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Frota de veículos no Brasil: Em 45% dos municípios brasileiros, número de motos supera o de carros

Rua da zona Sul de São Paulo tomada por motos em um dia de semana comum. Foto: Adamo Bazani/Clique para ampliar

Estudo da Confederação Nacional de Municípios –CNM ainda revela que Brasil tem uma média de um carro para cada 3,89 habitantes e uma moto para cada 7,86 pessoas. Segundo levantamento, ônibus está entre as principais soluções de mobilidade urbana

 ADAMO BAZANI

Antigamente, as motos eram sinônimos de rebeldia e liberdade, com imagens clássicas em cinemas e comerciais de TV.

Agora, em grande parte das cidades brasileiras, as motos representam soluções para muita gente no curto prazo, mas também atuais e futuros problemas de mobilidade, poluição e até mesmo saúde pública e perda da força de trabalho.

Um estudo realizado pela Confederação Nacional de Municípios – CNM, divulgado nesta segunda-feira, 02 de julho de 2018, mostra o crescimento do número de motos em todo o país.

De acordo com o levantamento, com base nos dados do Denatran – Departamento Nacional de Trânsito, em 44,6% das cidades de todo o País, a frota de motos já supera o total de carros, como diz em nota, o presidente da CNM, Glademir Aroldi.

“As regiões brasileiras viram uma mudança do perfil de sua frota nos últimos anos e em 44,6% dos municípios há mais motos do que carros circulando nas ruas. No Acre, por exemplo, todos os Municípios possuem mais motos que automóveis”

Os dados mostram que o Brasil possui 53,4 milhões de carros, 26,4 milhões de motos, 616 mil ônibus e 13,2 milhões de caminhões. O número de veículos cresceu 3,30% em relação a abril de 2017.

Proporcionalmente, o Brasil tem um carro para cada 3,89 habitantes e uma moto para cada 7,86 pessoas, número em expansão contínua.

São vários fatores que, em conjunto, podem explicar o aumento de motos nas ruas: este tipo de veículo está cada vez mais barato; a compra desde 2013 tem sido estimulada com financiamentos mais fáceis; o consumo de combustível pelas motos tende a ser mais baixo; a moto é mais ágil no trânsito cada vez mais congestionado das cidades; muitos desempregados encontraram nos serviços de motoboy uma ocupação e, sem investimentos, como em corredores para deixar os ônibus mais rápidos e em redes de trilhos, o transporte coletivo não está sendo atrativo.

Entretanto, o que é uma solução temporária tem virado um problema crônico.

De acordo com o Boletim Estatístico da Seguradora Líder, empresa privada responsável pela administração do seguro obrigatório no país, os acidentes com motos representaram 75% ou 87.648 das 116.085 indenizações do DPVAT entre janeiro e abril deste ano.

Os acidentes de moto também prejudicam a força de trabalho brasileira.

Ainda de acordo com a Seguradora Líder, as vítimas de acidentes com motocicletas são em sua maioria jovens em idade economicamente ativa. No período citado, as vítimas entre 18 e 34 anos concentraram 50% dos acidentes fatais e 53% dos acidentes com sequelas permanentes.

Segundo os dados, 76% dos acidentados com moto que recorreram ao DPVAT, ficaram com invalidez permanente.

Estudos do Instituto de Energia e Meio Ambiente – IEMA e da Cetesb, a companhia ambiental do estado de São Paulo, mostram que uma moto de 125 cilindradas, proporcionalmente ao número de passageiros transportados, pode poluir 17 vezes mais que um carro e até 34 vezes mais que um ônibus comum.

ÔNIBUS:

O estudo da Confederação Nacional de Municípios –CNM classifica o ônibus como uma das principais alternativas para a mobilidade urbana, juntamente com redes de trilhos bem planejadas e estruturadas.

Segundo a CNM, a principal característica do ônibus é aproveitar melhor o espaço urbano:

“O transporte coletivo permite a utilização eficiente do espaço, uma vez que

ocupa um espaço menor na malha viária e transporta 70% da população.

A frota brasileira de ônibus se concentra em Municípios acima de 60 mil

habitantes, totalizando 616 mil veículos. O Estado com maior frota de ônibus é São Paulo, representando 25,6% do total, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro com, respectivamente, 12,3% e 7,3%”

Confira as 50 cidades do Brasil com as maiores frotas de ônibus (entre urbanos, metropolitanos, escolares, fretamentos, rodoviários e particulares)

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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