Prefeitura de BH e Governo de Minas anunciam estratégias para combater onda de ataques a ônibus

Segundo autoridades de segurança, população deve contribuir com denúncias – FOTO: Manoel Marques/Imprensa MG

Kalil diz que empresas poderão retirar ônibus em caso de ameaças e que comunidade deve denunciar

ADAMO BAZANI

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, e o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, anunciaram no final da manhã desta quarta-feira, 27 de junho de 2018, estratégias de enfrentamento aos incêndios a ônibus na capital e na região metropolitana.

Entre as medidas está a criação de um grupo dentro do Disque-Denúncia (181) somente para receber denúncias de possiblidades de ataques aos ônibus.

O comandante geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Helbert Figueiró de Lourdes, acredita que com esse atendimento específico no canal 181, a população poderá denunciar possibilidades de ataques aos coletivos de forma anônima e segura.  Segundo o comandante, o 181 vai garantir uma melhor fluidez da informação, agilizando a comunicação e a ação dos órgãos de segurança.

O coronel reafirmou que os ataques em Belo Horizonte são uma “retaliação” à atuação efetiva da Polícia no Estado. “Em Belo Horizonte, esses casos decorrem de intervenções da PMMG, como, por exemplo, depois de grandes episódios de apreensão de drogas”

Em todo o Estado, somente no mês de junho, foram 70 ônibus destruídos em incêndios criminosos.

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, disse na entrevista coletiva que foram presas pela PM entre 2016 e ontem, mais de 60 pessoas acusadas de participarem dos ataques a ônibus, mas que 86% dos detidos foram soltos pela Justiça. “Voltaram às ruas para continuarem colocando fogo em ônibus”, disse Kalil que ainda afirmou que as viações poderão continuar tirando os ônibus de circulação nas madrugadas e em casos de ameaças.

“Isso se tornará uma rotina na vida do belo-horizontino, porque o poder público não pode obrigar as empresas a colocarem uma frota ou um aumento de frota na rua pra ser incendiado. Então, é um problema que a comunidade vai ter que tomar conta junto com a Polícia Militar e com a Guarda Municipal, que a comunidade vai ter que denunciar. Nós estabelecemos na reunião que vai ter, segundo o comandante-geral, no 181, um atendimento específico e especial pra que a denúncia parta da comunidade”

Segundo o governador Fernando Pimentel, em nota da assessoria, Minas Gerais reconhece a seriedade da questão e garantiu que “não vai tratar o assunto como os demais estados do país”. Além do canal 181, Pimentel disse que permanecem as ações de monitoramento da Polícia Militar nas ruas e junto aos roteiros dos ônibus, entre outras iniciativas. “Nós estamos estabelecendo uma rede de prevenção. Já fizemos reuniões com praticamente todas as garagens de ônibus da cidade para que eles nos dessem o roteiro das linhas e os pontos mais críticos. Com isso, os Batalhões e as Companhias de Polícia que atuam em Belo Horizonte estão fazendo esse trabalho de prevenção seguindo o roteiro dos ônibus”, afirmou.

De acordo com a BHTrans, 360 viagens deixam de ser realizadas durante a madrugada.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte Setra-BH, Joel Paschoalin, afirmou que a viações não têm como substituir estes ônibus, que custam, em média, R$ 400 mil cada. Os valores variam de acordo com o tamanho e configuração.

Assim, no Estado, para substituir os 70 ônibus destruídos somente neste mês, serão necessários R$ 28 milhões.

Participaram da reunião e da coletiva ainda o presidente da BHTrans Célio Bouzada, o secretário municipal de Segurança e Prevenção de Belo Horizonte, Genílson Zeferino, o comandante da Guarda Municipal de Belo Horizonte, Rodrigo Prates, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH), Joel Jorge Guedes Paschoalin, o Comandante do Policiamento da Capital, Coronel Anderson de Oliveira, e o chefe do Gabinete Militar do Governo e Coordenador Estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Arantes.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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