conseguiu entrar em três ônibus que estavam trancados e levou dos veículos três painéis, três tacógrafos e dois espelhos retrovisores.

A empresa possui uma cerca elétrica que dispara um alarme caso alguém tente cortá-la, mas, segundo a companhia de ônibus, a sirene não funcionou.

Em nota, a empresa informou que reforçou a segurança:

“Diante de tal fato ocorrido na Empresa Suzantur com sede em Suzano – SP, informamos que estamos reforçando toda nossa segurança com cercas elétricas, instalamos alarmes em toda nossa frota, sistema de monitoramento 24 horas, intensificamos e até terceiramos empresas de segurança armada para ronda ostensiva em todas nossas garagens.  Assim como outras empresas, estamos arcando com altos prejuízos”

De uma das garagens, até os retrovisores, que são caros por serem eletrônicos em alguns modelos, foram retirados dos ônibus.

Na madrugada de quarta-feira, 11 de julho de 2018, foi a vez de a Viação Galo de Ouro, de Santo André, ter sido invadida por criminosos.

Onze ônibus tiveram tacógrafos e equipamentos eletrônicos de alto valor levados por criminosos.

“Verificamos nas câmeras de segurança que pelo menos três homens chegaram ‘nas’ proximidades e um adentou a empresa. Eles levaram tacógrafo, painel e o que valia muito. O pessoal que roubou sabia o que estava fazendo. Tiraram as peças certas, não destruíram os painéis, fizeram os cortes certinhos das fiações, desligaram os sistemas de ar. Isso tem acontecido, exatamente do mesmo jeito, em outras empresas” – contou por telefone ao Diário do Transporte, o encarregado de tráfego, Reginaldo Esteve Santos.

Na madrugada de quinta-feira, 12 de julho de 2018, a Empresa Tucuruvi, de São Caetano do Sul, também foi invadida Sete ônibus tiveram partes como painéis e tacógrafos levados. A ação também ocorreu na madrugada.

Na garagem havia ônibus de outras empresas que também foram alvos da ação criminosa, como da Breda Serviços e Viação Santa Maria Ltda.

Em muitos casos, ônibus devem ser levados para as concessionárias pela complexidade dos reparos.

Segundo os profissionais das garagens ouvidos pela reportagem do Diário do Transporte, os criminosos escolhem os modelos mais novos e mais vendidos. Entre os mais visados estão os modelos da Geração Sete (G7) da Marcopolo.

A suspeita é de que estas peças vão para o mercado negro abastecer, principalmente, os ônibus que atuam no transporte clandestino, tanto de fretamento como de linhas rodoviárias regulares.

Baterias e outros equipamentos da parte elétrica também são alvos

Em nota, a Fresp, federação que representa as empresas de fretamento no Estado de São Paulo, diz que o assunto merece atenção e cobra atuação mais eficiente dos órgãos que fiscalizam os tacógrafos.

“Este é um assunto que merece atenção de todo o setor, por isso a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo (FRESP) sempre orienta seus associados a, além do registro do boletim de ocorrência, relatarem à EMTU os itens furtados. À FRESP, enquanto entidade que representa o fretamento, cabe a cobrança aos órgãos competentes, principalmente quanto à fiscalização dos tacógrafos, no que diz respeito à sua regularidade e procedência. Isso certamente reduziria o número de furtos desses equipamentos.”

Também por meio de nota, a SSP – Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou ao Diário do Transporte que a polícia investiga os casos que foram registrados. Segundo a pasta, é importante o registro de B.O. para orientar o policiamento ostensivo, em especial o feito com as motos da ROCAM.

Em todas as regiões o policiamento ostensivo e preventivo é realizado com base na análise dos índices criminais, importante para reorientar o policiamento nos casos de maior incidência com o uso de programas específicos, como ROCAM, Rádio Patrulhamento e Policiamento Comunitário. Em Suzano, foram registrados quatro boletins de furto de tacógrafo desde o início do ano, que estão em investigação. Em São Bernardo, apenas um caso foi registrado pelo 3º DP, e encaminhado ao 8º DP, responsável pela área. A delegacia instaurou inquérito policial e ouviu o representante da empresa. Diligências estão em andamento visando a identificação dos autores. Em Santo André não há registro de ocorrência com as características informadas. Em São Caetano do Sul, no dia 12 de julho, foi registrado boletim de ocorrência referente aos danos e objetos subtraídos de sete veículos de uma empresa de ônibus. A equipe do 3°DP do município trabalha para identificar e localizar os autores.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. Ligeiro disse:

    Se prensar o número do chassi associado a peça, será que inibe?

Deixe uma resposta