IBGE: Em 88% das cidades com ônibus, veículos não são acessíveis
Publicado em: 5 de julho de 2018
Somente 11,7% dos municípios possuem todos os ônibus com acessibilidade. Apenas 30,1% das cidades têm ônibus municipais
ADAMO BAZANI
De acordo com o decreto n° 5.296, de 2004, do Governo Federal, até dezembro de 2014 todos os ônibus de características urbanas, sejam municipais ou intermunicipais, tinham de oferecer acessibilidade.
Em 2014, a NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, que representa mais de 500 viações em todo o País, disse que havia uma previsão na lei que os veículos antigos poderiam ser aproveitados até o final da vida útil prevista nas concessões e permissões públicas. Pela lógica das empresas, em 2018, a grande maioria dos ônibus nas cidades já deveriam então ser acessíveis, isso porque, em 2008 começaram a sair das fábricas obrigatoriamente os veículos com elevadores ou rampas e, em geral, a idade máxima permitida em grande parte das concessões é de 10 anos.
Mas, em 2018, o número de ônibus com acessibilidade está longe de ser o que a lei determina e do cidadão com algum tipo de limitação precisa.
De acordo com pesquisa do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgada nesta quinta-feira, 05 de julho de 2018, em 88% dos municípios brasileiros que contavam com serviços regulares de ônibus municipais, não há a totalidade de ônibus com acessibilidade, como manda a lei.
Apenas 11,7% das cidades com ônibus contavam com toda a frota acessível até o final de 2017.
Assim, das 1.679 cidades com ônibus municipais, somente 197 (ou 11,7%) estavam em 2017 com todos os ônibus acessíveis. Em 48,8% das cidades (820 municípios), a frota de ônibus é apenas parcialmente adaptada, e, em grande parte das cidades, 662 municípios (39,4%), não há nenhum ônibus acessível.
No Nordeste, o índice de acessibilidade é o menor do país, com 5,3% das cidades com toda a frota acessível, 38,1% parcialmente acessível e mais da metade, 56,6% sem nenhum tipo de acessibilidade.
Na região Norte, 53,3% dos municípios, os ônibus urbanos não têm nenhum tipo de acessibilidade. Já 5,7% das cidades contam com frota totalmente acessível e 41%, apenas parcialmente.
No Centro-Oeste, 11,5% das cidades têm ônibus plenamente acessíveis, 44,9% são apenas parcialmente acessíveis e 43,6% não contam com acessibilidade plena.
No Sul, 9,8% dos municípios têm ônibus plenamente acessíveis e 50,8%, apenas parcialmente. Já 39,4% das cidades não têm frota acessível.
No Sudeste, o índice de acessibilidade é maior: 16% das cidades com frota 100% adequada. Em 53,1% das cidades, a frota é apenas parcialmente acessível. Em 30,9% dos municípios, os ônibus não têm nenhuma acessibilidade.
De 1.017 cidades com ônibus parcialmente ou totalmente acessíveis, 98 não souberam dizer, de acordo com o IBGE, quais normas são seguidas.
Dos 919 municípios, 31,8% (292) disseram que seguem as normas da ABNT, com piso baixo e rampa ou elevador. Já em 59,7% das cidades (59,7%) disseram que os ônibus são apenas de piso alto com elevador. Outros 8,5% (78 cidades) disseram ter piso alto com elevador ou piso baixo, mas não citaram as normas da ABNT.
BURACO NEGRO DE ÔNIBUS:
Outro dado que chamou a atenção na pesquisa é que apenas 30,1% dos 5.570 municípios brasileiros, ou 1.679 cidades, possuíam ônibus municipais em 2017.
Das 3.891 cidades sem ônibus municipais, apenas 31,4%, ou 1222 cidades, são cobertas por linhas intermunicipais. Isso significa que 2669 cidades não contam com nenhum tipo de serviço de ônibus. Segundo o IBGE, o número pode ser explicado pelo fato de 40% das cidades brasileiras ter 20 mil habitantes ou menos.
O táxi é a forma mais comum de transporte público e há poucas redes de trilhos em todo o País.
Entre as 5570 cidades brasileiras, veja a presença dos meios de transporte púbico segundo o IBGE:
1º Táxis: 4110 cidades
2º Vans: 2983 cidades
3º) Mototaxi: 2560 cidades
4º) Ônibus Municipais: 1.679 cidades
5º) Ônibus Intermunicipais: em 1222 cidades que não contam com linhas municipais
6º) Barco: 436 cidades
7º) Trens: 92 cidades
8º) Metrô: 20 cidades.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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